Antes de corrigir a declaração, contribuinte deve consultar as pendências, conferir os comprovantes e identificar o tipo de comunicação recebida da Receita
Área do Cliente
Notícia
Reforma tributária e operações de M&A: navegando em águas turbulentas
A esta altura do ano, já está claro para todos que a reforma tributária não é apenas uma mudança legislativa, mas, sim, uma revolução silenciosa que irá mudar paradigmas para muitos setores.
A esta altura do ano, já está claro para todos que a reforma tributária não é apenas uma mudança legislativa, mas, sim, uma revolução silenciosa que irá mudar paradigmas para muitos setores. Já temos hoje um sem número de publicações, análises e também críticas ao novo regime sobre todo e qualquer dispositivo normativo da Lei Complementar 214/25. No entanto, sinto que pouco temos falado sobre impactos para alguns setores que estão prestes a serem atingidos por uma locomotiva, como é o caso do setor de fusões e aquisições (“M&A”).
Minha experiência em Tax M&A ao longo dos anos me mostrou que a tributação sempre foi um fator historicamente central na estruturação de operações de M&A, motivando a criação de estruturas societárias complexas que visam, legitimamente, otimizar a carga fiscal da transação e do investimento subsequente.
Considerando a transição iminente da reforma, precisamos nos questionar sobre como as operações de M&A serão impactadas pelo novo regime tributário, dado que estamos diante de uma mudança total de paradigma. A resposta (para variar) não é simples: é multifacetada e envolve uma série de aspectos próprios de cada setor. Após me deparar com alguns pontos sensíveis, deixo aqui meus dois reais de contribuição.
Devolução de Capital e Dividendos in natura
Um ponto emblemático a ser considerado é a potencial incidência de IBS e CBS sobre operações que, tradicionalmente, não eram tributadas no âmbito dos tributos sobre ‘consumo’. O Art. 5º da LC 214/2025 é claro ao listar como hipótese de incidência do IBS e CBS a “transmissão, pelo contribuinte, para sócio ou acionista que não seja contribuinte no regime regular, por devolução de capital, dividendos in natura ou de outra forma, de bens cuja aquisição tenham permitido a apropriação de créditos pelo contribuinte, inclusive na produção”.
Isso representa uma verdadeira mudança, pois operações como devolução de capital e distribuição de dividendos in natura são hoje, na maioria dos casos, realizadas de forma neutra para fins de PIS, COFINS e ICMS. Com a nova regra, se uma empresa distribui bens (e não dinheiro) a seus sócios ou acionistas que não sejam contribuintes no regime regular e a aquisição desses bens tenha permitido à empresa a apropriação de créditos de IBS e CBS, haverá incidência dos novos tributos sobre essa transmissão.
Essa nova tributação impacta diretamente as reestruturações societárias preparatórias para o M&A, como o carve-out de ativos. A viabilidade de tais movimentos dependerá de uma análise rigorosa dos ativos a serem transferidos e do regime tributário dos sócios/acionistas receptores, adicionando complexidade e custo a transações antes fiscalmente neutras.
O Novo Paradigma do Valuation: Quando os múltiplos tradicionais perdem sentido
O novo regime tributário exige uma reavaliação dos métodos de valuation das sociedades, quando passando por um processo de M&A. A análise não pode mais se limitar ao desempenho histórico de transações precedentes, devendo incorporar a capacidade da empresa-alvo de se adaptar à nova matriz fiscal. A existência de benefícios fiscais a serem extintos, por exemplo, torna-se um fator de risco, enquanto a operação sem tais incentivos pode representar uma vantagem comparativa.
Setores como o industrial e de revenda de mercadorias tendem-se a se beneficiar por uma maior eficiência pela não-cumulatividade plena dos novos tributos, com consequente redução da carga tributária, ao passo que para algumas empresas prestadoras de serviços pode haver um aumento na carga tributária. Essa diferenciação precisa ser refletida nas expectativas de múltiplos de valuation, sob pena dos investidores não conseguirem o retorno esperado ou mesmo impactarem o earn-out dos vendedores.
O período de transição que vai até o final de 2032 gera um desafio particular que não deve ser menosprezado. As empresas precisarão conviver com dois sistemas tributários bastante diferentes entre si, gerando custos de conformidades (compliance costs) e incertezas. Basta dizer que enquanto os tributos atuais, leia-se ICMS e ISS, são baseados de forma ampla na origem, o IBS considera o destino para fins de identificação das regras tributárias aplicáveis. Essa dualidade sistêmica torna a aplicação de múltiplos tradicionais deficitária, exigindo uma abordagem mais sofisticada de modelagem financeira.
Setores específicos
A due diligence tributária deverá se aprofundar nos regimes específicos previstos na reforma. A extinção do RET para incorporadoras, a oneração pelo Imposto Seletivo em certos setores, e as regras particulares para serviços financeiros, hotelaria e turismo são exemplos de fatores que afetam diretamente a rentabilidade e as margens. A interação desses regimes exige uma análise especializada para aferir o real impacto no valor e na viabilidade da transação e pode resultar em cenários complexos que impactarão significativamente a viabilidade da operação de M&A.
Due Diligence Tributária: Muito além dos passivos tradicionais
Durante a transição, as empresas precisarão manter dois sistemas de apuração tributária simultâneos, o que aumenta os custos administrativos e gera um terreno próprio para inconsistências e erros. A due diligence deve, portanto, avaliar a capacidade da empresa de gerenciar essa dualidade sistêmica e os riscos associados a possíveis falhas de conformidade durante a transição. Não ficarei espantado se um valor de contingências aumentar substancialmente pelo desafio de adaptação de boa parte das empresas durante os primeiros anos.
Contratos com fornecedores
A análise de contratos e parceiros comerciais torna-se igualmente crítica. Contratos de longo prazo que não prevejam mecanismos de ajuste para mudanças tributárias podem se tornar uma pedra no sapato. É essencial avaliar se os contratos vigentes podem ser renegociados ou adaptados para contemplar a nova sistemática, e quais os riscos associados a essa transição, que, de novo, pode impactar rentabilidade e, portanto, retornos.
Cláusulas Contratuais: Adaptando Instrumentos Jurídicos à Nova Realidade
Os instrumentos jurídicos do M&A devem ser adaptados à nova realidade. Cláusulas contratuais antes padronizadas (“boilerplate clauses”) podem se mostrar insuficientes para alocar os riscos e oportunidades decorrentes da reforma, exigindo a criação de novas salvaguardas, para capturar riscos e oportunidades que simplesmente não existiam no regime anterior.
Os mecanismos de ajustes de preço representam uma das áreas mais críticas para adaptação contratual. Com a reforma, tornam-se fundamentais para proteger compradores e vendedores. A complexidade surge da imprevisibilidade dos impactos: uma empresa pode se beneficiar da eliminação do regime atual, mas ser prejudicada pela perda de incentivos fiscais; outra pode enfrentar custos adicionais com o split-payment, mas se beneficiar da simplificação administrativa. Essa variabilidade exige cláusulas de ajuste de preço mais sofisticadas, que considerem múltiplos fatores e permitam ajustes bidirecionais.
As cláusulas de earn-out ganham uma dimensão completamente nova. Tradicionalmente, focavam em métricas operacionais. Com a reforma, é essencial considerar como as mudanças tributárias podem afetar essas métricas, independentemente do desempenho do negócio, evitando distorções no pagamento futuro.
As declarações e garantias também precisam ser expandidas para cobrir aspectos específicos da reforma tributária. Declarações sobre conformidade, que antes focavam no regime atual, agora precisam abordar a preparação da empresa para a transição. Isso inclui a adequação dos sistemas de informação, a capacitação das equipes e a implementação de processos para gerenciar a dualidade sistêmica, dentre outros aspectos.
Em resumo, as negociações de M&A serão mais complexas, com um foco acentuado na alocação de riscos relacionados à reforma, prolongando o processo e exigindo maior envolvimento de especialistas tributários e jurídicos na elaboração e revisão dos contratos.
Navegar por essas águas turbulentas exigirá expertise, adaptabilidade e um olhar atento às nuances da nova legislação. Estamos diante de um cenário desafiador, mas também de grandes oportunidades para aqueles que souberem se antecipar e se adequar.
Notícias Técnicas
Período de transição para CBS e IBS demanda delimitação clara de novas obrigações operacionais, parametrização de sistemas e proteção jurídica para ambas as partes
Levantamento de dados financeiros, composição societária e estrutura de gastos com pessoal são requisitos para que o profissional de contabilidade valide a viabilidade legal e econômica do modelo simplificado
Discussão sobre o novo tributo envolve definição das alíquotas e impactos sobre setores alcançados pela Reforma Tributária
Projeto pretende reunir informações de processos tributários da União, estados e municípios e ampliar a integração na defesa fiscal
A apuração assistida de IBS e CBS terá efeito financeiro a partir de 2027, com o Fisco calculando os tributos a partir das NF-e
O TRF-3 reconheceu o direito de uma fabricante de veículos à restituição de PIS e Cofins pagos a maior na venda de autopeças entre indústrias, aplicando as alíquotas de 1,65% e 7,6%, conforme a Lei nº 10.485/2002
A Justiça reconheceu a ilegalidade da metodologia de preços de transferência introduzida pela IN SRF nº 243/2002, permitindo a aplicação dos critérios previstos na Lei nº 9.430/1996
Titulares de direitos minerários devem revisar declarações e recolhimentos para regularização
A LC nº 236/2026 incluiu a mediação e a arbitragem tributária no Código Tributário Nacional como mecanismos para solucionar controvérsias entre contribuintes e a administração tributária
Notícias Empresariais
As relações comerciais estão se tornando menos formais, com conexões e negociações cada vez mais baseadas em proximidade e diálogo
Uma cultura de confiança, com menos microgerenciamento e mais autonomia, pode aumentar o engajamento, a retenção de talentos e a inovação nas empresas
Recorde de afastamentos por transtornos mentais e milhares de denúncias de assédio revelam que ambientes adoecedores não são apenas problemas individuais
Como organizar o controle financeiro de seu negócio e evitar descontrole
Apesar das dificultades ao acesso, implementação da tecnologia ajuda no cotidiano dos empresários
Quando os sócios discordam e nenhum tem a palavra final, a empresa corre o risco de travar por completo, transferindo a gestão do negócio para o Poder Judiciário
A segurança jurídica não deve ser confundida apenas com defesa diante de problemas. Ela é também ferramenta de gestão e estratégia
Empresas ampliam o uso de informações sobre perfis profissionais para apoiar contratações, promoções e mudanças internas
Terceira fase do Plano Brasil Soberano disponibiliza R$ 22,6 bilhões
Organizar a busca por novos clientes pode reduzir a dependência de indicações e tornar as vendas menos irregulares
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade