Fiscalização da Receita Federal analisou pedidos de ressarcimento e compensação em diferentes estados e identificou créditos considerados incompatíveis com a legislação tributária
Área do Cliente
Notícia
Substituição tributária pode ser aliada no aumento da arrecadação estadual
A legislação passou a abranger gêneros que podem entrar no regime e tirou dos estados a autonomia para defini-los.
Ante a tentativa do Executivo estadual de aumentar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), uma pergunta ganha força entre os especialistas. Por que não ampliar a lista de produtos em Substituição Tributária (ST), modelo com grande potencial arrecadatório? A resposta do delegado da Receita Estadual, Ernany Müller, é que o governo do Estado gostaria, mas esbarra na Lei Complementar nº 147 - que entrou em vigor em 2014 e alterou a LC 123, conhecida por versar? sobre o Simples Nacional. A legislação passou a abranger gêneros que podem entrar no regime e tirou dos estados a autonomia para defini-los.
Responsável pela delegacia especializada em Substituição Tributária, Comércio Exterior e Controle e Acompanhamento de Grandes Contribuintes, Müller admite que o governo teria grande interesse em ampliar o rol de operações e mercadorias sujeitas ao benefício. "Entendo que a ST poderiacontribuir para melhorar a receita gaúcha. Por outro lado, temos esse impedimento novo, inédito desde que se começou a falar sobre o tema", lamenta Müller, lembrando que, há mais de 30 anos, o Estado utiliza o modelo alternativo de recolhimento do ICMS de acordo com critérios próprios.
Entre os benefícios da substituição tributária, diz Müller, está a possibilidade de concentrar a fiscalização em poucos contribuintes e diminuir a concorrência desleal. "Para o Fisco, ela permite acompanhar os contribuintes no início da cadeia. Para o mercado, entre as suas virtudes, está a minimização da margem de manobra para o contribuinte que não cumprir as suas obrigações, já que os impostos já estão embutidos", destaca o delegado da Receita Estadual.
A inclusão do tema na LC 147 se deve a uma argumentação contundente das empresas integrantes do Simples Nacional (mais conhecido como Supersimples) de que a ST pode prejudicá-las de alguma maneira, já que a indústria realiza o recolhimento sem considerar a tributação diferenciada a que elas estão submetidas. Em virtude da ST, as micro e pequenas empresas alegam não poderem estabelecer preços para competir com o grande varejo, que, por sua vez, conta com o regime geral e o crédito como vantagens.
A mudança legal impede que novas categorias sejam incluídas e gera um clima de incertezas para aquelas que já compõem a lista gaúcha de produtos em ST, atualmente com cerca de 90 itens. Criada em meados da década de 1980, a lista de produtos em ST sofre poucas alterações. O critério (até a LC 147) era definido pelos estados, porém sempre foi levado em conta o fato de, para aquele artigo, haver intermediários entre fabricante e consumidor final - motivo pelo qual o pãozinho não é incluído - e um número pequeno de indústrias para um grande número de comerciantes (em âmbito estadual). Ainda que estendida a um número considerado pequeno de produtos, a Substituição Tributária demonstra seu potencial arrecadatório em números recentes. Em 2014, o regime foi responsável por aproximadamente 30% da arrecadação de ICMS no Estado, totalizando R$ 7,5 bilhões.
Ernany Müller diz que o Estado ainda estuda que categorias terão de sair da lista de ST, mas adianta que devem ser excluídos, já no início do ano que vem, artigos de trocador, artigos de colchoaria, alguns produtos alimentícios, bicicletas, brinquedos e vestuário. "Antes, precisamos estudar cada caso, porque a LC 147 é muito genérica", aponta. Desde a sua entrada em vigor, os estados pouco se manifestam sobre a mudança. Como a alteração parece ser irreversível, Müller defende que "já que criaram a lista de produtos, ela seja ampliada".
Ampliação do regime divide opiniões
A inclusão de produtos no campo da substituição tributária (ST), embora seja apontada como uma das formas de minimizar a crise do Estado, divide opiniões de empresários e especialistas contábeis quanto à sua eficácia. O diretor da Vulcano Suprimentos Industriais, Juarez Madalosso, alega que viu sua contabilidade "ganhar ares de Europa e Estados Unidos" e a indústria ficar mais lucrativa com a aplicação da ST a cerca de 30 itens produzidos pela empresa. "É um sistema muito vantajoso e que ajuda a combater a sonegação", garante.
O delegado da Receita Estadual, Ernany Müller lembra que dados oficiais apontam para um número muito alto de sonegadores. Conforme levantamento da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o Estado contabiliza mais de R$ 35 bilhões em dívida ativa. Desse total, aproximadamente 30% (R$ 11 bilhões) é recuperável, estima a Receita Estadual. Para a contadora responsável pelo departamento fiscal do escritório Rinaldi Organização Contábil, Daniela Scartazzini, a tendência natural seria que todos os recolhimentos se dessem desta forma, na fase de produção. "Temos clientes tributados via ICMS/ST, inclusive que importam de fora do Estado. Os trâmites e cálculos são complicados, mas, para o Estado e a sociedade, a ST só traz vantagens", defende Daniela.
A contadora Andréia Zwirtes Kich, sócia do escritório Zwirtes Contabilidade, salienta que esta não é a única forma de aumentar a arrecadação. Para ela, as políticas tributárias devem levar em conta todo o cenário econômico nacional e o comportamento das empresas, que têm de buscar alternativas para se manter no mercado, reduzindo custos, diminuindo investimentos e atentas ao capital de giro.
"Quando um novo produto é inserido na ST, há dispêndio de valores do caixa das empresas substituídas, já que estas precisam calcular o imposto dos produtos que estão em estoque e repassar o valor do tributo ao governo", pondera. Em um momento sensível, mesmo com parcelamento concedido, Andréia diz que atribuir mais responsabilidades pode descapitalizar a empresa e levá-la à inadimplência. "Esta situação desfavorece tanto Estado quanto contribuinte, pois, não havendo repasse do valor aos cofres públicos, o cenário não se modifica", acredita.
Notícias Técnicas
O DANFSe passa a contar com um bloco específico para IBS e CBS, acompanhando as mudanças da Reforma Tributária
Sistema terá declaração pré-preenchida e será adaptado para a apuração do IBS e da CBS a partir de 2027.
Importadores terão de informar local da operação de consumo e outros tributos por item; códigos CST e cClassTrib passarão a ser definidos pelo próprio sistema
Regra impede que empresa que recebeu ressarcimento volte a recolher IBS e CBS pelo regime único no ano corrente e no seguinte; demais tributos permanecem no Simples
Receita Federal adia em duas semanas a implantação do novo esquema e mantém 31 de agosto como prazo para entrega do 1º semestre de 2026
Entenda como a decisão do Supremo impacta empresas e o planejamento tributário na Reforma Fiscal
O CARF reconheceu a decadência e impediu o Fisco de revisar o IRPJ de 2015 após o prazo legal de cinco anos, garantindo decisão favorável ao contribuinte
O Split Payment muda a forma de recolhimento do IBS e da CBS e pode impactar diretamente o fluxo de caixa e o capital de giro das empresas
Essa gestão pode influenciar o cumprimento das obrigações previdenciárias e contribuir para reduzir riscos e inconsistências nas informações enviadas pelas empresas
Notícias Empresariais
Vender mais é uma boa notícia. Mas o crescimento começa a cobrar seu preço quando processos, pessoas e decisões não conseguem acompanhar o novo tamanho da operação
Sobrecarga não aparece apenas como cansaço. Antes disso, ela pode surgir em decisões apressadas, esquecimentos e pequenas falhas cometidas por profissionais que normalmente apresentam ótimo desempenho
Em operações espalhadas pelo país, autonomia local é necessária. O problema começa quando cada unidade passa a contratar, avaliar e liderar de um jeito tão diferente que a empresa deixa de parecer uma só
Entenda as diferenças entre MEI, SLU e Sociedade Limitada para garantir segurança jurídica e organização financeira
Com dívidas em patamares elevados, restrição ao crédito e juros altos, atrasos de pagamento afetam famílias, vendas e a saúde financeira dos negócios
Abrir um negócio é rápido; construir uma empresa exige gestão, disciplina, capacidade financeira e persistência para superar desafios e manter a operação sustentável
Programa permite renegociar dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal; veja quem tem direito, condições e como fazer o acordo
Levantamento do primeiro semestre de 2026 revela que empreendedores priorizam capacitações em finanças, marketing, liderança, atendimento e inteligência emocional
Consenso rápido costuma transmitir eficiência, mas equipes em que ninguém questiona decisões podem estar trocando pensamento crítico por conformidade
A multipotencialidade pode se tornar uma vantagem competitiva quando diferentes competências são integradas de forma estratégica e comunicadas com clareza, gerando valor para profissionais e organizações
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade