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O risco da América Latina não é perder empregos para a IA. É perder relevância
A discussão sobre inteligência artificial na América Latina começou da forma errada.
A discussão sobre inteligência artificial na América Latina começou da forma errada.
Enquanto empresas, governos e profissionais tentam descobrir quais funções poderão ser substituídas pela tecnologia, uma pergunta muito mais importante permanece sem resposta: o que acontecerá com os países que não conseguirem acompanhar a velocidade dessa transformação?
O receio em relação ao impacto da IA sobre o mercado de trabalho é compreensível. Afinal, estamos diante de uma tecnologia capaz de automatizar tarefas, acelerar processos e mudar a forma como decisões são tomadas. No entanto, limitar o debate à substituição de empregos significa observar apenas uma parte da mudança.
O impacto da inteligência artificial vai muito além da automação. Os países e as empresas que aprenderem a utilizar essa tecnologia com rapidez terão uma vantagem competitiva difícil de alcançar mais adiante.
Um estudo da McKinsey estima que a inteligência artificial generativa poderá acrescentar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano à economia mundial. Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional projeta que cerca de 40% dos empregos serão afetados pela tecnologia. O dado mais importante, porém, talvez seja outro.
O ponto central é a capacidade de adaptação. Em momentos de transformação tecnológica, a diferença entre avançar e ficar para trás costuma ser determinada pela rapidez com que cada país consegue transformar conhecimento em resultados concretos.
A disputa já deixou de acontecer apenas entre empresas. Universidades, centros de pesquisa, governos e a iniciativa privada fazem parte da mesma corrida. Quem construir esse ambiente primeiro terá uma vantagem importante nos próximos anos.
A América Latina reúne talentos, capacidade empreendedora e um mercado consumidor relevante. Ainda assim, enfrenta problemas históricos relacionados à baixa produtividade, ao investimento insuficiente em pesquisa e à dependência de tecnologias desenvolvidas em outros países.
A inteligência artificial não criou essas dificuldades. O que mudou foi a velocidade com que elas se tornaram mais evidentes.
Daqui a alguns anos, a discussão provavelmente será outra. Em vez de perguntar quem adotou a inteligência artificial, estaremos tentando entender quem conseguiu gerar riqueza, desenvolver conhecimento e criar tecnologia própria.
A discussão sobre o futuro do trabalho continua sendo importante, mas talvez estejamos olhando para o lugar errado.
O maior risco não é a inteligência artificial eliminar empregos. O maior risco é a América Latina se tornar apenas consumidora das tecnologias que definirão a próxima etapa da economia global.
Ainda há tempo para mudar esse cenário. Mas isso exigirá investimentos em infraestrutura, educação, pesquisa e formação de talentos. Exigirá também uma mudança de mentalidade.
Tratar a inteligência artificial apenas como uma ferramenta é um erro. As decisões tomadas hoje terão impacto direto sobre a competitividade de empresas e países na próxima década.
As regiões que compreenderem isso antes das demais serão as que terão mais condições de influenciar o futuro.
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