A nova versão 1.3.0 da documentação técnica da DeRE traz atualizações no Manual de Orientação, novos eventos transacionais, regras de validação aprimoradas e ajustes nos leiautes
Área do Cliente
Notícia
O risco que toda empresa já assume, mesmo sem perceber
Em um mercado de juros ainda elevados e crédito mais seletivo, saber escolher entre caução, fiança bancária e seguro garantia pode ser tão importante para crescer quanto conseguir o preço certo ou entregar uma boa proposta
Toda vez que uma empresa decide disputar um contrato relevante, seja uma licitação pública, uma obra de infraestrutura ou um fornecimento de grande porte, ela está tomando uma decisão de gestão de risco. Poucos empresários enxergam dessa forma, mas é exatamente isso que acontece.
A pergunta que deveria orientar essa decisão não é apenas qual garantia apresentar, mas quanto do caixa ou do limite financeiro da empresa vale a pena comprometer para poder competir. Essa mudança de perspectiva, de burocracia para estratégia, é o que separa empresas que crescem de empresas que travam seu próprio crescimento sem entender por quê.
O momento atual do crédito no Brasil torna essa questão ainda mais relevante. Em 5 de agosto, o Copom reduziu a Selic para 14% ao ano, mas o custo de capital das empresas brasileiras segue elevado. Em um cenário como esse, cada real comprometido para viabilizar um contrato precisa ser analisado também pelo seu impacto sobre o capital de giro. Para pequenas e médias empresas, que normalmente têm menos folga financeira, a escolha da modalidade de garantia pode determinar quantos contratos conseguem disputar simultaneamente.
Quando um edital ou contrato exige uma garantia, o empresário normalmente encontra três alternativas principais: caução em dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia. A legislação de licitações prevê essas modalidades como opções para o contratado. Elas cumprem a mesma função de proteger o contratante, mas produzem efeitos bastante diferentes sobre a empresa que precisa apresentá-las.
A caução em dinheiro é a alternativa mais direta. Se um contrato de R$ 1 milhão exigir uma garantia de 5%, por exemplo, a empresa precisará disponibilizar R$ 50 mil. Esse dinheiro não desaparece, mas fica comprometido durante o período definido para a garantia e deixa de estar disponível para comprar insumos, pagar fornecedores, contratar funcionários ou aproveitar uma nova oportunidade.
Em contratos públicos, a legislação prevê regras específicas para o depósito e a correção desses valores. O ponto de gestão é outro: mesmo quando o recurso é recuperável ao final, ele permanece temporariamente fora do caixa operacional.
A fiança bancária funciona de maneira diferente. Em vez de depositar os R$ 50 mil, a empresa obtém do banco uma garantia desse valor. Na prática, porém, isso pode consumir R$ 50 mil do limite de crédito disponível para a empresa, além da cobrança de tarifas e comissões pela instituição financeira. Dependendo da análise de risco e das condições negociadas, o banco também pode exigir contragarantias.
Para uma empresa que pretende participar de vários contratos, o problema aparece quando diferentes fianças começam a ocupar simultaneamente o limite bancário. O empresário pode até não tirar dinheiro do caixa naquele momento, mas reduz sua capacidade de contratar crédito para outras necessidades da operação.
O seguro garantia produz um terceiro efeito. A empresa contrata uma apólice cujo valor segurado corresponde à garantia exigida pelo contrato e paga um prêmio pelo período de cobertura. O valor da garantia não é retirado do caixa e, em regra, não ocupa o limite bancário da mesma forma que uma fiança. O custo, porém, varia de acordo com fatores como valor e prazo do contrato, modalidade de garantia, análise de risco e perfil da empresa. Por isso, não existe uma taxa única que possa ser aplicada a todas as operações.
Um exemplo simples ajuda a visualizar a diferença. Imagine novamente um contrato de R$ 1 milhão com garantia de 5%, equivalente a R$ 50 mil. Na caução, os R$ 50 mil precisam ser disponibilizados. Na fiança bancária, os mesmos R$ 50 mil podem comprometer o limite da empresa, além das tarifas cobradas pelo banco. No seguro garantia, supondo apenas para fins de comparação uma taxa de prêmio de 1,5% ao ano e uma cobertura de 12 meses, o custo seria de aproximadamente R$ 750. Essa taxa é uma hipótese ilustrativa, não uma referência de mercado: na prática, o preço depende da análise de cada operação.
A diferença fica ainda mais clara quando se olha para o custo de oportunidade. Se os R$ 50 mil da caução permanecessem disponíveis para a operação ou fossem aplicados a uma taxa próxima à Selic atual, de 14% ao ano, o valor envolvido teria um custo financeiro potencial relevante ao longo de um ano. Já na fiança, o impacto principal pode aparecer na redução da capacidade de tomar crédito. No seguro, o desembolso tende a ficar concentrado no prêmio da apólice. Nenhuma modalidade é universalmente melhor. A escolha depende do custo, do prazo, da disponibilidade de caixa, do limite bancário e da necessidade de disputar outros contratos ao mesmo tempo.
É por isso que a decisão não deveria ser tomada apenas quando o edital exige a garantia. Uma empresa com caixa abundante e pouca necessidade de crédito pode considerar a caução uma alternativa simples. Outra, que precisa preservar o limite bancário para financiar estoque, folha ou expansão, pode preferir não comprometer sua capacidade de crédito com uma fiança. Para uma empresa que quer disputar vários contratos simultaneamente, o seguro garantia pode fazer mais sentido justamente por permitir que o capital de giro e o limite bancário permaneçam disponíveis para a operação. Em todos os casos, a comparação deve considerar o custo total, e não apenas a tarifa ou o prêmio da garantia.
Essa análise ganha importância em um momento em que a demanda por garantias continua crescendo. A CNseg projeta alta de 12,1% para o Seguro Garantia em 2026, impulsionada, entre outros fatores, pela demanda ligada a contratos, investimentos e obras. O Novo PAC, por exemplo, prevê R$ 1,7 trilhão em investimentos, mantendo um volume relevante de oportunidades em infraestrutura e outros setores. Para pequenas e médias empresas, esse movimento pode representar uma oportunidade de entrar em contratos maiores, mas também exige planejamento financeiro para sustentar a execução depois de vencer a disputa.
O empresário não precisa entender de apólice, cobertura, sinistro ou todos os detalhes técnicos de cada instrumento. Isso é trabalho de quem estrutura a garantia. O que ele precisa entender é quanto cada alternativa custa e, principalmente, o que ela consome da empresa. Dinheiro imobilizado na caução, limite bancário comprometido na fiança ou prêmio pago no seguro são decisões diferentes, ainda que todas cumpram a mesma exigência contratual.
No fim, a garantia não deveria ser tratada como uma etapa burocrática depois que a empresa já decidiu disputar um contrato. Ela faz parte da própria conta de viabilidade do negócio. Para uma pequena ou média empresa, ganhar um contrato maior só é uma vantagem se houver capital e crédito suficientes para executá-lo e, ao mesmo tempo, continuar disputando os próximos. Em um mercado de juros ainda elevados e crédito mais seletivo, saber escolher entre caução, fiança bancária e seguro garantia pode ser tão importante para crescer quanto conseguir o preço certo ou entregar uma boa proposta.
Notícias Técnicas
Receita Federal inicia o envio de cartas para contribuintes de todo o país com o objetivo de incentivar a autorregularização de quem está com a declaração IRPF 2026 retida em malha fiscal
Nova emenda constitucional impacta prazos de pagamento, atualização e mercado de cessão de créditos judiciais
Saiba quem é o responsável, as alíquotas e o prazo para recolher o IR na fonte
Desvende como o novo mecanismo tributário afeta seu caixa e operações logísticas
Como garantir objetividade e segurança jurídica na gestão de riscos ocupacionais
Resolução publicada em 5 de outubro estabelece alíquotas de 9% a 20%, conforme o produto; novo período de aplicação começa no dia 17
Orientações do CFC e ajustes no plano de contas para os novos tributos
O modelo é regulamentado pela Lei nº 6.019/1974 e exige contratação por empresa de trabalho temporário registrada no Ministério do Trabalho
Em 1º de outubro de 2026, foram publicadas notas técnicas que ajustam os leiautes fiscais ao IBS e à CBS, no âmbito da Reforma Tributária
Notícias Empresariais
É comum associarmos a excelência nos negócios a grandes resultados. Um contrato conquistado, um crescimento expressivo ou um reconhecimento do mercado
Quando o desempenho vira um formulário preenchido uma vez por ano, o RH perde a chance de corrigir rotas, desenvolver pessoas e conectar resultados individuais à estratégia do negócio
Mudanças tecnológicas, avanço da inteligência artificial e novas exigências de negócio aumentam o peso de habilidades específicas nos processos seletivos
A estabilidade na carreira de millennials passa por profundas transformações no mercado atual. Diante de incertezas econômicas e avanços tecnológicos
Melhore a gestão de contas a pagar e receber da sua microempresa
Controle suas finanças, negocie com consciência e evite armadilhas comuns para quitar débitos
Vibe coding amplia o uso de aplicações criadas com IA e traz novos desafios de segurança, governança, controle de dados e infraestrutura
O problema não está em crescer, mas sim em não ter critérios claros de retorno, caixa e capacidade de execução
O economista afirma que os bancos já estão diminuindo a oferta de crédito diante da inadimplência elevada, dos juros altos e do maior endividamento
Ibovespa cai 0,74%, acompanhando bolsas internacionais
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade