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05/10/2026 08:57:50

Investimento social corporativo: uma agenda de produtividade ainda pouco explorada

É comum discutir-se produtividade a partir de temas como carga tributária, juros, infraestrutura e ambiente regulatório

As empresas não são responsáveis por resolver o problema estrutural da educação brasileira. Mas são diretamente impactadas pela escassez de talentos e podem atuar de forma intencional para reduzir esse gargalo.

É comum discutir-se produtividade a partir de temas como carga tributária, juros, infraestrutura e ambiente regulatório. Todos são relevantes. Mas há um fator que continua subestimado nas estratégias de aumento da produtividade: a formação de pessoas.

A escassez de mão de obra qualificada já deixou de ser um desafio restrito a setores específicos. Ela afeta empresas de diferentes portes e segmentos, amplia custos de recrutamento, aumenta o turnover e limita ganhos de produtividade.

O desafio é que, embora o problema seja compartilhado, as soluções continuam sendo em sua maior parte isoladas. Existe uma variável nessa equação que precisa ser considerada. Empresas que investem na formação de talentos frequentemente compartilham os resultados desse esforço com todo o mercado. Profissionais qualificados circulam entre organizações, setores e regiões. Os benefícios se espalham. Os custos da formação, não.

Cria-se, assim, uma dinâmica pouco eficiente: algumas empresas investem na qualificação de pessoas enquanto outras apenas absorvem os resultados desse esforço. Quando os benefícios são compartilhados, mas os custos permanecem concentrados, os incentivos ao investimento tendem a diminuir.

Essa já é uma agenda presente em economias que se destacam pela competitividade. Na Alemanha, mais de 1 milhão de jovens participa do sistema dual de formação profissional, baseado na cooperação entre empresas e instituições de ensino.

Em Singapura, iniciativas como o SkillsFuture articulam governo, empregadores e trabalhadores em torno de uma estratégia permanente de desenvolvimento de competências. Em ambos os casos, a formação de talentos é tratada como um ativo estratégico para a competitividade do país, e não como responsabilidade isolada de um único ator.

É nesse contexto que o Investimento Social Corporativo pode assumir um papel ainda mais relevante. Não apenas como ferramenta de impacto social, mas como mecanismo de desenvolvimento econômico e fortalecimento da produtividade e da competitividade.

Se empresas de um mesmo setor compartilham os benefícios da existência de mão de obra qualificada, faz sentido que compartilhem também parte do esforço necessário para desenvolvê-la.

No Espírito Santo, essa discussão ganha relevância diante dos novos ciclos de investimento em logística, indústria, petróleo e gás e infraestrutura. Atrair investimentos é fundamental. Preparar pessoas para sustentá-los é igualmente importante.

A sustentabilidade desses investimentos, em grande medida, depende da capacidade de formar os profissionais que irão sustentá-los.

Talvez esteja diante de nós uma oportunidade ainda pouco explorada: utilizar o Investimento Social Corporativo de forma coordenada para enfrentar desafios comuns e ampliar a capacidade produtiva do Espírito Santo.

Porque produtividade não nasce apenas de tecnologia, infraestrutura ou capital. Ela nasce, sobretudo, das pessoas.

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