Os empregadores que realizaram pedidos de estorno devem acompanhar o andamento de sua solicitação e, no caso de pedidos já deferidos, poderão solicitar restituição para sua conta bancária
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Quando o jogo deixa de ser entretenimento e se torna um risco para o trabalho
Sua empresa está preparada para lidar com um problema que pode afetar produtividade, saúde mental, endividamento e até riscos de fraude, mas que ainda quase ninguém discute?
Sua empresa está preparada para lidar com um problema que pode afetar produtividade, saúde mental, endividamento e até riscos de fraude, mas que ainda quase ninguém discute? Durante muito tempo, o transtorno do jogo foi visto como um problema restrito aos cassinos ou a um pequeno grupo de pessoas.
Essa realidade mudou.
A explosão das apostas esportivas online colocou o jogo no bolso de milhões de brasileiros. Hoje, basta um celular para apostar a qualquer hora e em qualquer lugar — inclusive durante a jornada de trabalho.
Para as empresas, essa não é apenas uma discussão sobre comportamento individual. É um tema de saúde, segurança e gestão de pessoas.
Assim como aconteceu com o álcool, o tabagismo e, mais recentemente, com a saúde mental, o transtorno do jogo começa a ser reconhecido internacionalmente como um risco psicossocial que pode afetar trabalhadores e organizações.
Nem sempre os sinais aparecem de forma evidente. Muitas vezes, o primeiro impacto é silencioso: dificuldade de concentração, queda de produtividade, distração constante, ansiedade, alterações de humor ou problemas financeiros que acabam repercutindo no ambiente de trabalho. Em situações mais graves, podem surgir absenteísmo, presenteísmo, conflitos entre colegas e até problemas relacionados à integridade, especialmente quando há pressão financeira intensa.
Isso não significa que a empresa deva vigiar ou controlar a vida privada de seus colaboradores. Pelo contrário. O papel do empregador é criar um ambiente em que as pessoas possam buscar ajuda antes que o problema se torne uma crise.
O jogo não pode ser subestimado
É exatamente a lógica do parágrafo acima que já utilizamos para outros riscos psicossociais. Investimos em prevenção, falamos sobre saúde mental, treinamos lideranças para reconhecer sinais de sofrimento e oferecemos canais de apoio. O transtorno do jogo precisa entrar nessa mesma agenda.
Os profissionais de Recursos Humanos têm um papel decisivo nesse processo. Eles podem incluir o tema nas ações de educação em saúde financeira e saúde mental, capacitar gestores para reconhecer mudanças importantes de comportamento, fortalecer os Programas de Assistência ao Empregado (EAP), integrar o tema às iniciativas de bem-estar e estabelecer fluxos claros para acolhimento e encaminhamento, sempre respeitando a confidencialidade e evitando qualquer forma de estigmatização.
Outro ator fundamental é o empregador como contratante de planos de saúde. Ao negociar programas de promoção da saúde, atenção primária e cuidado em saúde mental, as empresas podem estimular as operadoras a incorporar linhas de cuidado para dependências comportamentais, ampliando o acesso dos trabalhadores ao tratamento adequado.
A experiência mostra que organizações mais saudáveis não são aquelas que ignoram problemas difíceis, mas aquelas que conseguem reconhecê-los precocemente e oferecer apoio antes que produzam consequências maiores para as pessoas e para o negócio.
As apostas digitais dificilmente deixarão de fazer parte do cotidiano. O desafio das empresas não é proibi-las, mas compreender seus impactos e construir respostas responsáveis, baseadas em informação, prevenção e cuidado.
Assim como aprendemos a lidar com outros desafios da saúde no trabalho, será preciso desenvolver uma cultura organizacional capaz de reconhecer que o transtorno do jogo não é apenas uma questão individual. É um tema que envolve saúde mental, produtividade, sustentabilidade das organizações e, acima de tudo, cuidado com as pessoas.
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