Fiscalização da Receita Federal analisou pedidos de ressarcimento e compensação em diferentes estados e identificou créditos considerados incompatíveis com a legislação tributária
Área do Cliente
Notícia
Pequena e médias empresas enfrentam dificuldades para aproveitar acordo Mercosul-UE
Enquanto grandes exportadoras avançam, pequenas e médias empresas buscam orientação para identificar benefícios e cumprir exigências
Pequenas e médias empresas brasileiras ainda tentam entender como poderão se beneficiar do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Enquanto grandes exportadoras já revisam contratos, sistemas internos e estratégias de exportação para aproveitar a redução de tarifas, companhias menores têm dificuldade para identificar os produtos beneficiados, as exigências que precisarão cumprir e os procedimentos necessários para acessar os novos benefícios.
O desafio vai além de conhecer as novas alíquotas. Para usufruir das preferências comerciais, as empresas precisam verificar se seus produtos terão eliminação imediata das tarifas ou cronogramas graduais de redução, entender se estarão sujeitos a cotas de exportação, comprovar a origem das mercadorias, adaptar sistemas internos de controle e atender a exigências regulatórias, sanitárias e ambientais da União Europeia. Em alguns casos, quem conseguir se adequar mais rapidamente poderá ocupar primeiro cotas anuais limitadas de exportação.
A corrida ocorre pouco mais de dois meses após o início da aplicação provisória do acordo, em vigor desde 1º de maio. Embora a implementação definitiva ainda dependa da conclusão dos trâmites institucionais na União Europeia, incluindo manifestação do Parlamento Europeu após a análise da Corte de Justiça da UE, as preferências comerciais já estão sendo aplicadas pelos dois blocos.
Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, as exportações brasileiras para a UE já cresceram US$ 2 bilhões nos dois primeiros meses de vigência provisória do acordo, segundo levantamento da ApexBrasil, comparando dados dos meses de maio e junho de 2025 com 2026.
Na avaliação de advogados que assessoram empresas exportadoras, o principal gargalo hoje não é jurídico, mas operacional. Diante desse cenário, o governo prepara uma ofensiva para acelerar a adaptação das empresas, especialmente das Pequenas e médias empresas, enquanto entidades empresariais e escritórios especializados intensificam ações de orientação.
Ainda que provisório, o tratado elimina de imediato as tarifas de aproximadamente 5.000 produtos brasileiros exportados à União Europeia, prevê cronogramas graduais para milhares de outros itens e cria oportunidades tanto para a ampliação das exportações quanto para investimentos e reorganização das cadeias produtivas entre os dois blocos.
“A implementação pegou as empresas desprevenidas. Podemos ter um risco de demorar para usufruir dos benefícios que vêm do acordo”, afirmou Francisco Negrão, sócio da área de comércio internacional do Trench Rossi Watanabe.
Segundo ele, muitas companhias ainda não conseguiram mapear quais de seus produtos terão tarifa zerada imediatamente, quais seguirão cronogramas de redução e quais dependerão de cotas. “Sentimos muito a temperatura do grau de conhecimento das empresas, do grau de preparação e de algum nível de implementação de medidas por parte das empresas”, disse.
Em parte dos produtos, o acordo prevê cotas de exportação. Nesses casos, a redução ou isenção da tarifa vale apenas até um volume máximo de embarques definido anualmente. Depois que esse limite é atingido, novas exportações continuam autorizadas, mas voltam a pagar a tarifa normal de importação.
Essa adaptação pode fazer diferença porque parte dos benefícios do acordo depende da ocupação de cotas anuais de exportação. “Quem se mexer primeiro vai poder usufruir dessas reduções, que são finitas a cada ano”, afirma. Como exemplo, ele diz que “para um dos produtos, a Argentina já esgotou a cota no primeiro mês”.
Negrão afirma que as empresas também precisam revisar classificações fiscais, adaptar sistemas internos para comprovação de origem e implementar mecanismos de rastreabilidade e conformidade regulatória. “Comprovação de origem é absolutamente fundamental. Isso aumenta o acesso, mas aumenta o risco, caso não cumpra com as regras de origem.”
Para acessar os benefícios do acordo, não basta que o produto seja exportado pelo Brasil. A empresa precisa comprovar que a mercadoria atende aos critérios de origem definidos no tratado, demonstrando que foi efetivamente produzida ou suficientemente transformada no Mercosul. Sem essa comprovação, a exportação pode perder o direito às tarifas reduzidas.
Segundo ele, o movimento já começou entre grandes exportadoras de setores como proteína animal, alimentos, máquinas e metalurgia, mas ainda avança lentamente entre empresas menores. “Você tem empresas menores, pequenas e médias, que ainda estão tomando pé e correm o risco de perder a janela do primeiro entrante.”
O diagnóstico também aparece nas conversas do governo com o setor privado. Segundo a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Prazeres, a entrada em vigor do acordo ocorreu “de maneira muito expedita”, o que exige um esforço concentrado para disseminar informações às empresas.
“Estamos diante da implementação do maior acordo comercial da história do Mercosul. O governo está trabalhando com diversos parceiros para garantir que a informação chegue a quem precisa dela, para fazer com que o setor privado se enxergue no acordo, para fazer com que os exportadores brasileiros se apropriem do acordo”, afirmou à reportagem.
Segundo ela, o ministério já elaborou trabalhos para capacitação, com guias sobre regras de origem, manuais de desgravação tarifária, plataformas para consulta de tarifas por produto e painéis de oportunidades por estado. A estratégia também envolve parcerias com Sebrae, ApexBrasil e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) para ampliar a orientação às empresas. “A tarifa abre a porta, mas a regulação é que vai permitir avaliar quão fácil é atravessar essa porta”, disse.
Na ApexBrasil, a percepção é semelhante. O presidente da agência, Laudemir André Müller, afirmou que muitas empresas ainda desconhecem detalhes básicos do tratado. “A gente percebe que muitas empresas não sabem que o acordo existe e que ele está vigente. E mesmo dentro os que sabem, muitos não sabem qual é o caso específico dele.”
Segundo Müller, uma das principais dúvidas dos empresários é entender como as novas regras afetam seus próprios produtos. “A tarifa do meu produto caiu para zero? Caiu para oito? Vale quando? A gente tem de traduzir, esclarecer e levar isso”, afirma. Para isso, a Apex desenvolveu painéis que permitem consultar, por produto e por estado, os cronogramas de redução tarifária e as oportunidades abertas pelo acordo.
Notícias Técnicas
O DANFSe passa a contar com um bloco específico para IBS e CBS, acompanhando as mudanças da Reforma Tributária
Sistema terá declaração pré-preenchida e será adaptado para a apuração do IBS e da CBS a partir de 2027.
Importadores terão de informar local da operação de consumo e outros tributos por item; códigos CST e cClassTrib passarão a ser definidos pelo próprio sistema
Regra impede que empresa que recebeu ressarcimento volte a recolher IBS e CBS pelo regime único no ano corrente e no seguinte; demais tributos permanecem no Simples
Receita Federal adia em duas semanas a implantação do novo esquema e mantém 31 de agosto como prazo para entrega do 1º semestre de 2026
Entenda como a decisão do Supremo impacta empresas e o planejamento tributário na Reforma Fiscal
O CARF reconheceu a decadência e impediu o Fisco de revisar o IRPJ de 2015 após o prazo legal de cinco anos, garantindo decisão favorável ao contribuinte
O Split Payment muda a forma de recolhimento do IBS e da CBS e pode impactar diretamente o fluxo de caixa e o capital de giro das empresas
Essa gestão pode influenciar o cumprimento das obrigações previdenciárias e contribuir para reduzir riscos e inconsistências nas informações enviadas pelas empresas
Notícias Empresariais
Vender mais é uma boa notícia. Mas o crescimento começa a cobrar seu preço quando processos, pessoas e decisões não conseguem acompanhar o novo tamanho da operação
Sobrecarga não aparece apenas como cansaço. Antes disso, ela pode surgir em decisões apressadas, esquecimentos e pequenas falhas cometidas por profissionais que normalmente apresentam ótimo desempenho
Em operações espalhadas pelo país, autonomia local é necessária. O problema começa quando cada unidade passa a contratar, avaliar e liderar de um jeito tão diferente que a empresa deixa de parecer uma só
Entenda as diferenças entre MEI, SLU e Sociedade Limitada para garantir segurança jurídica e organização financeira
Com dívidas em patamares elevados, restrição ao crédito e juros altos, atrasos de pagamento afetam famílias, vendas e a saúde financeira dos negócios
Abrir um negócio é rápido; construir uma empresa exige gestão, disciplina, capacidade financeira e persistência para superar desafios e manter a operação sustentável
Programa permite renegociar dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal; veja quem tem direito, condições e como fazer o acordo
Levantamento do primeiro semestre de 2026 revela que empreendedores priorizam capacitações em finanças, marketing, liderança, atendimento e inteligência emocional
Consenso rápido costuma transmitir eficiência, mas equipes em que ninguém questiona decisões podem estar trocando pensamento crítico por conformidade
A multipotencialidade pode se tornar uma vantagem competitiva quando diferentes competências são integradas de forma estratégica e comunicadas com clareza, gerando valor para profissionais e organizações
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade