A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Notícia
Se você não quiser pagar mais caro em insumos, vai precisar entender os créditos da reforma tributária
Entenda como a escolha de fornecedores impacta crédito, custo e fluxo de caixa com a reforma tributária
Buscar e fortalecer laços com bons fornecedores é um dos pilares que mantêm uma empresa funcionando. A qualidade do produto ou serviço entregue, o cumprimento de prazos e, naturalmente, o preço cobrado são fatores essenciais para que você consiga executar sua operação com eficiência e posicionar seu negócio de forma competitiva no mercado.
Por isso, preço, prazo, qualidade, capacidade de entrega e histórico de relacionamento costumam ser os principais critérios avaliados em um acordo comercial de fornecimento. Trata-se de uma decisão de gestão e financeira, na qual a contabilidade, até então, tinha participação limitada, atuando principalmente na coleta e no registro das informações necessárias para as obrigações fiscais da empresa.
A reforma tributária mira exatamente nessa relação de compra e venda entre empresas como forma de aumentar o nível de conformidade do sistema. Ao estruturar a não cumulatividade do IBS e da CBS a partir do repasse de crédito ao longo da cadeia produtiva, o modelo cria um incentivo econômico para que as empresas passem a selecionar melhor seus fornecedores.
O efeito é econômico: na prática, o comprador passa a depender das boas práticas fiscais do fornecedor para não assumir custos tributários indevidos. Empresas que operam com irregularidade deixam de representar apenas um risco e passam a gerar perda financeira direta para quem contrata. Ao mesmo tempo, esse mecanismo aproxima o preço das empresas regulares daqueles praticados por empresas que operavam com vantagem indevida. Mesmo as que tentarem reduzir preços para continuar competindo na irregularidade precisarão sacrificar margem, o que reduz o incentivo econômico à sonegação.
Como muitas empresas que operam com irregularidade não vão perceber essa mudança de forma imediata ou vão postergar ao máximo a regularização, ajustando o comportamento apenas quando não conseguirem mais sustentar a operação. Muitas empresas que operam com irregularidade não vão perceber essa mudança de forma imediata ou vão postergar ao máximo a regularização, ajustando o comportamento apenas quando não conseguirem mais sustentar a operação.
O ajuste tende a ocorrer de forma gradual. Por isso, passa a ser responsabilidade do cliente entender como essa lógica altera o papel do fornecedor dentro do resultado financeiro. Somente a partir dessa leitura que será possível selecionar os parceiros certos para sustentar a operação daqui para frente.
Entendendo como funcionam os créditos da Reforma Tributária
Para entender por que o fornecedor passa a impactar diretamente o seu resultado, é necessário olhar para o papel dos créditos tributários dentro do novo modelo.
A lógica da reforma parte de um princípio diferente do sistema atual. O imposto deixa de incidir apenas sobre o faturamento bruto e passa a considerar o valor que cada empresa adiciona ao longo da cadeia. Esse resultado é construído por meio de um mecanismo de compensação entre o imposto pago na compra e o imposto devido na venda.
Na prática, quando você contrata um fornecedor ou adquire um produto, existe um valor de imposto embutido nessa operação. Esse valor pode ser utilizado para reduzir o imposto que será pago na etapa seguinte. Esse abatimento é o que se chama de crédito tributário e, dentro do modelo da reforma, ele passa a ser parte direta da formação do custo efetivo da operação, porque determina quanto imposto, de fato, será pago sobre a venda.
A forma como esse crédito funciona varia de acordo com o tipo de operação. Em relações entre empresas, o crédito circula ao longo da cadeia, sendo aproveitado por quem compra e repassado na etapa seguinte. Já na venda para o consumidor final, esse fluxo se encerra, porque o cliente não utiliza crédito. Ainda assim, isso não altera o direito de quem vende: a empresa continua utilizando o crédito gerado nas suas compras para reduzir o imposto devido na venda, mesmo quando o cliente final não participa desse mecanismo.
Quando esse crédito não é reconhecido dentro da lógica do novo modelo, o efeito esperado é direto no custo, porque a empresa passa a pagar mais imposto do que pagaria em uma operação corretamente estruturada.
Sinais de alerta de fornecedores que você precisa observar
Se o crédito tributário passa a depender da qualidade da operação, a escolha do fornecedor deixa de ser apenas comercial e passa a exigir uma leitura mais atenta de sinais que antes eram ignorados.
Alguns comportamentos que eram tratados como desorganização ou até flexibilidade na negociação passam a indicar risco direto dentro do novo modelo.
Um dos sinais mais evidentes é a ausência de nota fiscal. Fornecedores que não emitem nota ou que tratam isso como opcional deixam a operação fora do sistema, o que impede qualquer possibilidade de aproveitamento de crédito. Nesse caso, o risco fiscal para quem compra é alto e agora vem associado a um custo para quem contrata, já que a empresa compradora passa a assumir integralmente a carga tributária da operação.
Outro ponto comum é a diferença de preço com e sem nota. Quando o fornecedor apresenta duas condições para a mesma operação, ele está sinalizando que parte da competitividade vem da informalidade. Dentro da lógica da reforma, esse tipo de vantagem tende a perder espaço, porque o ganho imediato no preço pode ser anulado pela perda de crédito ou pela dificuldade de sustentar essa operação dentro de um modelo mais integrado.
A demora na emissão da nota fiscal também passa a ser um sinal relevante. Em um ambiente mais conectado e automatizado, o tempo entre a execução e o registro da operação deixa de ser apenas um detalhe operacional. Atrasos recorrentes indicam falta de controle e aumentam a probabilidade de inconsistências, o que pode comprometer o reconhecimento do crédito.
Há ainda fornecedores que, à primeira vista, não apresentam problemas evidentes. Entregam bem, cumprem prazos e mantêm uma operação aparentemente regular, mas são desorganizados internamente. Nesse cenário, erros na emissão de notas, preenchimento incorreto de informações ou falhas pontuais podem comprometer o aproveitamento do crédito, mesmo quando a operação é legítima.
Por isso, o histórico passa a ter um peso maior na decisão. Não se trata apenas de avaliar preço ou qualidade de entrega, mas de entender o comportamento recorrente do fornecedor ao longo do tempo. A consistência na forma como ele documenta, registra e cumpre suas obrigações passa a ser um critério relevante na escolha de parceiros de negócio.
Como estruturar sua base de fornecedores dentro do novo cenário
O primeiro passo é entender que o processo de contratação precisa ser ajustado. Durante a negociação, passa a ser necessário avaliar como o fornecedor opera na prática, validando a emissão de notas, a consistência das informações e o histórico de comportamento fiscal ao longo do tempo. Essa análise envolve perguntas objetivas, checagem de pendências no CNPJ e, nos casos de relações mais duradouras, a inclusão de cláusulas contratuais que garantam o cumprimento das obrigações necessárias para o correto repasse de crédito.
Esse esforço, no entanto, não precisa ser aplicado com o mesmo nível de rigor para toda a base. A organização dos fornecedores deve considerar o impacto financeiro dentro da operação. Fornecedores com maior peso no custo, alta recorrência ou inseridos em segmentos com carga tributária mais elevada e maior potencial de geração de crédito exigem uma análise mais profunda. Já fornecedores de menor impacto podem ser acompanhados com um nível proporcionalmente menor de validação. Essa diferenciação define a prioridade de gestão, revisão e negociação, principalmente nesse momento inicial de adaptação.
A estrutura de custos também passa a ser influenciada por um movimento mais amplo de mudança de preços. Com a nova lógica em que os tributos são calculados por fora e com a introdução das alíquotas de IBS e CBS ao longo do período de transição até 2033, a tendência é observar diferentes estratégias de reprecificação no mercado. Algumas empresas devem ajustar seus preços de forma gradual, enquanto outras podem antecipar aumentos para se alinhar ao cenário final da reforma.
Como o efeito do crédito varia entre cadeias, o impacto no custo não será uniforme. Isso exige uma leitura mais precisa para entender como essas mudanças vão se refletir na margem e no fluxo de caixa ao longo do tempo.
Esse contexto também exige revisão da base atual de fornecedores. A adaptação passa por pesquisa de mercado, avaliação de novos parceiros e, mesmo quando há manutenção dos fornecedores atuais, renegociação de contratos para adequar preço, estrutura e forma de operação. Esse processo demanda esforço do empresário e da área financeira, o que torna o planejamento um fator central para definir por onde começar e como priorizar ações para reduzir risco e evitar perda de resultado.
Por que a contabilidade consultiva passa a ser necessária nesse cenário
A reforma tributária traz o impacto dos impostos para dentro da operação. Decisões sobre fornecedores, preços e fluxo financeiro passam a carregar consequência direta no resultado, o que exige leitura mais próxima do negócio e acompanhamento ao longo do tempo.
Esse contexto aproxima gestão e contabilidade. A empresa precisa entender como as mudanças afetam sua estrutura, discutir cenários, ajustar decisões e organizar a operação com base em critérios claros. Esse tipo de interação envolve reuniões mais frequentes, análise do funcionamento real do negócio e orientação prática sobre como conduzir movimentações financeiras e fiscais com consistência.
Esse movimento já está consolidado em economias com sistemas tributários mais maduros. Nos Estados Unidos, a contabilidade costuma atuar de forma próxima à gestão, participando de decisões relacionadas a preço, estrutura de custos e planejamento financeiro. Na Alemanha, onde o modelo de IVA está estabelecido há décadas, a atuação também acompanha a operação, com foco em organização da cadeia, conformidade e suporte à tomada de decisão.
Essa evolução tende a se refletir no Brasil à medida que o novo modelo avança. A forma de avaliar o serviço contábil passa a considerar a capacidade de apoiar decisões relevantes para o negócio, com base em análise, projeção e entendimento da operação.
Quando falamos de Reforma Tributária, a atuação consultiva se organiza em três frentes que acompanham a adaptação da empresa ao novo cenário.
O diagnóstico parte dos dados reais da empresa, utilizando as notas fiscais de compra e venda de um período definido. Esse período pode ser anual em empresas com sazonalidade, semestral ou menor quando não há histórico organizado. A partir dessa base, é feita uma simulação da operação dentro da lógica da reforma para entender como a estrutura atual se comporta com IBS e CBS. Em muitos casos, esse trabalho inclui a própria auditoria e organização das notas, justamente para viabilizar a análise quando a empresa não possui esse controle estruturado.
O planejamento utiliza esse diagnóstico para definir o que a empresa precisa fazer para proteger margem, caixa e formação de preço ao longo da transição. Isso envolve entender como a carga tributária vai evoluir ano a ano, qual o impacto esperado no resultado e quais ajustes precisam ser feitos na operação para chegar ao cenário final sem comprometer desempenho no meio do caminho.
O acompanhamento mantém esse planejamento atualizado conforme a reforma avança. Como regras ainda estão sendo definidas e a implementação será gradual, as decisões precisam ser revisadas com frequência. Esse acompanhamento também dá suporte à empresa na adaptação prática quando mecanismos como crédito, IBS, CBS e split payment começarem a impactar a operação de forma efetiva.
Diante desse cenário, toda empresa precisa trazer essa discussão para dentro da sua rotina e tratar a reforma como um tema de gestão. Isso passa, necessariamente, por envolver a contabilidade nesse processo, não apenas para cumprimento de obrigações, mas como apoio na leitura do impacto, na organização das decisões e na construção de um caminho seguro ao longo da transição.
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