Apartir de 01/11/2026, as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) optantes do Simples Nacional devem emitir a NFS-e exclusivamente pelo Emissor Nacional (Web ou API)
Área do Cliente
Notícia
CARF afasta incidência de PIS/Cofins sobre venda de participações societárias mantidas por holding
O CARF decidiu afastar a incidência de PIS e Cofins sobre ganhos na venda de participações societárias mantidas, desde que comprovada a intenção de permanência dos ativos no patrimônio da empresa
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) decidiu, de forma unânime, pela manutenção do reconhecimento da não incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes da alienação de participações societárias mantidas em caráter permanente por uma holding. O julgamento, realizado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção, negou provimento ao recurso de ofício da Fazenda Nacional no processo 10980.729808/2020-91. O colegiado acompanhou o entendimento da relatora, estabelecendo que o ganho de capital obtido na venda de ativos classificados como investimentos no Ativo Não Circulante não deve integrar a base de cálculo das referidas contribuições sociais, desde que comprovada a intenção de permanência do ativo no patrimônio da entidade.
A controvérsia jurídica central residia na classificação contábil e na natureza jurídica das ações alienadas pelo contribuinte no ano de 2016. A fiscalização da Receita Federal do Brasil havia lavrado autos de infração que totalizavam aproximadamente 20,8 milhões de reais, sob o argumento de que a venda de ações de uma empresa estrangeira deveria ser tributada pelo regime não cumulativo do PIS e da Cofins. Para a autoridade fiscal, o investimento possuía natureza temporária e especulativa, o que exigiria sua classificação no Ativo Realizável a Longo Prazo. Segundo essa tese, apenas a receita proveniente da venda de bens do Ativo Não Circulante classificados como investimento, imobilizado ou intangível estaria amparada pela exclusão prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Ao analisar o mérito, o colegiado fundamentou sua decisão nas disposições da Lei 6.404/1976, conhecida como a Lei das Sociedades por Ações, que define os critérios para a classificação de ativos. A fiscalização havia utilizado o Parecer de Orientação CVM 17/1989 para distinguir participações permanentes de temporárias, sustentando que as aplicações feitas com objetivo de obter rendimentos pela valorização e negociação em bolsa seriam inerentes ao ativo circulante. Contudo, o acórdão ressaltou que o contribuinte demonstrou que as ações foram adquiridas no ano de 2008 e mantidas por um período de oito anos, sendo alienadas apenas em 2016 para viabilizar a recompra de quotas da própria sociedade junto a um sócio retirante.
A fundamentação jurídica vencedora também se baseou no Parecer Normativo CST 108/1978, que estabelece uma presunção de permanência para ativos que não sejam alienados até a data do balanço do período-base seguinte ao da aquisição. O texto normativo esclarece que a intenção de permanência é manifestada no momento da aquisição mediante a inclusão no subgrupo de investimentos. De acordo com o julgamento, a manutenção do ativo por quase uma década afasta a natureza especulativa de curto prazo, consolidando a classificação como investimento permanente. A decisão citou que, mesmo quando a empresa busca auferir dividendos e valorização, tal fato não descaracteriza o caráter permanente do investimento se este for realizado com ânimo de manutenção prolongada.
Outro ponto técnico relevante para o desfecho do julgamento foi a comprovação de que o contribuinte utilizou financiamentos bancários de longo prazo para a aquisição das participações societárias originais. O colegiado entendeu que a contratação de empréstimos para a compra de ativos é um indicativo de investimento estratégico e operacional, diferenciando-se das operações de tesouraria ou aplicações de excedentes de caixa, que são tipicamente temporárias. O acórdão destacou que a empresa investida atuava no mesmo ramo de atividade de uma das controladas da holding, o que reforça a natureza de investimento em participações societárias destinadas à manutenção da atividade econômica da investidora.
Os conselheiros Rafael Luiz Bueno da Cunha e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe apresentaram fundamentos complementares ao voto da relatora. O primeiro apontou um vício de fundamento no auto de infração pela ausência de análise técnica sobre a natureza operacional ou não operacional da receita derivada da alienação. O segundo destacou que a fiscalização não logrou êxito em comprovar de forma inequívoca que o investimento possuía caráter temporário, ônus que competia ao órgão autuante diante das provas documentais apresentadas pela defesa, como atas de conselho de administração e registros contábeis auditados de forma independente entre os anos de 2008 e 2016.
A decisão reforçou a jurisprudência do CARF, citando o Acórdão 3402-010.025, no sentido de que as participações societárias adquiridas para execução do objeto social e mantidas no ativo não circulante por tempo superior ao exercício subsequente revelam natureza permanente. Dessa forma, as receitas auferidas em sua alienação enquadram-se na hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições sociais para o PIS e para a Cofins, conforme previsto no inciso II do parágrafo 3º do artigo 1º da Lei 10.833/2003 e no inciso II do parágrafo 3º do artigo 1º da Lei 10.637/2002.
Referência: Acórdão CARF nº 3202-004.505
Data da publicação da decisão: 09/10/2026
Notícias Técnicas
O Comitê Gestor na Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (CGNFS-e) divulga aos municípios, contribuintes emissores e desenvolvedores de sistemas orientações sobre o leiaute em vigor no ambiente oficial, as regras de validação para os novos tributos
O Confaz publicou três novos convênios ICMS, aprovados durante a 433ª Reunião Extraordinária, realizada em 27 de outubro de 2026
A Receita Federal prorrogou para 30 de dezembro de 2026 o prazo de adesão às modalidades de transação tributária previstas nos Editais RFB nº 9 e nº 10, ambos de 13 de julho de 2026
A Solução de Consulta COSIT nº 208/2026 reconheceu a possibilidade de dedução, no lucro real, de despesas com royalties pelo uso de marcas pagos a empresas que possuem sócios pessoas físicas em comum, desde que não integrem o quadro societário da pagadora
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS aprovaram novas especificações técnicas para documentos fiscais eletrônicos, incluindo NF-e, NFC-e, CT-e e outros modelos. As atualizações adequam leiautes e regras de emissão à implementação do IBS e da CBS
A IN RFB nº 2.346/2026 regulamenta a autorregularização de débitos tributários para empresas com Selos Confia e Sintonia, permitindo quitar valores sem multa de mora, à vista, em até 60 parcelas ou por compensação
A Resolução Gecex nº 976/2026 atualiza as alíquotas do Imposto de Importação para produtos classificados nas NCMs 7005.29.00, 7610.90.00 e 7615.10.00, com percentuais de até 35%
Programa está disponível no site da Receita Federal; comunicado foi atualizado em 28 de outubro, mas mantém data original de publicação em julho
Normas alteram regras que definem o valor do imposto cobrado por unidade de combustível e estabelecem novos parâmetros para 2027
Notícias Empresariais
A contabilidade gerencial transforma dados financeiros e operacionais em informações estratégicas para a tomada de decisões. O desafio está em garantir que os indicadores de desempenho reflitam as reais necessidades e prioridades do negócio
Tecnologia e inteligência artificial dependem de fluxos claros, dados confiáveis e responsabilidades bem definidas para gerar resultados
Entenda as diferenças entre reembolso e cartão corporativo, os impactos para funcionários e gestores e o que avaliar antes de escolher
Mais de 90% da capitalização global está representada por empresas que divulgam dados de sustentabilidade, segundo a OCDE
Recurso de até R$ 5 mil busca alavancar os negócios dos microempreendedores individuais
Página de perguntas e respostas da PGFN, atualizada em 28 de outubro, informa que regulamentação será editada pelos dois órgãos; benefício está previsto para janeiro de 2027
Recursos equivalem a 1% dos valores garantidos pelo Fundo de Garantia de Operações; cerca de R$ 5 milhões devem financiar iniciativa para apoiar organizações do setor
O crescimento das plataformas digitais modificou a maneira como as pessoas descobrem, avaliam e escolhem empresas
Black Friday, feriados nacionais e datas de conscientização estão entre os eventos que podem orientar as estratégias comerciais e o planejamento dos pequenos negócios no mês
Para ministro, medida pode elevar arrecadação em até R$ 4 bilhões
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade