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Tributos e custos são os vilões
Preço alto no Brasil é consequência de impostos, gastos elevados na produção e crédito escasso
Os preços altos no Brasil têm vilões históricos, segundo o professor de economia do Ibmec/MG Felipe Leroy. A composição dos valores dos produtos brasileiros inclui diversas variáveis, entre elas a carga tributária, que é alta, além do elevado custo do capital somados à logística ineficiente e cara. Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em março deste ano, mostra que o Brasil é o país com a maior carga tributária em toda América Latina e Caribe. O levantamento mostrou que os brasileiros pagam o equivalente a 33,4% do tamanho da economia em taxas e impostos.
E, além de ter alta carga tributária, não há retorno do valor pago, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgado no fim de 2015, com os 30 países com as maiores cargas tributárias do mundo. O Brasil é o que tem o pior retorno para a população.
O professor do Ibmec/MG acrescenta que o crédito caro também interfere na composição dos preços. “Os juros cobrados pelo cartão de crédito são altos para o consumidor. Já para o empresário, o custo alto do financiamento reflete no preço final do produto”, observa. Um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostrou que a taxa média do cartão de crédito no país passou de 432,2% ao ano, em março, para 435,6%, em abril.
Leroy observa que o preço elevado dos produtos não é ruim apenas para o consumidor na hora de comprar. Tem também impactos na competitividade dos produtos brasileiros dentro e fora do país, que só não está numa situação pior em razão da cotação alta do dólar, que torna os produtos mais em conta para o estrangeiro.
Ele lembra que o preço alto já fez com que muitos brasileiros comprassem vários produtos no exterior, em especial, nos Estados Unidos, o que hoje já não acontece com tanta intensidade por causa da depreciação do real frente ao dólar.
Percepção. Avaliar se um país é caro ou barato não é uma tarefa simples, segundo o gerente de compras internacionais do Verdemar, Alexandre Ségur. “Há algumas coisas mais caras aqui, outras mais baratas, na comparação com o meu país, a França, que é um país caro”, diz.
Há 11 anos no Brasil, ele observa que na análise de preços, deve-se levar em conta a capacidade financeira da população, além da inflação. O francês conta que ele tem o costume de comprar roupas fora do país. “Acho a qualidade melhor, são mais duráveis. Tenho roupas compradas há sete anos e ainda em bom estado”, justifica, dizendo que considera roupa aqui muito cara.
Para o diretor administrativo do Instituto Cervantes BH, o espanhol Carlos Palomo, produtos eletrônicos são mais caros no Brasil. “Agora, comida e transporte público aqui são mais baratos do que na Espanha”, diz. No Brasil desde janeiro, ele afirma que o problema no país é que os salários dos brasileiros, no geral, são baixos para adquirir todos os produtos e serviços necessários.
Suíça e Inglaterra são os mais caros
O levantamento “Mapeando Preços do Mundo 2016” (“Mapping the World’s Prices 2016”), do Deutsche Bank, divulgado neste mês, mostra que a Europa é o lugar mais caro para se comprar, com destaque para cidades da Suíça e dos países escandinavos. Sidney (Austrália) e Londres (Inglaterra) também se destacam pelos altos preços.
Na capital da Inglaterra, por exemplo, é cobrada a diária de aluguel de carro mais cara entre os 25 países analisados, com preço de US$ 174,5, seguida pela Suíça, com US$ 165,6.
Em Sidney, na Austrália, uma diária no quarto de um hotel cinco estrelas é a mais cara entre as 36 localidades pesquisadas, com o valor de US$ 874,70. Em Zurique, na Suíça, é encontrada a calça Levi’s mais cara entre os 37 lugares analisados. O valor é de US$ 126,10.
O destaque também vale para uma tarifa de táxi, para um percurso de 8 quilômetros, a um custo de US$ 32, 30. Estocolmo, na Suécia, ocupa o segundo lugar, com US$ 29,50. (JG)
Com a cotação alta do dólar, os dias em que muitos brasileiros enchiam as malas de compras fora do país, com destaque para cidades como Miami e Nova York, ficaram para trás, segundo a diretora de ensino do Colégio ICJ, Christina Fabel, que chega a fazer de duas a três viagens internacionais por ano. “Eu já comprei muito fora, quando o dólar estava mais em conta. Eu tenho amigos que levavam malas vazias para comprar nos Estados Unidos”, conta.
Para ela, ainda dá para comprar alguns produtos no exterior, mas não na mesma quantidade que acontecia num passado recente. “Hoje, não vale a pena viajar com o objetivo só de comprar. Fora que nas compras no exterior ainda tem que contabilizar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF”, observa.
Dos bons tempos do dólar mais barato, uma das aquisições foi um tênis comprado em Varsóvia, na Polônia, há cerca de dois anos, que custou por volta de R$ 300. “Na época, eu pagaria aqui no Brasil em torno de R$ 850”, diz. (JG)
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