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21/10/2026 09:01:06

Medo de ataques cibernéticos atrasa expansão digital de 33% das PMEs brasileiras

O receio de fraudes e ataques cibernéticos está limitando os investimentos e a expansão digital das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras

O receio de fraudes e ataques cibernéticos está limitando os investimentos e a expansão digital das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras. Embora todas as empresas consultadas no país já aceitem pagamentos digitais, 57% apontam as ameaças virtuais como uma das principais barreiras para ampliar seu uso. Além disso, 33% afirmam que o medo de incidentes de segurança já desacelerou ou interrompeu a adoção de ferramentas digitais.

Os dados fazem parte do Mastercard 2026 SME Cybersecurity Outlook, estudo realizado com 2.400 proprietários de PMEs e tomadores de decisão em 12 mercados da América Latina e do Caribe. No Brasil, foram entrevistados 200 representantes de pequenas e médias empresas.

A pesquisa mostra que os riscos cibernéticos afetam diretamente as decisões de investimento. Nos últimos 12 meses, 38% dos entrevistados brasileiros adiaram a adoção de novos meios de pagamento por receio de fraudes ou ameaças virtuais. Outros 28% postergaram planos de expansão geográfica, enquanto 27% adiaram iniciativas de marketing digital e parcerias.

A falta de confiança na segurança digital também pode comprometer a competitividade de negócios que dependem de canais eletrônicos para vender, atender clientes e alcançar novos mercados.

Falta de planejamento para incidentes

Apesar da ampla adoção dos pagamentos digitais, parte das empresas ainda não está preparada para responder a ataques. No Brasil, 44% das PMEs consultadas possuem um plano formal de resposta ou recuperação em cibersegurança, enquanto 30% não contam com nenhum plano.

O contraste também aparece na percepção sobre a importância da proteção de dados. Para 91% dos empresários entrevistados no país, a cibersegurança representa uma vantagem competitiva. Além disso, 98% concordam que os consumidores têm maior probabilidade de comprar de empresas em que confiam para proteger suas informações.

Na prática, porém, essa percepção nem sempre se traduz em capacidade de prevenção e resposta a incidentes. O estudo aponta que o desafio não se limita à adoção de tecnologias de proteção, mas envolve preparar as empresas para identificar ameaças, reduzir riscos e manter suas operações diante de possíveis ataques.

Segurança pode destravar investimentos

O levantamento também identifica oportunidades de crescimento associadas ao fortalecimento da proteção digital. Segundo a Mastercard, 80% das PMEs brasileiras ouvidas estimam que poderiam alcançar crescimento de dois dígitos com uma infraestrutura de segurança mais robusta. Desse grupo, 30% projetam expansão superior a 50%.

Com maior confiança no ambiente digital, os empresários priorizariam investimentos em marketing digital, análise de dados e inteligência artificial, ambos relevantes para ampliar a capacidade de competir e conquistar clientes. Na pesquisa, 41% mencionaram o marketing digital, enquanto 40% apontaram tanto a análise de dados e IA quanto a adoção de novos meios de pagamento digitais ou por aproximação.

Os resultados indicam que a segurança cibernética está relacionada não apenas à redução de perdas financeiras, mas também à capacidade de aproveitar oportunidades comerciais. Para empresas que buscam ampliar suas vendas digitais, a ausência de mecanismos adequados de proteção e resposta pode representar um obstáculo à execução de seus planos de crescimento.

Cenário regional reforça o desafio

Na América Latina e no Caribe, 97% das PMEs entrevistadas já aceitam pagamentos digitais. Mesmo assim, 51% apontam o medo de fraudes ou ameaças virtuais como uma barreira para ampliar seu uso.

Na região, 40% dos participantes afirmam que preocupações com cibersegurança já reduziram ou interromperam o uso de ferramentas ou pagamentos digitais. Quase um terço também adiou planos de expansão do comércio eletrônico ou de entrada em novos mercados.

Embora 93% dos entrevistados na região afirmem conhecer medidas de proteção digital, apenas 18% se dizem muito confiantes na capacidade de suas empresas de se proteger contra ameaças cibernéticas. Uma em cada cinco empresas não possui plano de resposta ou recuperação para incidentes.

Para Ana Lucía Magliano, vice-presidente executiva de Serviços da Mastercard para a América Latina e o Caribe, a segurança cibernética passou a ser uma questão de negócio para as pequenas empresas, pois as preocupações com fraudes e ataques podem impedir a busca por novas oportunidades.

Como parte de sua atuação nesse mercado, a Mastercard oferece o Mastercard Trust Center, plataforma gratuita com conteúdos educativos, treinamentos, avaliações e ferramentas de cibersegurança para PMEs da região. A empresa também disponibiliza, por meio de emissores selecionados e parceiros do setor, soluções como o My Cyber Risk, baseado na tecnologia RiskRecon, e o ID Theft Protection.

O estudo foi realizado no segundo trimestre de 2026, em parceria com a Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI). A amostra brasileira de 200 tomadores de decisão tem margem de erro de ±6,9%, com nível de confiança de 95%.

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