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Alta da inflação já ficou para trás, afirma Tombini

Presidente descarta taxa de equilíbrio do câmbio, mas diz que BC poderá intervir para manter a normalidade do mercado

O Banco Central poderá intervir, se necessário, para que o câmbio funcione adequadamente. O recado foi dado ontem pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, em palestra para o Grupo de Líderes Empresariais (Lide), presidido pelo empresário João Dória Jr.

Tombini reforçou o aviso, informando que o governo tem no seu arsenal econômico instrumentos para fazer com que o câmbio funcione dentro da normalidade. Contudo, evitou dizer qual seria a taxa de câmbio de equilíbrio para estimular as exportações sem elevar a inflação.

Tombini afirmou ainda que, no mercado doméstico, os momentos de elevados patamares de inflação já ficaram para trás. De acordo com ele, a crise internacional é desinflacionária para a economia brasileira e a tendência de convergência para o centro da meta de inflação permanece.

Ele limitou-se a afirmar que, em um cenário de crise internacional, o câmbio flutuante é a primeira linha de defesa do Banco Central. "Em um cenário de crise, o câmbio flutuante é a primeira linha de defesa", disse, ao ser indagado por um empresário sobre qual seria a taxa de câmbio de equilíbrio e informado que a variação do dólar tem sido no atual momento uma das maiores preocupações do empresariado brasileiro. Ontem, o dólar comercial fechou cotado a R$ 2,0420, mostrando um aumento de 1,09% sobre o fechamento de sexta-feira.

Para o presidente do Banco Central, a valorização recente do dólar é generalizada e a desvalorização do real tem estado em linha com a desvalorização das demais moedas. Além disso, explicou que o repasse da alta do dólar vem diminuindo nos últimos anos. De acordo com ele, no curto prazo o repasse tem ficado em torno de 3% e, no médio prazo, em 8%. Ele disse também que o repasse depende muito do momento econômico e no atual momento o repasse será moderado.

Tombini traçou um cenário positivo para a economia e disse que os fundamentos macroeconômicos brasileiros continuam sólidos e garantidos pelo volume de reservas internacionais e dos compulsórios bancários.

"São colchões de segurança", disse, acrescentando que o total de compulsório encontra-se em cerca de R$ 400 bilhões e as reservas internacionais, que em agosto de 2008, pouco antes da eclosão da crise internacional do subprime, somavam US$ 205 bilhões, hoje estão em US$ 374 bilhões.

Sobre o cenário internacional, o presidente do BC avaliou que continuará sendo caracterizado pela volatilidade e a taxa de crescimento mundial será menor, mas ainda com bastante liquidez.