Receita Federal libera, a partir de 23 de setembro, a consulta ao lote residual de restituição do IRPF
Área do Cliente
Notícia
Reforma tributária e a cultura: o que esperar?
Com as mudanças no sistema fiscal nas últimas décadas, o setor cultural pode ser diretamente impactado. No entanto, a saída para esse grande apagão do fomento indireto à cultura está justamente na regulamentação da reforma tributária
A reforma tributária aprovada em 2023 representa uma das mais significativas mudanças no sistema fiscal do país nas últimas décadas. A alteração constitucional, fundamentada na Emenda Constitucional nº 132, visa simplificar o complexo (e confuso) sistema de tributos indiretos atualmente em vigor no país. Serão substituídos diversos impostos federais (PIS, COFINS) , estaduais (ICMS) e municipais (ISS) por um único Imposto: o IVA dual (Imposto sobre Valor Agregado), subdividido em dois tributos, quais sejam, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) .
Essa simplificação tende a reduzir a burocracia, eliminar as bitributações, promover segurança jurídica, aumentar a previsibilidade e melhorar a transparência de modo a promover um ambiente de negócios mais competitivo, devido à histórica dificuldade em gerenciar a imensa gama de tributos e obrigações acessórias incidentes sobre o consumo. A reforma promete um impacto abrangente em diversos setores, incluindo o artístico e cultural, e pode representar tanto desafios quanto oportunidades.
De fato, a reforma tributária pode facilitar a administração financeira das instituições culturais, que frequentemente enfrentam dificuldades para cumprir com as complexas e múltiplas exigências tributárias. No entanto, há preocupações de que a nova estrutura de impostos possa elevar a carga tributária para atividades culturais, que antes se beneficiavam de regimes especiais ou mesmo de isenções fiscais, a exemplo das isenções incidentes no ISS e do ICMS em operações de licenciamento e cessão de direitos.
No que diz respeito às alíquotas, a reforma prevê que diferentes setores poderão ter alíquotas distintas, atendendo às especificidades de cada um. O campo cultural, que historicamente tem sido beneficiado por incentivos fiscais, pode ser diretamente impactado por essa mudança, visto que o imposto municipal (ISS) e o estadual (ICMS), por meio dos quais estados e municípios realizam incentivos fiscais à cultura, deixarão de existir.
Isso, em tese, pode impactar negativamente em importantes programas de incentivos fiscal à cultura que ocorrem em todo país, como o PROAC em São Paulo, o Mecenato do Ceará e a Lei “Robin Hood” (18.030/2009), de Minas Gerais. No entanto, a saída para esse grande apagão do fomento indireto à cultura está justamente na regulamentação da reforma tributária, ou seja, nos projetos de lei que atualmente tramitam no Congresso Nacional.
Não parece adequado imaginar que os entes federados simplesmente aceitariam eliminar suas leis de incentivo fiscal à cultura sem qualquer outro benefício fiscal em troca. O setor artístico e cultural movimenta milhões todos os anos e o incentivo fiscal realizado por estados e municípios traz benefícios não somente para a sociedade civil, mas também para os próprios entes federados, com aumento da economia criativa e arrecadação tributária local.
Nesse sentido, há grande expectativa de que o setor cultural possa, através da regulamentação da reforma tributária, negociar alíquotas mais baixas ou receber tratamento tributário diferenciado, reconhecendo a importância da cultura para o desenvolvimento social e econômico do país. Não obstante, a definição dessas alíquotas e a concessão desses benefícios, que substituiriam os atuais incentivos fiscais para cultura previstos nas leis estaduais e municipais, dependem dessa regulamentação. Assim, muito mais estratégico do que alardear o fim dos incentivos fiscais à cultura é compreender como eles continuarão a existir no novo cenário fiscal do país.
O Projeto de Lei Complementar nº 68, por exemplo, que visa regulamentar o IBS, CBS e o chamado Imposto Seletivo, está em debate no Senado (atualmente na Comissão de Constituição e Justiça), passível de diversas alterações e ajustes até sua aprovação final, como é comum em toda norma, especialmente em uma dessa relevância. A lei que regulamentará o Imposto de Renda a partir da reforma tributária (que também trará impactos no campo cultural, especialmente na Lei Rouanet) tampouco está definida. Há, pois, um campo de indefinições ainda passível de debates e ajustes, com nítidas possibilidades de avanços para o setor artístico e cultural.
Diante desse cenário, é fundamental o acompanhamento, pelo setor artístico e cultural, da tramitação desses projetos de lei que afetarão diretamente o setor. Um deles, por exemplo, é a proposta de emenda ao PL 68/2024, apresentada pelo Senador Fabiano Contarato, que prevê, dentre outras alterações, a possibilidade de o contribuinte destinar parte do valor do saldo positivo de IBS apurado para projetos culturais credenciados pelas Secretarias estaduais e municipais de cultura, trazendo um importante benefício para o setor.
Outro aspecto relevante da reforma é a criação de um Fundo de Desenvolvimento Regional, que tem como objetivo reduzir as desigualdades regionais e promover investimentos em áreas menos desenvolvidas. Esse fundo poderá ser uma fonte importante de recursos para projetos culturais em regiões de vulnerabilidade social, contribuindo para a descentralização do incentivo à produção cultural no Brasil. A cultura, nesse contexto, pode ser vista como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento regional, capaz de fomentar a economia criativa e gerar emprego e renda.
A reforma também traz mudanças no que diz respeito à tributação de serviços digitais, o que pode impactar significativamente a indústria cultural, especialmente no que tange à distribuição de conteúdo digital, como música, filmes e livros. A CBS poderá incidir sobre plataformas de streaming, e-books, e outros serviços digitais, o que poderia, a princípio, elevar os custos para os consumidores e criadores de conteúdo. No entanto, se implementada de maneira equilibrada, essa tributação também poderá criar um ambiente mais justo para que produtores nacionais possam competir com os grandes players internacionais, uma luta histórica do setor audiovisual.
Recomendado para você
Há também um debate intenso sobre o impacto da reforma tributária nas doações e patrocínios culturais. O sistema atual permite que empresas e indivíduos deduzam parte do imposto de renda, incentivando investimentos privados na cultura. Com a reforma, há incertezas sobre como esses incentivos serão mantidos ou adaptados, especialmente considerando a transição para um sistema de IVA. Aqui existe um receio de que mudanças nos mecanismos de dedução possam reduzir o fluxo de recursos privados para o setor cultural.
Como visto, a reforma tributária, ao promover maior eficiência e simplificação, pode ter um impacto positivo no médio e longo prazo para o campo artístico e cultural, ao liberar recursos para investimentos diretos na produção e fruição. No entanto, o sucesso dessa reforma para o setor artístico e cultural dependerá de uma implementação cuidadosa, por meio da legislação atualmente em elaboração no Congresso Nacional, que leve em conta as especificidades e as necessidades do setor, especialmente como importante motor da economia do país.
Notícias Técnicas
Ajustes contemplam o PGCC (v.1.0.3) e o Balancete Mensal (v.1.0.1) com expansão do limite de contas
Contador como CFO: Guie clientes Simples Nacional nas novas regras de CBS e IBS
Além da alíquota: prepare sua operação para IBS e CBS revisando cadastros, ERPs e fornecedores
Equipe poderá intimar contribuintes, revisar decisões e constituir créditos tributários; medida alcança somente os pedidos relacionados em planilha oficial
Nova lei estimula infraestrutura digital com benefícios tributários e sustentabilidade
Decisão do STF vence dia 23 de setembro e empregadores devem revisar o PGR e incorporar diretrizes de saúde mental no trabalho
A cobrança híbrida automatiza a conciliação e posiciona o profissional de contabilidade como peça-chave do direcionamento financeiro nas empresas
A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil publicou a Instrução Normativa RFB nº 2342, de 15 de setembro de 2026, com o objetivo de alterar a Instrução Normativa RFB nº 2228, de 3 de outubro de 2024
Carf mantém cobrança de IOF sobre operações financeiras entre empresas coligadas, entendendo que movimentações registradas como contas correntes podem ser caracterizadas como operações de mútuo sujeitas à tributação
Notícias Empresariais
Retrabalho, dependência de pessoas e falhas entre áreas podem indicar que a estrutura interna já não acompanha o ritmo do negócio
Uma comunicação clara e objetiva no ambiente profissional fortalece a autoridade e a marca pessoal. Ajustar tom de voz, oratória e linguagem não verbal ajuda a evitar mal-entendidos e transmitir ideias com precisão
Jovens querem crescer, liderar e ter segurança, mas questionam modelos tradicionais de hierarquia, jornadas excessivas e relações de trabalho que já não consideram sustentáveis
Empresas de software, IA, healthtechs, edtechs, fintechs e plataformas B2B encontram no conteúdo especializado uma forma mais eficiente de chegar aos decisores de Recursos Humanos
Aumentar as vendas no pequeno negócio depende de estratégia e método. Posicionamento de marca, treinamento da equipe e fidelização de clientes estão entre os principais pilares para melhorar os resultados
Programação prevê troca de títulos e rolagem de LFT; estratégia pode influenciar condições do mercado de renda fixa e do crédito empresarial
Edital nº 9/2026 abrange dívidas de até R$ 20 mil inscritas na dívida ativa da União e oferece três modalidades de transação pelo Regularize
Levantamento mostra que 37% dos empreendedores ainda usam anotações manuais para controlar as finanças e que medidas com efeito imediato no caixa predominam nos momentos de aperto
Com 39% das principais habilidades exigidas no trabalho podendo mudar até 2030, a segunda carreira ganha espaço em uma vida profissional mais longa
Expectativa para inflação sobe para 4,92%, diz Boletim Focus
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade