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Benefícios pet ganham espaço nas estratégias de RH
Com foco em bem-estar, retenção e personalização da experiência do colaborador, empresas ampliam a oferta de benefícios voltados aos animais de estimação
Os benefícios corporativos passam por um processo de transformação no Brasil. À medida que as empresas buscam construir propostas de valor mais conectadas ao estilo de vida dos colaboradores, iniciativas antes consideradas alternativas começam a ganhar espaço nas estratégias de gestão de pessoas. Entre elas, os benefícios voltados aos pets despontam como uma tendência associada à personalização, ao bem-estar e à retenção de talentos.
O movimento acompanha uma mudança observada nos lares brasileiros, onde os animais de estimação ocupam papel cada vez mais relevante na dinâmica familiar. Com isso, temas relacionados à saúde, qualidade de vida e cuidado com os pets deixam de ser uma preocupação exclusivamente individual e passam a fazer parte das discussões sobre benefícios corporativos.
Uma pesquisa recente da Gupy indica que o plano de saúde pet é o benefício mais desejado entre aqueles voltados aos animais de estimação, citado por 56,4% dos participantes. O levantamento também aponta que 85,7% dos respondentes acreditam que benefícios pet contribuem para a retenção e satisfação dos colaboradores. Além disso, 72,9% associam esse tipo de iniciativa a empresas mais preocupadas com bem-estar e qualidade de vida.
Para Luana Horchuliki, sócia e diretora de Gente e Gestão da Gupy, o avanço desse tipo de benefício reflete uma mudança mais ampla na forma como as organizações compreendem as necessidades dos profissionais.
“O Brasil é o terceiro país do mundo com a maior população de pets, e esse dado começa a se refletir no ambiente corporativo. Os benefícios deixaram de seguir um modelo único e passaram a refletir os diferentes momentos de vida e prioridades dos profissionais. O crescimento do interesse por benefícios voltados aos pets mostra como as empresas estão ampliando o olhar sobre bem-estar, reconhecendo que os animais de estimação fazem parte da rotina e da estrutura familiar de muitas pessoas”, afirma.
Segundo ela, quando a organização demonstra sensibilidade para essas necessidades, fortalece o vínculo com os colaboradores e contribui para uma experiência mais positiva no trabalho.
A maior atenção das empresas ao tema também começa a aparecer na contratação de soluções corporativas. Na Dog Life, empresa focada em planos de saúde pet no Brasil, a demanda por planos corporativos para animais de estimação registrou crescimento de dez vezes no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
Para Pedro Filizzola, CMO da Dog Life, CatLife e Pet Life, o avanço está relacionado ao papel emocional e financeiro que os pets passaram a ocupar na vida das famílias.
“Os pets passaram a ocupar um papel central na vida de milhões de brasileiros. Isso faz com que temas relacionados à saúde, bem-estar e qualidade de vida dos animais deixem de ser uma preocupação individual e passem a integrar também as discussões sobre benefícios e experiência dos colaboradores dentro das empresas”, afirma.
Além da procura crescente, os dados sugerem que os benefícios pet podem influenciar a percepção dos profissionais sobre as organizações. De acordo com a pesquisa da Gupy, 41% dos entrevistados afirmam que esse tipo de benefício pode influenciar a escolha entre duas oportunidades de trabalho semelhantes. O dado reforça o potencial dessas iniciativas como instrumento complementar de atração e retenção de talentos.
No contexto de gestão de pessoas, a tendência se conecta ao avanço dos pacotes de benefícios flexíveis e personalizados. Em vez de oferecer soluções padronizadas, muitas empresas buscam compreender diferentes perfis, composições familiares, momentos de vida e prioridades dos colaboradores. A intenção é ampliar o valor percebido dos benefícios e fortalecer a proposta de experiência oferecida pela organização.
“As empresas perceberam que oferecer benefícios relevantes é uma forma importante de fortalecer a cultura organizacional e a conexão com seus times. Quando falamos de pets, estamos falando de um vínculo emocional muito forte, que influencia decisões financeiras, rotina e qualidade de vida dos colaboradores”, avalia Filizzola.
Segundo o executivo, o crescimento observado mostra que os benefícios pet deixaram de ser um diferencial pontual e passaram a integrar uma tendência mais ampla de personalização da experiência do colaborador.
Apesar do avanço, especialistas em gestão de pessoas observam que a adoção desse tipo de benefício deve estar alinhada ao perfil da força de trabalho e à estratégia da empresa. Benefícios corporativos tendem a gerar maior impacto quando respondem a necessidades reais dos colaboradores e são comunicados de forma clara, dentro de uma política consistente de valorização e cuidado.
Para Luana, da Gupy, o tema deve ganhar relevância nos próximos anos à medida que empresas busquem se diferenciar em um mercado de trabalho competitivo.
“Em um mercado cada vez mais competitivo, os benefícios exercem um papel importante na atração e permanência de talentos, mas o diferencial está em oferecer soluções que façam sentido para a realidade dos colaboradores. Os benefícios pet ilustram uma tendência maior de personalização da experiência do colaborador, na qual as empresas buscam compreender melhor seus times e construir uma proposta de valor mais conectada às necessidades reais das pessoas”, complementa.
A expectativa é que os benefícios voltados aos pets avancem em paralelo ao crescimento do mercado pet e à evolução das estratégias de bem-estar corporativo. Mais do que uma ação isolada, o movimento sinaliza uma mudança na forma como as organizações interpretam qualidade de vida, engajamento e vínculo emocional no ambiente de trabalho.
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