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Indústria volta a abrir vagas depois de cinco meses de resultado negativo

O saldo foi mínimo, com a criação de 183 vagas, e a oferta de empregos no setor foi a que mais caiu desde novembro

Isabel Sobral e Marcelo Rehder

Após cinco meses seguidos de saldos negativos no emprego, a indústria voltou a ter mais contratações do que demissões em abril, embora o resultado positivo tenha sido tímido: apenas 183 novas vagas. Essa foi, no entanto, uma das surpresas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, já que especialistas e empresários não tinham certeza sobre quando o setor poderia novamente apresentar dados positivos de empregos formais.

A oferta de empregos na indústria foi a que mais caiu desde novembro do ano passado, já que o setor foi o mais atingido pela crise.

Segundo os dados divulgados ontem, a indústria de produtos alimentícios registrou o melhor desempenho de novas contratações de empregados, com saldo positivo de 18,9 mil vagas. Em seguida, vieram a indústria de borracha e de fumo (3 mil novos postos), a indústria calçadista (1,3 mil vagas) e a indústria têxtil (328 ocupações).

Os segmentos industriais que ainda preocupam o governo e continuam apresentando mais demissões que admissões são metalurgia, que eliminou 9 mil vagas em abril, e mecânica, com 5,6 mil menos vagas no mês passado.

AJUSTE SE ESGOTOU

No entanto, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, acredita que, na questão do emprego, o ajuste da indústria já se esgotou.

"O epicentro da crise foi a indústria e, dentro desse quadro de que o setor foi o maior promotor da redução de postos de trabalho desde outubro, o fato de ter estabilizado em abril pode ser tido como uma boa notícia", disse Francini.

Ele argumentou que, por uma lei da física, não há como subir antes de parar de cair. "Parar de cair, para quem quer subir, é uma boa notícia", reforçou. "Espero que a evolução da economia brasileira nos leve a ter um segundo semestre já com um certo grau de criação de postos de trabalho na indústria", afirmou o executivo.

O diretor da Fiesp fez questão de ressaltar que nos últimos dois anos o mês de fevereiro teve abertura de cerca de 300 mil postos de trabalho, dos quais cerca de uma terça parte foi criada pela indústria. Em abril deste ano, segundo ele, a indústria praticamente não contribuiu para a abertura de vagas, enquanto a quantidade de vagas criadas por outros setores caiu à metade.

"Como estamos num processo de crise, e o mês de abril vem depois de um trimestre que foi muito ruim para o emprego, eu considero que o resultado do mês passado representa uma melhora", disse Francini.

Na sua avaliação, os dados de abril mostram que a crise diminuiu de intensidade, "o que é a parte boa". A parte ruim, segundo ele, está no fato de que "vamos continuar perdendo comparativamente com o ano passado, mas naquele período não tinha crise".

Desde outubro,quando a crise se acentuou no mercado brasileiro, o País perdeu cerca de 600 mil postos de trabalho. "A indústria, que representa 20% dos empregos do Caged, é responsável por cerca de 70% dos empregos perdidos."