Fiscalização da Receita Federal analisou pedidos de ressarcimento e compensação em diferentes estados e identificou créditos considerados incompatíveis com a legislação tributária
Área do Cliente
Notícia
Educação financeira: separar as finanças pessoais das empresariais é essencial para a saúde do negócio
Contadora explica erros comuns e passos para uma gestão financeira eficiente
Misturar o dinheiro da empresa com as despesas pessoais ainda é um erro comum entre pequenos empresários e microempreendedores. Embora essa prática possa parecer inofensiva no início do negócio, ela pode comprometer o controle financeiro, dificultar a análise dos resultados e até colocar em risco a continuidade da empresa.
Segundo a contadora e conselheira do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ), Tamires Barbosa, a falta de separação entre as finanças pessoais e empresariais impede que o empreendedor tenha uma visão real sobre a situação do negócio.
“Quando o empresário utiliza a mesma conta para receber dos clientes, pagar fornecedores e, ao mesmo tempo, arcar com supermercado, lazer, cartão de crédito e outras despesas pessoais, ele perde a capacidade de identificar quanto a empresa realmente gera de resultado”, explica.
Um dos principais equívocos, segundo a especialista, é acreditar que todo o dinheiro que entra na conta da empresa está disponível para uso pessoal.
“Faturamento não significa lucro. Uma empresa pode faturar R$ 20 mil em determinado mês, por exemplo, mas ainda precisa pagar impostos, fornecedores, funcionários, aluguel, sistemas e todas as demais despesas da operação. Só depois de considerar esses custos é possível analisar efetivamente o resultado do negócio”, destaca Tamires.
Outro erro frequente é tomar decisões apenas com base no saldo disponível na conta bancária.
De acordo com Tamires Barbosa, o empresário precisa entender que parte daquele dinheiro pode já estar comprometida com obrigações futuras.
“Às vezes, o empreendedor olha a conta da empresa, vê um saldo positivo e entende que pode retirar aquele valor. Mas pode haver impostos que vencem na semana seguinte, fornecedores a pagar ou outras despesas programadas. Por isso, olhar apenas o saldo bancário pode trazer uma falsa sensação de disponibilidade financeira.”
A mistura das contas também dificulta saber se a empresa realmente é lucrativa.
Quando despesas pessoais são pagas diretamente com recursos da pessoa jurídica, o empresário pode ter dificuldade para identificar quanto custa manter a operação e quanto efetivamente está sendo consumido por retiradas particulares.
“Sem organização, o empreendedor pode chegar ao fim do mês sem saber se a empresa não deu lucro ou se simplesmente houve retiradas pessoais excessivas. Essa falta de informação prejudica qualquer planejamento”, afirma.
Para a contadora, o primeiro passo é criar uma divisão clara entre a pessoa física e a pessoa jurídica.
“É importante que a empresa tenha uma conta própria e que os recebimentos e pagamentos relacionados ao negócio sejam feitos por ela. Da mesma forma, as despesas pessoais devem permanecer na conta pessoal do empresário.”
Além da separação bancária, é necessário estabelecer uma rotina de controle financeiro.
Registrar entradas e saídas, acompanhar contas a pagar e a receber, reservar recursos para impostos e evitar retiradas aleatórias são algumas das práticas que ajudam a organizar a gestão.
“Não adianta simplesmente abrir uma conta PJ e continuar pagando todas as despesas pessoais com o cartão da empresa. A separação precisa acontecer também no comportamento do empreendedor”, ressalta Tamires.
Outro ponto importante é definir como o empresário será remunerado.
Em vez de retirar dinheiro da empresa sempre que houver saldo disponível, é recomendável estabelecer critérios e planejamento.
Segundo Tamires, a definição das retiradas deve considerar a capacidade financeira da empresa e também a orientação contábil.
“O ideal é que o empresário tenha organização sobre suas retiradas e não utilize o caixa da empresa como uma extensão da sua conta pessoal. Dependendo da estrutura do negócio, podem existir pró-labore, distribuição de lucros e outras situações que precisam ser corretamente analisadas e registradas.”
Ela lembra ainda que pró-labore e distribuição de lucros possuem conceitos distintos.
“O pró-labore corresponde, de forma geral, à remuneração do sócio pelo trabalho desenvolvido na empresa. Já a distribuição de lucros está relacionada ao resultado efetivamente apurado pelo negócio. Por isso, é importante contar com orientação contábil para realizar essas retiradas de forma adequada.”
Mesmo os microempreendedores individuais precisam adotar controles financeiros.
Embora o MEI tenha uma estrutura tributária mais simplificada, isso não significa que o empreendedor deva misturar completamente sua vida financeira pessoal com a atividade empresarial.
“O MEI também precisa saber quanto fatura, quanto gasta para exercer sua atividade e quanto efetivamente sobra. Essa organização permite entender se o negócio está crescendo, se os preços cobrados estão adequados e até se aquela atividade está se aproximando de uma mudança de porte empresarial”, explica.
Para Tamires, criar esse hábito desde o início evita problemas quando a empresa começa a crescer.
“É muito mais fácil começar organizado do que tentar reconstruir toda a movimentação financeira depois que o negócio já aumentou de tamanho.”
Para a especialista, o papel do contador nesse processo vai além da emissão de guias e do cumprimento de obrigações tributárias.
“O contador possui informações que podem ajudar o empresário a compreender melhor a situação da empresa. Quando existe organização financeira e contábil, conseguimos analisar resultados, identificar pontos de atenção e fornecer informações importantes para a tomada de decisão.”
A falta de separação entre as contas pessoais e empresariais, por outro lado, pode comprometer a qualidade dessas informações.
“Quanto mais organizada estiver a movimentação da empresa, mais confiáveis serão os dados utilizados para analisar o negócio.”
Para quem está começando a empreender, a principal orientação é não esperar o crescimento da empresa para organizar as finanças.
“O empresário precisa entender desde o início que o dinheiro que entra na empresa não é automaticamente o dinheiro que ele pode gastar. Separar as finanças pessoais das empresariais é um dos primeiros passos para construir um negócio sustentável e tomar decisões com mais segurança”, conclui Tamires Barbosa.
Notícias Técnicas
O DANFSe passa a contar com um bloco específico para IBS e CBS, acompanhando as mudanças da Reforma Tributária
Sistema terá declaração pré-preenchida e será adaptado para a apuração do IBS e da CBS a partir de 2027.
Importadores terão de informar local da operação de consumo e outros tributos por item; códigos CST e cClassTrib passarão a ser definidos pelo próprio sistema
Regra impede que empresa que recebeu ressarcimento volte a recolher IBS e CBS pelo regime único no ano corrente e no seguinte; demais tributos permanecem no Simples
Receita Federal adia em duas semanas a implantação do novo esquema e mantém 31 de agosto como prazo para entrega do 1º semestre de 2026
Entenda como a decisão do Supremo impacta empresas e o planejamento tributário na Reforma Fiscal
O CARF reconheceu a decadência e impediu o Fisco de revisar o IRPJ de 2015 após o prazo legal de cinco anos, garantindo decisão favorável ao contribuinte
O Split Payment muda a forma de recolhimento do IBS e da CBS e pode impactar diretamente o fluxo de caixa e o capital de giro das empresas
Essa gestão pode influenciar o cumprimento das obrigações previdenciárias e contribuir para reduzir riscos e inconsistências nas informações enviadas pelas empresas
Notícias Empresariais
Vender mais é uma boa notícia. Mas o crescimento começa a cobrar seu preço quando processos, pessoas e decisões não conseguem acompanhar o novo tamanho da operação
Sobrecarga não aparece apenas como cansaço. Antes disso, ela pode surgir em decisões apressadas, esquecimentos e pequenas falhas cometidas por profissionais que normalmente apresentam ótimo desempenho
Em operações espalhadas pelo país, autonomia local é necessária. O problema começa quando cada unidade passa a contratar, avaliar e liderar de um jeito tão diferente que a empresa deixa de parecer uma só
Entenda as diferenças entre MEI, SLU e Sociedade Limitada para garantir segurança jurídica e organização financeira
Com dívidas em patamares elevados, restrição ao crédito e juros altos, atrasos de pagamento afetam famílias, vendas e a saúde financeira dos negócios
Abrir um negócio é rápido; construir uma empresa exige gestão, disciplina, capacidade financeira e persistência para superar desafios e manter a operação sustentável
Programa permite renegociar dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal; veja quem tem direito, condições e como fazer o acordo
Levantamento do primeiro semestre de 2026 revela que empreendedores priorizam capacitações em finanças, marketing, liderança, atendimento e inteligência emocional
Consenso rápido costuma transmitir eficiência, mas equipes em que ninguém questiona decisões podem estar trocando pensamento crítico por conformidade
A multipotencialidade pode se tornar uma vantagem competitiva quando diferentes competências são integradas de forma estratégica e comunicadas com clareza, gerando valor para profissionais e organizações
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade