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Em ano de crise, o ideal é reduzir custos
Para diminuir custos e aumentar a produtividade, segundo Galhardo, o ideal é que as empresas avaliem com muita criticidade o que se pode ajustar. Cortar custos deve ser uma tarefa recorrente e não uma ação em momentos difíceis
Em um ano que começou com a economia crescendo pouco, inflação preocupante e juros de empréstimos subindo, para as empresas, nem sempre é possível aumentar a produção e, consequentemente, as vendas. As medidas de “aperto aos cintos”, tomadas pelo governo, preocupam empresários de todos os ramos e portes, e uma coisa é certa: é preciso ajustar o orçamento. Mas, como começar? E o quer cortar?
Porém, aparentemente simples, a tarefa de cortar gastos é muito mais complicada do que se possa imaginar, como comenta o sócio diretor administrativo financeiro da consultoria Praxis Business, Mauricio Galhardo. “Nesses tempos de turbulência, manter o caixa azul torna-se uma tarefa bem complexa. As empresas têm de trabalhar com duas notícias, uma boa e outra ruim. A ruim é que 2015 será um ano difícil. A boa é que já sabemos disso. Portanto, nada melhor do que se preparar, ajustar as contas e acompanhar as vendas de perto, para que o caixa não sofra tanto com isso. Pagar juros neste momento resultará em perdas maiores do que em anos anteriores, por isso, quem conseguir manter o saldo no azul sem usar recursos de terceiros, terá um diferencial competitivo a mais”, garante o especialista.
Para diminuir custos e aumentar a produtividade, segundo Galhardo, o ideal é que as empresas avaliem com muita criticidade o que se pode ajustar. Cortar custos deve ser uma tarefa recorrente e não uma ação em momentos difíceis. “No contexto que prevemos para 2015, vale fazer um planejamento detalhado visando entender os melhores caminhos para buscar mais resultados com menos recursos. Produtividade é a palavra deste ano. Aqueles que a perseguirem terão bem mais chances de sair ilesos do que aqueles que não se atentarem. Cortes de custos podem ser feitos, mas sempre avaliando o impacto de cada medida.”
Por sua vez, o diretor do Instituto de Estudos Financeiros – IEF, Edno Oliveira, concorda com Galhardo, mas pondera que o corte de gastos é sempre mais praticado quando a conjuntura econômica está desfavorável. “Entretanto, mais do que nunca, o empreendedor deve buscar continuamente controlar os custos de forma planejada, evitando o corte compulsório”.
Em sua opinião, 2015 é um ano desfavorável para abrir um negócio próprio: “Diante de uma retração na economia brasileira, o ambiente econômico fica naturalmente adverso para o investimento empresarial. Por outro lado, sabemos que nos momentos de crise costumam surgir boas oportunidades de negócios para os empreendedores de visão. Assim, apesar das dificuldades que os novos negócios enfrentarão no decorrer deste ano, poderão ser encontrados nichos especiais e empresários com forte senso de inovação terão a oportunidade de aproveitá-los.”
Para diminuir os custos e aumentar a produtividade, o economista aconselha enfatizar o comprometimento da administração para o acompanhamento do orçamento, analisando o quanto cada um se comprometeu a cortar e o quanto efetivamente foi gasto. É uma incumbência que deve ser cumprida por todos os colaboradores da empresa. “É fundamental ainda obter a colaboração dos empregados com sugestões para redução de custo e fazer investimentos em treinamento de pessoal, ao invés de cortá-lo”, aconselha.
Por fim, para Oliveira, as perspectivas não são boas e diversos fatores estarão contribuindo para piorá-las: “A confiança das empresas e das pessoas na economia está baixa, o que inibe o investimento e o consumo. O quadro macroeconômico do País está ruim e com possibilidade de agravamento, principalmente se o Brasil perder o grau de investimento. O ambiente político parece se deteriorar rapidamente. Por tudo isso, se espera que este ano seja de fraca atividade econômica”. Por esses e outros fatores, o melhor a fazer é seguir o conselho do provérbio popular “é melhor prevenir do que remediar”, com algumas dicas para que 2015 não se torne um ano mais difícil do que promete ser:
- Acabe com o desperdício. É imprescindível verificar o que realmente é utilizável e o que é desperdício. O copo descartável para água e cafezinhos, por exemplo: será que ele realmente é preciso? Algumas pessoas ainda acham que é uma comodidade, mas além de gerar resíduos desnecessários e contribuir com a poluição atmosférica, já que a fabricação deste tipo de produto emite CO2 e outros gases, o tal copinho representa custo. As empresas podem estimular seus colaboradores a deixar uma caneca na mesa. Se cada um levar a sua, a redução no gasto com copos plásticos já será considerável.
- Avalie as despesas fixas; todos os contratos de prestação de serviços de consultor, aluguel, financiamento com o objetivo de buscar melhores negociações; e as vendas observando quais produtos ou serviços são mais “vendáveis”. É ideal se concentrar neles e reduzir os custos daquilo que não gera margem de lucros.
- Administre bem o seu estoque, organize e planeje as compras, evitando pedidos urgentes que acabam saindo mais caro por falta de pesquisa de preço.
- Negocie descontos em contas: empresas desorganizadas gastam mais por causa das multas e juros por pequenos atrasos em pagamentos. Pagando em dia, é possível ainda verificar se há gratificações para pagamentos adiantados ou automáticos.
- Consulte sempre seu contador ou advogado, para ver se existem mudanças no seu negócio que podem ajudar a diminuir a carga tributária.
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