A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Líderes estão atualizados ou apenas exaustos?
Especialista Daniel Spinelli alerta que a corrida por inteligência artificial pode transformar aprendizado em ansiedade, ampliar o burnout nas lideranças e tornar o RH curador de ambientes mais conscientes
A inteligência artificial entrou na agenda das empresas como promessa de produtividade, velocidade e competitividade. Mas, por trás do entusiasmo, existe um efeito colateral que começa a aparecer com força nos bastidores corporativos: líderes cada vez mais pressionados a aprender tudo, testar tudo e decidir rápido demais.
Para Daniel Spinelli, especialista em liderança consciente, palestrante, mentor e autor do best-seller A Potência da Liderança Consciente, a corrida por atualização em IA tem aumentado a pressão emocional porque muitos líderes passaram a operar com a sensação de que não acompanhar o ritmo da tecnologia significa perder relevância profissional.
O problema não está em aprender. Está em aprender sem critério. Quando a atualização deixa de ser estratégica e passa a ser guiada pelo medo, o desenvolvimento vira sobrevivência.
Daniel explica que esse comportamento cria um estado contínuo de alerta. Líderes consomem informação em excesso, testam ferramentas sem clareza e carregam a impressão de que nunca estão suficientemente atualizados. No curto prazo, isso aumenta a atividade. No médio prazo, cobra um preço alto: desgaste mental, perda de atenção e decisões mais reativas.
O hype da IA também adoece
A pressão por dominar novas ferramentas não nasce apenas dentro das empresas. Ela também é alimentada pelo mercado de soluções, cursos e tecnologias, que muitas vezes usa gatilhos de urgência para reforçar a mensagem de que quem não acompanhar ficará para trás.
Nesse cenário, o aprendizado deixa de ter direção. O líder tenta acompanhar tudo, absorver tudo e responder a tudo. Só que excesso de dados não é inteligência. E excesso de ferramenta não é estratégia.
Segundo Daniel, uma liderança atualizada se diferencia pela qualidade da decisão. Ela tem clareza de prioridade, sabe o que não fazer e usa tecnologia com intenção. Já a liderança sobrecarregada reage mais do que decide, muda de direção com frequência e acumula informação sem transformar conhecimento em ação consistente.
Quando tudo parece urgente, nada é prioridade
O excesso de informação fragmenta a atenção. E atenção fragmentada gera decisão reativa. Esse é um dos grandes riscos da era da IA nas empresas.
Com múltiplos dados, plataformas, tendências e promessas surgindo ao mesmo tempo, muitos líderes passam a alternar foco com frequência, tomar decisões sem reflexão suficiente e prejudicar a execução dos times.
A tecnologia, nesse caso, não organiza. Ela amplifica a desorganização já existente.
Burnout de liderança é silencioso
O burnout em líderes é mais difícil de identificar porque muitos foram treinados para sustentar situações difíceis. Continuam entregando, decidindo e mantendo a operação funcionando, mesmo quando o desgaste já está alto.
A postura de “está tudo sob controle” pode proteger a imagem, mas desconecta o líder da própria realidade interna. Daniel alerta que, com o tempo, isso gera mais repasse de pressão, menor escuta, falhas de comunicação e aumento de conflitos improdutivos.
A empresa percebe o clima mais pesado. Os times sentem a apatia. Mas nem sempre conseguem nomear o problema.
Operar melhor a própria mente virou competência estratégica
Para Daniel Spinelli, liderar na era da IA exige mais do que atualização técnica. Exige capacidade de operar melhor a própria mente.
Na prática, isso significa reconhecer estados emocionais antes de reagir, manter foco em ambientes de alta distração, tomar decisões sem entrar no automático e desenvolver autoconhecimento em situações de pressão.
Clareza, agora, é disciplina. E exige três movimentos: definir prioridades reais, criar critérios para o que entra ou não na agenda e reduzir exposição a estímulos que não agregam.
O novo papel do RH
Nesse contexto, o RH precisa evoluir de executor de políticas para curador de ambiente. Isso significa criar espaços estruturados de escuta, legitimar pausas como parte da performance e promover programas de desenvolvimento de capacidades internas, como autoliderança e liderança consciente.
A tecnologia amplia o alcance das decisões. Mas, se o líder não amplia sua qualidade interna, também amplia o impacto dos erros.
A pergunta que fica para as empresas é direta: seus líderes estão realmente preparados para usar IA com estratégia ou apenas tentando parecer atualizados enquanto adoecem em silêncio?
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