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Ministério da Fazenda amplia estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto de 2024 para 3,3%
Projeção anterior apontava para alta de 3,2%; SPE também reforçou convergência das expectativas de mercado quanto ao cumprimento das metas fiscais do ano
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE) ampliou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 para 3,3%. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (18/11), em entrevista coletiva da SPE para divulgação do Boletim Macrofiscal de novembro e da versão atualizada do Panorama Macroeconômico. Em setembro, a projeção anterior indicava que o crescimento deste ano seria de 3,2%. Para 2025, foi mantida projeção de crescimento de 2,5% do PIB. Esta foi a última edição do Boletim Macrofiscal de 2024, o próximo será divulgado em 2025.
As expectativas do mercado para o PIB de 2024 cresceram ao longo do ano e os mercados de trabalho e de crédito seguiram aquecidos. Os indicadores coincidentes sugerem crescimento no terceiro trimestre, ainda que em ritmo inferior ao do segundo trimestre, mas um crescimento bastante sustentado e robusto”, comentou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.
“Vale notar que essa estimativa de crescimento [de 3,3% para o PIB no ano] tem claro viés de alta, quando consideradas também as informações que se tornaram disponíveis apenas após o fechamento da grade de parâmetros. Isso porque o vigor da absorção doméstica segue surpreendendo positivamente no segundo semestre, mesmo com os menores estímulos fiscais e monetários”, reforçou a subsecretária de Política Macroeconômica, Raquel Nadal.
Projeção para PIB de 2024
| Novembro 2024 | Setembro 2024 | |
| PIB | 3,3% | 3,2% |
| Agropecuária | -1,7% | -1,9% |
| Indústria |
3,5% |
3,5% |
| Serviços | 3,4% |
3,3% |
Raquel explicou que a nova projeção para o PIB de 2024 decorre de melhoras em relação ao desempenho da agropecuária e do setor de serviços e estabilidade da expectativa de desempenho da indústria. Na projeção de setembro, havia estimativa de alta de 3,3% no setor de serviços, agora revista para o patamar de 3,4%. Para a agropecuária, a estimativa anterior era de retração de 1,9%, revisitada para resultado mais ameno, negativo em 1,7%. Para a indústria, foi mantida a previsão de alta de 3,5%.
“O ritmo de crescimento da produção industrial, do volume de serviços e das vendas no varejo acelerou na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Esses dados evidenciam que o crescimento seguiu ainda bastante resiliente no trimestre encerrado em setembro, mais do que esperávamos”, completou a subsecretária de Política Macroeconômica. Ela explicou que na indústria, a resiliência advém do crescimento na produção de bens de capital intermediários e de consumo duráveis, além da expansão do segmento da construção. Já o avanço em serviços está ligado à continuidade do dinamismo dos serviços prestados às famílias e do segmento de informação e comunicação.
Análises
Considerando todos os setores, a projeção de crescimento subiu de 0,6% para 0,7% para o terceiro trimestre de 2024, contribuindo para a revisão de alta do PIB para todo o ano. Para o PIB nominal de 2024, a projeção é de alta de 7,2%. Essa variação reflete crescimento real de 3,3% e deflator implícito de 3,8%. Em termos nominais, o PIB deve atingir R$ 11,6 trilhões. Para o PIB per capita, a previsão é de crescimento de 2,6% em 2024, ante 2,2% no ano anterior.
A mais recente edição do Boletim Macrofiscal também elevou a estimativa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 4,40% no ano, ante projeção de 4,25%, presente na divulgação de setembro. A projeção, entretanto, mantém-se dentro da meta de inflação para o ano, que estabelece teto de até 4,5% para a inflação de 2024. O Boletim adverte que “até o final do ano, deverá haver desaceleração nos preços de monitorados, repercutindo, principalmente, mudanças esperadas nas bandeiras tarifárias de energia elétrica. Os preços livres, no entanto, devem seguir em aceleração”.
Mello apontou que os resultados comprovam a eficácia na condução da política econômica, com a combinação de um crescimento robusto e inflação sob controle, “mesmo que com algumas pressões pontuais” sobre os preços, em movimento influenciados, entre outros fatores, pelos impactos de efeitos climáticos e questões cambiais.
Em relação à projeção de crescimento do PIB no próximo ano, a SPE informa que “apesar do aumento esperado para a taxa básica de juros nos próximos meses, as expectativas para a safra de grãos e para a produção extrativa em 2025 melhoraram significativamente, compensando o efeito negativo da política monetária mais contracionista sobre a atividade”. O setor agropecuário deverá voltar a crescer em 2025, mitigando parcialmente a desaceleração esperada para a indústria e para os serviços.
Confira a íntegra do Boletim MacroFiscal relativo ao mês de novembro de 2024
Confira a apresentação do Boletim MacroFiscal relativo ao mês de novembro de 2024
Confira a íntegra do Panorama Macroeconômico relativo ao mês de novembro de 2024
Trabalho
O secretário destacou, ainda, os bons resultados no mercado de trabalho. Do trimestre encerrado em julho até o trimestre encerrado em setembro, dados dessazonalizados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostraram queda na taxa de desemprego, de 6,8% para 6,5%. A PNAD é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A taxa de desocupação está em sua mínima histórica. A queda na taxa de desemprego foi motivada por um crescimento da população ocupada superior ao da força de trabalho, mas a força de trabalho também tem mostrado crescimento, o que é uma boa notícia do ponto de vista do processo observado até aqui no mercado de trabalho”, apontou. O secretário completou que o rendimento médio e massa salarial, que vinham em um ritmo de crescimento muito forte, já apresentam desaceleração, ainda com crescimento robusto, mas sem nenhum indício de trajetória explosiva. Guilherme Mello explicou que isso representa uma “acomodação em um patamar positivo”.
No final de outubro, inclusive, o IBGE mostrou que a taxa de desocupação, medida pela PNAD Contínua, caiu a 6,4% no trimestre encerrado em setembro de 2024. Foi a segunda menor taxa de desocupação da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012, só perdendo para o trimestre encerrado em dezembro de 2013 (6,3%). Os mais recentes dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelam que o país gerou 247.818 vagas em setembro e acumula 1.981.557 empregos formais no ano. O estoque de empregos celetistas ativos contabilizou 47.498.832 vínculos.
Boxe
A equipe da SPE destacou a apresentação do boxe “Mudanças no mercado de trabalho e implicações à frente” nesta mais recente edição do Boletim Macrofiscal. “Esse boxe trata de mudanças mais estruturais no mercado de trabalho, desde a pandemia e quais as implicações disso. Mostra que o mercado de trabalho se encontra bastante aquecido. A taxa de desemprego está próxima aos mínimos históricos e os pedidos de demissão voluntária que, em geral, sugerem a criação de melhores oportunidades de emprego, encontram-se em patamar recorde”, afirmou Raquel Nadal, ao apresentar os resultados.
A subsecretária de Política Macroeconômica explicou que a relação entre demanda e oferta no mercado de trabalho mudou desde a pandemia. “A taxa de desemprego se tornou menos elástica ou menos reagente à demanda por trabalho. Essa menor elasticidade da taxa de desemprego à demanda por mão de obra sugere que os trabalhadores têm buscado melhores alocações de emprego, o que somente é possível quando o mercado de trabalho está aquecido”, comentou. Raquel argumentou que a menor reação dos preços ao aquecimento no mercado de trabalho sugere que ganhos de produtividade podem estar compensando pressões inflacionárias que surgiriam de um mercado de trabalho mais aquecido.
Prisma Fiscal
“As projeções de mercado mostram convergência das expectativas para o cumprimento da meta de resultado primário deste ano”, afirmou a subsecretária de Política Fiscal, Débora Freire, ao apresentar análise sobre dados do Prisma Fiscal de novembro.
Nessa nova edição, o Prisma apurou que o mercado realinhou em novembro a estimativa de resultado primário para déficit de R$ 62 bilhões no ano. “É o menor valor para a expectativa de resultado primário de mercado no ano”, ressaltou a subsecretária de Política Fiscal. “Mas as projeções de mercado não descontam aquilo que está fora, para aferição de fins da meta de resultado primário. E há uma série de despesas, que são os créditos extraordinários para o Rio Grande do sul e para o enfrentamento da seca, que estão fora do cálculo da meta”, detalhou Débora Freire.
A subsecretária de Política Fiscal ressaltou que as estimativas oficiais do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do 4º bimestre preveem um déficit primário de R$ 68,8 bilhões, anteriormente ao desconto dos créditos extraordinários abertos para fazer frente às emergências climáticas no Rio Grande do Sul e a seca que assolou o país no valor de R$ 40,5 bilhões, que serão excluídos para fins de aferição da meta.
Portanto, ao se descontar tais créditos, infere-se que o mercado convergiu suas expectativas para o cumprimento da meta em seu limite inferior, de déficit de R$ 28,8 bilhões. Ou seja, o déficit primário atualmente projetado pelo mercado (após o desconto dos créditos extraordinários) já está menor do que aquele presente nas projeções oficiais mais recentes. “Esse processo foi contínuo ao longo do ano. Hoje podemos dizer que as projeções de mercado apontam para o cumprimento da meta no seu limite inferior”, afirmou Débora.
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