Muito se discute sobre alíquotas, regimes, não cumulatividade e transição. Mas um ponto ainda recebe pouca atenção: Como a reforma tributária impactará as perícias contábeis e tributárias?
Área do Cliente
Notícia
Adriano Marrocos, do CFC, pede adiamento da reforma tributária: há muita indefinição
O representante do Conselho Federal de Contabilidade cita a falta de softwares de simulação para ajudar o empresário a optar entre o regime híbrido e o simplificado e também a inexistência da alíquota cheia da CBS
O Coordenador Adjunto da vice-presidência da Câmara de Administração no Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos, defendeu nesta sexta-feira, 26/06, a prorrogação para 2028 do início de implementação da reforma tributária sobre o consumo.
Para o contador, um dos principais motivos que justificam o adiamento é a falta de preparo das empresas do Simples às novas regras e ao cumprimento do prazo, em setembro, para escolher entre permanecer no regime simplificado ou migrar para o modelo híbrido, em que a CBS e o IBS são recolhidos de forma separada da cesta de tributos do Simples.
“O prazo atual é curto demais para que elas possam investir em tecnologia, contratar assessoria especializada e realizar todo o trabalho de revisão, simulação e planejamento. Tomar decisões estratégicas às pressas trará impactos financeiros graves e imprevisíveis no futuro”, disse o contador, durante reunião realizada pelo Conselho Tributário e Serviços (CTS), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), sob a coordenação da tributarista Mírian Lavocat.
De acordo com o representante do CFC, ainda não existem softwares de simulação disponíveis no mercado para os pequenos empresários que terão que fazer a opção entre 1º e 30 de setembro, a menos que usem módulos específicos das empresas de contabilidade. “Isso gera um custo extra, pois os fornecedores cobram para liberar esses módulos aos clientes”, explica.
Indefinições
Ao curto prazo para adaptação das empresas do Simples, somam-se outros obstáculos para um início mais tranquilo da cobrança da CBS e do IBS já em 2027. Ainda não se sabe, por exemplo, qual será a alíquota cheia da CBS, de competência da União. Nas simulações realizadas, o mercado trabalha com uma alíquota projetada de 9,3%. A definição deveria ter sido anunciada em março, mas há previsões de que seja conhecida apenas em dezembro.
“Todas as empresas, de alguma forma, precisam se adaptar à reforma. O cronograma do governo deveria estar pronto pelo menos seis meses antes do prazo das empresas para que elas possam se preparar”, defende. De acordo com o contador, O Ministério da Fazenda, o Serpro e o Comitê Gestor do IBS (CG-IBS) estão extremamente atrasados devido a questões políticas, como nomeações, instalação e início dos trabalhos.
“Muitos softwares que deveriam ter sido liberados ainda estão em testes. Isso vai ficar pronto aos 45 do segundo tempo e a gente vai ter que começar o jogo no minuto seguinte”, concluiu.
Desafios
A implementação da reforma tributária trará transformações profundas para as empresas do Simples Nacional. Longe de ser apenas uma alteração de alíquotas, a nova lógica tributária exigirá decisões estratégicas que afetam diretamente a competitividade comercial dos pequenos negócios.
Durante a sua apresentação, Adriano Marrocos chamou a atenção para os desafios a serem enfrentados, sobretudo pelas empresas que estão no meio da cadeia produtiva (modelo B2B). Para estas, talvez a melhor opção seja migrar para o modelo híbrido, até por uma questão de sobrevivência.
“Grandes empresas já estão exigindo que seus fornecedores do Simples recolham CBS e IBS pelo regime normal para que possam transferir créditos tributários. O empresário que não fizer essa migração, corre o risco de ser trocado por concorrentes que ofereçam créditos”, explicou.
A opção pelo regime híbrido, entretanto, exigirá o mesmo nível de controle de despesas e cálculo de créditos adotado pelas empresas que apuram seus impostos pelo regime do lucro real, alertou o especialista.
Já para as empresas que vendem produtos ou prestam serviços para o consumidor final, a melhor opção tende a ser permanecer no regime simplificado. Mas é preciso fazer contas e simulações de cenários para encontrar o melhor caminho tributário. “Para um pequeno mercado de bairro que comercializa hortifrutigranjeiros ou produtos da cesta básica, que terão isenção ou redução de alíquota, talvez a melhor opção seja o modelo híbrido”, ponderou.
O consultor tributário da ACSP, José Clovis Cabrera, alertou, no entanto, que as empresas do Simples não vão se beneficiar, nas vendas, das reduções ou isenção de alíquotas da mesmo forma que as empresas do regime normal. Na prática, significa que o resultado das vendas desses produtos ou serviços que receberam o benefício fiscal será tributado de acordo com as tabelas do Simples.
"Durante a discussão da reforma tributária no Congresso, por meio de emendas parlamentares, a ACSP lutou para estender às optantes do Simples o mesmo tratamento dado às empresas do regime regular, que poderão excluir essas receitas da tributação. Mas esse assunto foi retirado da mesa e isso vai trazer uma ambiguidade enorme", lembrou.
Como se preparar para a reforma
Carteira de clientes - Identificar quais clientes devem exigir fornecedores com créditos integrais de IBS e CBS (indústrias, atacadistas, grandes redes, optantes do Lucro Real e Lucro Presumido).
Diagnóstico de Crédito Tributário - Revisar PIS, COFINS, ICMS e ISS antes da transição. Muitas empresas financiarão a adaptação com recursos decorrentes da recuperação de tributos pagos indevidamente.
ERP e Sistemas fiscais - Verificar se o sistema está preparado para a cobrança do IBS e da CBS. A exigência de apresentar valores nas NF-e já existe desde março de 2026.
Carteira de Fornecedores - Mapear quem gera e quem não gera crédito de IBS e CBS, avaliando substituições e impacto no preço de compra sob a lógica da não cumulatividade ampla.
Cadastro de Produtos e Serviços - Validar cadastros de NCM, CNAE, classificação de serviços e enquadramento das operações. Erros de classificação podem gerar problemas futuros na apuração do IBS e da CBS.
Notícias Técnicas
Decisões levam em conta modulação dos efeitos do Tema 985 do STF, que declarou a contribuição legítima
Atualização deverá ser feita entre 3 e 31 de agosto, no Portal Emprega Brasil
Contribuintes deverão utilizar os canais digitais para obter cópia da declaração e recibo de entrega da DIRPF
Resolução do CGIBS utiliza percentual para estimar receitas do novo imposto, mas alíquota definitiva do IBS ainda será definida ao longo da transição da reforma tributária
Foi publicado, na sexta-feira (31 de julho), o Ato Técnico Conjunto CGIBS/RFB Nº 1, que estendeu a flexibilização de rejeições para quando os novos campos IBS e CBS não são preenchidos nos documentos fiscais eletrônicos
Estudos apontam que 95% das empresas brasileiras pagam tributos incorretamente. Recuperar esses créditos é legal, administrativo e pode gerar fluxo de caixa imediato
Empresas certificadas terão atendimento prioritário da Receita Federal, possibilidade de autorregularização e apoio durante a implantação da CBS e do IBS
Rejeição de NF-e e NFC-e suspensa, mas adaptação aos campos IBS e CBS continua
Receita Federal libera agenda tributária de agosto de 2026 com principais obrigações e vencimentos
Notícias Empresariais
Embora a flexibilidade seja valorizada, profissionais também precisam definir princípios e limites inegociáveis para orientar decisões e preservar sua integridade
Promover profissionais sem preparo para liderar pode comprometer o desempenho, aumentar o desengajamento e resultar na perda de talentos
Modelo de carreira em Y cria caminhos de evolução para especialistas que desejam crescer, ampliar remuneração e assumir maior influência sem necessariamente liderar equipes
Caso não cumpra com as regras, o empreendedor pode ser desenquadrado da categoria
Diferença entre regime de competência e fluxo financeiro explica falta de liquidez
Ferramentas podem ser acessadas a partir de hoje
Em comum, pesquisas recentes indicam que o problema deixou de ser a falta de estratégia e passou a ser a dificuldade de transformar decisões em entendimento e ação dentro das organizações
Estratégias de diversidade e inclusão passam por reavaliação global, mas seguem indispensáveis para o mercado e a nova geração de trabalhadores
O maior problema das empresas não é a falta de informação: é a quantidade de decisões tomadas sem método
Com o fim de julho, empresas ganham uma nova oportunidade para acelerar campanhas, reativar clientes e transformar o segundo semestre em uma temporada de crescimento
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade