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Melhor renda fixa do mundo está em emergentes como Brasil, apontam gestores globais
Contudo, quase metade dos profissionais segue vendo os Estados Unidos como o lugar que oferece as principais oportunidades de investimentos hoje
Os investimentos de renda fixa com a melhor relação risco-retorno do mundo estão nos mercados emergentes como o Brasil, aponta a primeira edição de um estudo sobre como os gestores globais estão investindo, realizado pela plataforma de investimentos XP. Mais de um terço dos profissionais fazem essa análise (37%), o dobro dos entrevistados que gostam mais dos papéis de renda fixa americanos emitidos pelo governo ou por empresas com alta classificação de crédito (18%).
O percentual também é bem maior que os que preferem os títulos dos Estados Unidos emitidos por companhias com baixa classificação de crédito (9%), os papéis de renda fixa europeus de melhor qualidade (9%) ou os títulos europeus de menor qualidade (9%). O restante prefere outros lugares.
Participaram do levantamento 11 gestoras de fundos internacionais: Abrdn, Ashmore Investment, Axa Investments, Berenberg, JP Morgan Asset, Morgan Stanley, PearlDriver, SPX, Wellington Management, Western Asset e WHG, ou seja, gigantes que abarcam o mundo todo.
No ambiente atual de elevados juros e de maior percepção de risco no mundo em meio ao governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, as aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável dos emergentes como o Brasil são beneficiadas e devem receber recursos do restante do mundo.
“Os emergentes estavam recebendo uma subalocação ao longo dos últimos anos e agora existe um movimento de voltar a atenção para eles”, afirma Fabiano Cintra, sócio responsável por fundos internacionais da XP. “Os emergentes podem se sair melhor em meio à guerra comercial global, incluindo o próprio Brasil, que está recebendo recursos dos investidores estrangeiros. Estamos bem posicionados”, diz.
Ainda na análise de Cintra, companhias brasileiras devem estar entre as ganhadoras da guerra tarifária, porque podem ocupar espaços que não estavam disponíveis antes, fornecendo insumos para mercados grandes. Assim, as suas ações podem se valorizar.
Já em relação à renda fixa brasileira, o sócio da XP ressalta que os juros nominais (a Selic, taxa referência para os juros da economia, atualmente em 14,75% ao ano) e reais (que descontam a inflação, no nível de 7% ao ano) dos títulos saltam aos olhos dos gestores globais.
“Além disso, o rebaixamento da nota de crédito americana fez o status dos Estados Unidos de bom pagador ser questionado. Não acho que os papéis de renda fixa dos EUA darão calote, mas ao analisar a relação risco-retorno desses títulos, talvez eles não paguem tão bem”, afirma.
Contudo, o estudo mostra que quase metade (46%) dos gestores segue vendo os Estados Unidos como o lugar que oferece as principais oportunidades de investimentos hoje. Na análise deles, apesar dos riscos para o país estarem maiores, os EUA ainda são líderes em profundidade de mercado, liquidez e empresas de inteligência artificial e tecnologia.
Uma fatia menor (36%) de profissionais vê os mercados emergentes, sem contar a China, apresentando as maiores oportunidades de investimento hoje. Apenas 9% acham que a China é a favorita e somente 9% pensam que é a Europa.
“Os Estados Unidos continuam sendo uma referência de solidez e de oportunidades em inteligência artificial, mas em um ambiente mais incerto, os investidores estão considerando os EUA e também outros lugares”, afirma Cintra. “O excepcionalismo americano, o conceito de que os Estados Unidos vão bem inquestionavelmente, está sendo repensado”, diz.
A grande maioria (70%) dos gestores avalia que o impacto de uma recessão nas bolsas deve ser moderado. Contudo, 20% dos entrevistados estão com uma postura mais conservadora, diminuindo a exposição a ações, com um ambiente de crescimento econômico menor, juros maiores e volatilidade alta. Enquanto isso, 10% dos profissionais veem o risco de recessão já embutido nos preços das bolsas e enxergam oportunidades.
Apesar do cenário difícil, em maio os investidores acompanharam o ensaio de uma recuperação na performance das aplicações financeiras globais de risco, sustentado pelo arrefecimento da guerra tarifária e pelo avanço das companhias gigantes de tecnologia.
Os fundos de renda variável mundial que melhor desempenharam foram os de bolsa americana, que acumularam alta de quase 7% em maio, segundo a pesquisa da corretora. Contudo, em 12 meses, os produtos que renderam mais foram os fundos de ações europeias, que renderam 20,6%.
Riscos para o futuro
Apesar dos Estados Unidos serem os favoritos para se investir, a maioria (73%) dos gestores acha que os EUA são o lugar com mais riscos macroeconômicos globais neste momento. A percepção reflete vários fatores: a guerra comercial contra a China, que eleva a volatilidade dos mercados e os custos para as companhias; a piora fiscal dos Estados Unidos, que se agravou após a aprovação do pacote de estímulos e cortes de impostos; e o rebaixamento da nota de crédito dos EUA, que acendeu um alerta sobre a sustentabilidade da trajetória da dívida do governo.
Na análise de quase metade (46%) dos profissionais, o principal risco para o segundo semestre é a reaceleração da inflação. Os impulsos para isso podem vir do pacote fiscal americano e da guerra tarifária, que reacendem o medo de a inflação acelerar. Em seguida, os riscos principais são o consumo mais fraco (27%), os conflitos geopolíticos (18%) e os erros nos juros (9%).
Não existe consenso entre os gestores sobre a inflação nos próximos 12 meses. No mundo, a maioria (64%) dos gestores acha que a inflação seguirá moderada, mas acima da meta. O restante dos profissionais está dividido entre avaliar que a inflação voltará a subir (18%) ou que a inflação não é mais o principal problema (18%).
Já nos Estado Unidos, a maioria (64%) prevê que a inflação deve acelerar, enquanto uma fatia menor (27%) projeta que a inflação continuará moderada, porém maior que a meta. Apenas 9% acham que a inflação não é mais o principal problema.
Com esse ambiente, a maioria (82%) prevê que os juros gradualmente cairão nos Estados Unidos e no mundo, e uma parcela pequena (18%) projeta a manutenção dos juros elevados.
Quase a totalidade (91%) dos gestores aguarda um crescimento econômico global menor nos próximos 12 meses, mas não espera que haverá uma recessão. Já 9% estimam um crescimento econômico moderado nesse período. A maioria (73%) dos gestores não acha que haverá uma recessão nos Estados Unidos e aguarda um pouso suave da economia. Apenas 18% esperam uma recessão no país no final de 2025 e 9% estimam que haverá uma recessão em seis meses.
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