Apartir de 01/11/2026, as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) optantes do Simples Nacional devem emitir a NFS-e exclusivamente pelo Emissor Nacional (Web ou API)
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Notícia
O imediatismo das novas gerações pode ser uma vantagem
A geração que quer tudo para ontem; e como isso pode ser a melhor coisa para a sua empresa
Vivemos um momento muito particular no mercado de trabalho: cinco gerações convivem no mesmo ambiente profissional. Baby Boomers, Geração X, Millennials, Geração Z e, agora, a Geração Alpha começa a se aproximar desse cenário. Esse encontro, cada vez mais documentado por estudos sobre o futuro do trabalho, representa uma das transformações mais desafiadoras — e também mais enriquecedoras — para quem lidera pessoas.
Segundo pesquisa da Deloitte (2024), cerca de 70% das empresas globais já contam com pelo menos três gerações trabalhando lado a lado. No Brasil, estudos da PwC Brasil em parceria com a FGV EAESP mostram que 95% dos profissionais reconhecem os benefícios da convivência entre diferentes faixas etárias. Já pesquisas do Boston Consulting Group indicam que empresas com maior diversidade geracional obtêm 19% mais receita proveniente da inovação. Na Whirlpool, essa realidade também faz parte do nosso dia a dia.
Se, por um lado, as novas gerações carregam o frescor de quem nasceu em um ambiente marcado pelo dinamismo digital, por outro trazem um traço bastante característico: o imediatismo. É um comportamento moldado por uma vida inteira de respostas instantâneas, do streaming ao acesso ilimitado ao conhecimento com apenas um clique.
Somado a isso, a cultura da comparação, intensificada pelas redes sociais, leva muitos jovens a medirem seu sucesso pelo que observam na trajetória de outras pessoas, muitas vezes baseada em realidades artificiais ou inalcançáveis.
Esse fenômeno, amplamente estudado no meio acadêmico, aumenta a pressão por resultados rápidos e modifica a forma como muitos profissionais iniciam suas carreiras: querem acelerar, conquistar e transformar em ritmo exponencial. Ao mesmo tempo, muitos deles sequer têm como objetivo ocupar cargos de liderança. Trata-se de uma nova forma de enxergar o sucesso profissional.
Lembro-me de um episódio que ficou marcado. Um estagiário me perguntou, com toda a seriedade, qual era, afinal, a diferença entre ele e o presidente da companhia. Minha resposta foi simples e verdadeira: humanamente, absolutamente nenhuma. O que muda é a quilometragem. Existem aprendizados — como liderar em momentos de crise ou tomar decisões sob extrema pressão — que somente a experiência é capaz de proporcionar.
A verdade é uma só: a experiência continua sendo insubstituível.
E é justamente nesse ponto que está um dos principais papéis da liderança e da área de Recursos Humanos: criar oportunidades para que as novas gerações acelerem seu aprendizado sem abrir mão da jornada. É necessário construir ambientes em que os talentos se sintam desafiados e, ao mesmo tempo, apoiados. Isso exige um RH protagonista, capaz de ir além da gestão de processos para atuar como arquiteto da cultura organizacional, conectando expectativas individuais ao propósito coletivo.
Na Whirlpool, o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) tornou-se uma das principais ferramentas dessa estratégia. Ele permite que cada colaborador estabeleça objetivos de crescimento personalizados, alinhando aspirações profissionais ao nosso Modelo de Liderança, com metas de curto prazo — voltadas às competências técnicas — e de longo prazo, relacionadas à liderança, resiliência e desenvolvimento comportamental.
Apoiado por treinamentos e conversas frequentes de desenvolvimento, o PDI funciona como um guia vivo, atualizado conforme as metas evoluem. O resultado é evidente: profissionais mais preparados, engajados e capazes de impulsionar a competitividade e a inovação da organização.
O caminho não está em combater o imediatismo, mas em direcioná-lo.
Empresas precisam transformar essa energia em uma força propulsora de inovação e adaptabilidade. Ao formar equipes multidisciplinares e colocar jovens à frente de projetos de transformação digital, aproveitamos sua agilidade e familiaridade com a tecnologia para gerar resultados rápidos e relevantes.
O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, reforça essa tendência ao apontar que os profissionais mais valorizados serão aqueles capazes de combinar domínio técnico, aprendizado contínuo e liderança em processos de mudança. Essa disposição para aprender rapidamente é uma característica que as novas gerações possuem em abundância.
Por outro lado, cabe às organizações estruturar programas consistentes de desenvolvimento, como iniciativas de mentoria intergeracional, nas quais a experiência dos profissionais mais seniores orienta o dinamismo dos mais jovens, enquanto estes compartilham novas perspectivas, repertório digital e formas diferentes de resolver problemas. É uma troca de conhecimento de valor inestimável.
Além disso, o uso de dados para personalizar trilhas de carreira e criar espaços permanentes de diálogo sobre desempenho ajuda a alinhar expectativas e reforça que o crescimento sustentável depende tanto do desenvolvimento técnico quanto da maturidade comportamental.
A convivência entre diferentes gerações no ambiente de trabalho representa, sem dúvida, um grande desafio. Mas também constitui uma oportunidade inédita de aprendizado coletivo.
Se conseguirmos equilibrar a energia transformadora dos mais jovens com a sabedoria acumulada dos profissionais mais experientes, construiremos organizações mais diversas, inovadoras, adaptáveis e preparadas para enfrentar os desafios do futuro.
No fim das contas, o que realmente nos diferencia não é a idade, mas a forma como escolhemos aprender, evoluir e nos reinventar juntos.
Cabe às lideranças e às empresas abraçar essa diversidade geracional, investindo na construção de pontes entre experiências distintas e valorizando cada etapa da jornada profissional. É assim que será possível construir um futuro mais colaborativo, inovador e sustentável para pessoas e organizações.
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