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4 dicas para pequenos negócios adotarem IA sem perder toque humano
Empreendedores que já implementaram diferentes ferramentas apontam como escolher tecnologia correta e manter caráter humanizado da operação
As ferramentas de inteligência artificial têm sido importantes aliadas para empresas em busca de eficiência operacional.
A popularidade da tecnologia tem motivado a aparição de novos entrantes na lista de opções disponíveis no mercado - a exemplo do Claude, da Anthropic, que ganhou destaque nos últimos meses tornando-se um dos aplicativos mais baixados do mundo.
Com a variedade de usos da tecnologia e a democratização do acesso, é também crescente o número de empresas de pequeno porte dispostas a investir em ferramentas similares, com foco em automação, agilidade e redução de custos operacionais.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 42% das empresas brasileiras já utilizam alguma ferramenta de IA em seu dia a dia.
Contudo, uma parcela significativa de empreendedores ainda explora essas ferramentas de maneira superficial, com foco exclusivo em automação, sem carregar valor real ao negócio.
Trata-se de um risco para qualquer negócio comprometido com uma atuação pautada em humanização, do atendimento ao cliente à execução de tarefas.
Pensando nisso, o potencial da tecnologia — especialmente da IA agêntica — deve ser tratado com cautela para que pequenos negócios não comprometam valores ligados à proximidade com o cliente, humanização e personalização da experiência.
Confira, abaixo, como empreendedores que já implementaram IA às rotinas de suas empresas o fizeram de forma gradual e colaborativa aos negócios, sem perder o fator humano.
Como usar IA na sua empresa sem perder o fator humano
1. Ir além dos chatbots
Uso comum e pioneiro da IA, os chatbots são um dos passos iniciais para a incursão da tecnologia nas pequenas empresas.
Mas, com a maturidade no uso das automações de conversas, PMEs (Pequenas e Médias Empresas) devem considerar avançar ainda mais, avaliando funções variadas que cada ferramenta proporciona.
Um exemplo é o da Minha Quitandinha, startup de tecnologia que dispõe de franquias de minimercados autônomos. A rede aposta em inteligência artificial para a gestão das unidades.
Muito além das interações por mensagem, a ferramenta escolhida funciona como um dashboard capaz de trazer visibilidade sobre vendas, fluxo de caixa, precificação de produtos e distribuição de estoque para as mais de 800 unidades pelo país.
Apesar de viabilizar um modelo de negócio baseado em automação e sem interação humana, a dinâmica ajudou a rede a fidelizar a clientela, conta o fundador.
“A utilização da ferramenta em nossas unidades trouxe ganhos significativos em agilidade no atendimento e fidelização dos consumidores. Mesmo sem intermediários durante a compra, conseguimos proporcionar uma experiência mais próxima e personalizada ao cliente”, destaca Guilherme Mauri, CEO e sócio-fundador da rede.
2. Deixe o consultivo para a equipe
“A IA deve ser utilizada para atividades básicas, operacionais e repetitivas. Já a equipe permanece focada no que realmente exige sensibilidade, empatia e conexão, como conversas importantes, gestão de relacionamentos e atendimento consultivo”, conta Fernando Horácio, fundador da Puro.Açaí, empresa que apostou na IA para agilizar processos, liberando a equipe humana para funções mais estratégicas.
A rede adotou diferentes IAs, como Gemini, do Google; Omie; e Linx Degust para melhoria de processos internos de comunicação, análise de dados e criação de documentos complexos como relatórios e apresentações comerciais. Em troca, viu melhorias na agilidade interna e no atendimento ao cliente.
A mesma estratégia foi adotada pela Anjos Colchões e Sofás, que passou a utilizar uma IA própria, batizada de AURI, para desafogar demandas de triagem no atendimento ao cliente, otimizando o tempo de times de suporte e vendas.
“Adotamos uma abordagem em que a IA complementa o atendimento humano. Ela resolve dúvidas técnicas e encaminha o contato ao WhatsApp da loja, garantindo continuidade com o vendedor, com foco direto na geração de leads para os franqueados”, explica Leonardo dos Anjos, diretor da rede.
3. Ofereça sempre uma alternativa humana
O Claude, da desenvolvedora Anthropic, se tornou o braço direito do Emagrecentro, rede voltada ao emagrecimento e estética corporal.
Apesar de trazer agilidade e dinamismo às interações com clientes, a IA é apenas um copiloto da operação, servindo de alternativa para aqueles que preferem automação — mas a opção humana continua à disposição.
“A inteligência artificial ajuda a dar velocidade e eficiência aos processos, mas o relacionamento humano continua sendo prioridade. Mantemos a possibilidade de atendimento direto com pessoas em todos os fluxos”, afirma Edson Ramuth, fundador e CEO do Emagrecentro.
4. Priorize as revisões
A Bessie Beauty Club, de salões de beleza, usa diferentes ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini, Manus e Claude para apoio em funções de gestão, atendimento e criação de conteúdo.
Um dos principais usos da IA tem sido no desenvolvimento de uma fila de espera para as unidades, enquanto na frente de criação de conteúdo, ela auxilia na criação de imagens, legendas, comunicados, roteiros, campanhas, materiais de treinamento e conteúdos para redes sociais.
Segundo Eduarda Gueiros, sócia-fundadora e diretora de marketing da empresa, um passo essencial da implementação da IA é garantir que os conteúdos sejam revistos, considerando o caráter de aprendizado contínuo e de machine learning das ferramentas na atualidade.
“Todo conteúdo e análise passam por revisão da equipe, porque a sensibilidade, o relacionamento com o cliente e as decisões estratégicas continuam sendo conduzidos por pessoas”, ressalta.
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