Apartir de 01/11/2026, as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) optantes do Simples Nacional devem emitir a NFS-e exclusivamente pelo Emissor Nacional (Web ou API)
Área do Cliente
Notícia
Por que freio brusco no crédito se tornou a maior ameaça para a economia
Com a Selic a 14% e a inadimplência batendo recordes, economistas alertam para uma desaceleração severa da atividade, embora projeções ainda não reflitam cenário de recessão
A desaceleração econômica projetada para 2027 é certa. Economistas concordam que o ambiente de juros altos deve restringir ainda mais a capacidade de pagamento das empresas e dos brasileiros, a inadimplência irá aumentar e o consumo, estagnar. Caso esta desaceleração ocorra de forma mais rápida que o recuo dos juros, o país poderá entrar em recessão e encarar um ano de aperto no bolso.
“As coisas estão gradualmente piorando e, se tiver um ‘sudden stop’ (parada brusca) no mercado de crédito, poderemos ter uma recessão”, afirma Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas Asset Management. Ele explica que o mercado de crédito traduz melhor o cenário de risco em que vivemos porque reflete os desequilíbrios do endividamento, da política de crédito direcionado que tira poder da política monetária e mantém a Selic alta e do ambiente fiscal ruim que fez a dívida pública subir 12 pontos percentuais em quatro anos.
Caso a desaceleração ocorra a ponto de se tornar uma recessão, o país conviveria com um cenário de menor crédito, aumento do desemprego, inflação em alta e juros acima do ideal para a economia rodar. Atualmente, a taxa Selic está em 14%.
Pistas para uma recessão
Os sinais que a economia dá e que acendem o alerta para a recessão está na perda de dinamismo da atividade ainda neste ano.
A XP reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 0,5% para 0,4%. Para a gestora, o ano de 2026 ainda deve fechar com avanço de 2% no PIB, mas em 2027, o ritmo deverá ser menor, de 1% e com viés de baixa, segundo a XP.
A agropecuária, um dos principais motores da economia, deve sofrer o baque do El Niño, o que afetará a produtividade das safras, segundo a XP.
Os estímulos fiscais, que ajudaram a segurar o consumo neste ano, devem ser reduzidos em 2027 – o mercado cobra um corte de gastos profundo para ajustar as contas do governo. Se este estímulo cair em meio a um alto endividamento e inadimplência, a desaceleração deverá ser ainda mais intensa.
“Os principais riscos que vemos para 2027 são do lado do crédito e da agropecuária”, avalia Alexandre Maluf, economista da XP. Sobre o crédito, ele destaca o elevado comprometimento de renda das famílias e a inadimplência elevada, além das menores concessões de crédito pelos bancos, “o que pode gerar uma espiral negativa”.
Do lado da agropecuária, a projeção da XP ainda é de avanço de 1,5% em 2027. “El Niño pode ser um risco baixista adicional, além, também, de uma contração mais acentuada no número de abates de bovinos”, afirma Maluf.
Igor Barenboim, economista-chefe da Reach Capital, destaca que o principal risco para um cenário mais negativo viria de fora do controle doméstico, com uma parada súbita de fluxos de capital, seja por uma crise de confiança em relação ao próximo governo, seja por um choque externo, como um agravamento do conflito no Oriente Médio. “Nesse caso, a depreciação cambial poderia impedir o Banco Central de cortar juros mesmo diante de um ambiente recessivo, criando um cenário mais desafiador de estagflação”, afirma.
Risco do crédito
A Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito (PTC) do Banco Central aponta a inadimplência e o comprometimento de renda como fatores para limitar o apetite dos bancos pela concessão de crédito ainda em 2026. E o balanço dos bancos do segundo trimestre comprova que as instituições estão fechando a torneira antes que o dinheiro fique na mão dos devedores.
Em um ambiente ainda mais desafiador em 2027, a projeção é de que haja ainda menos recursos para financiar os sonhos dos brasileiros e o crescimento das empresas.
Chermont destaca o alto número de empresas pedindo recuperação judicial e extrajudicial como indício de que a economia não está nada bem e não deve melhorar sozinha em 2027. A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24) que o Conselho de administração aprovou o ajuizamento do pedido de recuperação extrajudicial da companhia, uma semana depois da Casas Bahia e Marabraz entrarem em recuperação judicial.
Ajuste fiscal inevitável
A urgência em equilibrar as contas públicas federais é a raiz desse freio na atividade.
Para Ricardo Rocha, economista e professor do Insper, houve uma “voracidade no gasto público”, o que piorou a perspectiva econômica à frente. Ele cita que a projeção de juros futuros aponta uma redução na Selic, seguido de novo aumento de juros até 2028 próximo aos atuais 14%. A projeção de inflação também está elevada, na casa dos 5%. Sem corte de gastos, o governo seguiria estimulando a economia e pressionando a inflação, o que mantém o juro alto. “Qual é a combinação perversa? Juro alto, inflação alta. O que o governo deveria fazer? Reduzir drasticamente os gastos públicos”, afirma.
Em contrapartida, outras instituições projetam um pouso menos turbulento, afastando a tese de contração profunda. O Banco Daycoval projeta um avanço de 1,5% no PIB em 2027 e calcula que o governo precisará fazer um esforço de R$ 38 bilhões para cumprir o limite inferior do arcabouço fiscal, ou seja, só para ficar dentro da regra, sem fazer a economia necessária. A análise do banco aponta que, impulsionado por despesas obrigatórias de alto valor multiplicador como a Previdência, o impacto da política fiscal continuará positivo, de modo que o ajuste desacelera a economia, mas não a derruba.
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, reforça que os riscos de recessão são baixos, prevendo que mesmo em um cenário de ajuste fiscal mais severo, o PIB avançaria em torno de 1%.
Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV/Ibre, acompanha a leitura mais cautelosa, argumentando que ainda é cedo para cravar uma recessão, pois as previsões apontam para expansão, mesmo após anos consecutivos de crescimento.
Tobler reconhece, no entanto, que a economia vai girar mais fraca dada o inevitável ajuste de contas após os impulsos fiscais recentes. “Acho que ainda não dá para falar em recessão com os dados que a gente tem visto, mas a tendência é essa”, pondera.
Como afeta o consumidor?
O freio econômico chegará rápido ao orçamento da população. O mercado de trabalho deve perder força, limitando os ganhos de massa salarial, ainda que em ritmo menor já que o emprego é a última variável a reagir às condições de aperto. Ainda assim, a proteção é de uma taxa de desemprego maior do que a de 2026 ao final do ano que vem.
Com uma economia desacelerando, a inadimplência das pessoas físicas — que já cresceu nos últimos anos e não caiu, mesmo com a renda recorde — tende a piorar substancialmente, diminuindo ainda mais o consumo. Tobler explica que os cidadãos já encontram extrema dificuldade em enxergar melhora em seus orçamentos por estarem endividados há bastante tempo, com taxas de juros elevando as dívidas, que ficam cada vez mais caras, mês a mês.
A pressão sobre o consumidor será intensificada pela dinâmica corporativa de sobrevivência. Rocha detalha que, diante do freio na atividade e da menor arrecadação, os setores produtivos precisarão subir suas margens de lucro, enquanto a alta do desemprego inibirá os reajustes salariais.
Em um cenário com cerca de 80 milhões de pessoas devedoras no país, o professor alerta que a ausência de um forte ajuste fiscal agravará a perda de renda e trará desdobramentos ruins para o cidadão no dia a dia.
Notícias Técnicas
O Comitê Gestor na Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (CGNFS-e) divulga aos municípios, contribuintes emissores e desenvolvedores de sistemas orientações sobre o leiaute em vigor no ambiente oficial, as regras de validação para os novos tributos
O Confaz publicou três novos convênios ICMS, aprovados durante a 433ª Reunião Extraordinária, realizada em 27 de outubro de 2026
A Receita Federal prorrogou para 30 de dezembro de 2026 o prazo de adesão às modalidades de transação tributária previstas nos Editais RFB nº 9 e nº 10, ambos de 13 de julho de 2026
A Solução de Consulta COSIT nº 208/2026 reconheceu a possibilidade de dedução, no lucro real, de despesas com royalties pelo uso de marcas pagos a empresas que possuem sócios pessoas físicas em comum, desde que não integrem o quadro societário da pagadora
A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS aprovaram novas especificações técnicas para documentos fiscais eletrônicos, incluindo NF-e, NFC-e, CT-e e outros modelos. As atualizações adequam leiautes e regras de emissão à implementação do IBS e da CBS
A IN RFB nº 2.346/2026 regulamenta a autorregularização de débitos tributários para empresas com Selos Confia e Sintonia, permitindo quitar valores sem multa de mora, à vista, em até 60 parcelas ou por compensação
A Resolução Gecex nº 976/2026 atualiza as alíquotas do Imposto de Importação para produtos classificados nas NCMs 7005.29.00, 7610.90.00 e 7615.10.00, com percentuais de até 35%
Programa está disponível no site da Receita Federal; comunicado foi atualizado em 28 de outubro, mas mantém data original de publicação em julho
Normas alteram regras que definem o valor do imposto cobrado por unidade de combustível e estabelecem novos parâmetros para 2027
Notícias Empresariais
A contabilidade gerencial transforma dados financeiros e operacionais em informações estratégicas para a tomada de decisões. O desafio está em garantir que os indicadores de desempenho reflitam as reais necessidades e prioridades do negócio
Tecnologia e inteligência artificial dependem de fluxos claros, dados confiáveis e responsabilidades bem definidas para gerar resultados
Entenda as diferenças entre reembolso e cartão corporativo, os impactos para funcionários e gestores e o que avaliar antes de escolher
Mais de 90% da capitalização global está representada por empresas que divulgam dados de sustentabilidade, segundo a OCDE
Recurso de até R$ 5 mil busca alavancar os negócios dos microempreendedores individuais
Página de perguntas e respostas da PGFN, atualizada em 28 de outubro, informa que regulamentação será editada pelos dois órgãos; benefício está previsto para janeiro de 2027
Recursos equivalem a 1% dos valores garantidos pelo Fundo de Garantia de Operações; cerca de R$ 5 milhões devem financiar iniciativa para apoiar organizações do setor
O crescimento das plataformas digitais modificou a maneira como as pessoas descobrem, avaliam e escolhem empresas
Black Friday, feriados nacionais e datas de conscientização estão entre os eventos que podem orientar as estratégias comerciais e o planejamento dos pequenos negócios no mês
Para ministro, medida pode elevar arrecadação em até R$ 4 bilhões
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade