A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Empresas têm dados, mas ainda não entendem como seus times funcionam
O RH precisa transformar informações sobre pessoas em diagnósticos práticos, visuais e acionáveis para apoiar lideranças, melhorar clima e reduzir decisões baseadas apenas em intuição
As empresas nunca tiveram tantos dados sobre seus colaboradores. Pesquisas de clima, avaliações de desempenho, indicadores de produtividade, turnover, absenteísmo, feedbacks e ferramentas digitais passaram a fazer parte da rotina de RH. Ainda assim, muitas organizações continuam com dificuldade para responder a uma pergunta básica: como seus times realmente funcionam?
Para Marco Sinicco, CEO da RH99, RH Tech especializada no desenvolvimento e comercialização de instrumentos digitais de avaliação psicológica para Psicologia Organizacional, o problema não está na ausência de informação, mas na incapacidade de transformar dados dispersos em compreensão prática.
“Ter dados não significa ter entendimento. A maioria das empresas coleta informações fragmentadas, mas não consegue conectá-las de forma que revelem o funcionamento real das equipes”, afirma.
Segundo ele, falta uma leitura integrada e acessível do comportamento humano dentro das organizações. Sem isso, relatórios, números e indicadores podem se transformar mais em ruído do que em direção.
Empresas falam de pessoas, mas ainda decidem por intuição
O paradoxo é conhecido por muitos RHs. Nunca se falou tanto sobre cultura, liderança, experiência do colaborador e gestão de pessoas. Mas, na prática, boa parte das decisões ainda é tomada com base em percepções superficiais, impressões pessoais e intuição dos gestores.
Para Sinicco, isso acontece porque entender pessoas continua sendo difícil na rotina das empresas. Quando não existem ferramentas capazes de traduzir comportamento em algo claro e acionável, líderes recorrem ao que têm à mão: experiência, instinto e leitura subjetiva.
“O discurso evoluiu, mas a capacidade de leitura ainda não acompanhou”, diz.
Essa distância entre intenção e prática tem impacto direto na gestão. O líder pode acreditar que conhece sua equipe, mas ignorar conflitos silenciosos, talentos subaproveitados, desalinhamentos entre perfil comportamental e função, ou dificuldades de comunicação que afetam o desempenho.
Quando a empresa opera no escuro
A falta de leitura comportamental dos times afeta produtividade, clima, inovação e engajamento. Sem compreender como as pessoas funcionam em conjunto, a organização passa a operar no escuro.
Conflitos podem ser interpretados como falta de comprometimento. Baixa produtividade pode ser tratada apenas como problema de cobrança. Talentos podem ser colocados em funções incompatíveis com seus perfis. Diferenças que poderiam fortalecer o time acabam virando atrito.
“Sem essa leitura, surgem conflitos mal interpretados, talentos subaproveitados e desalinhamentos que travam a execução. Isso impacta diretamente o clima, reduz o engajamento e limita a inovação”, afirma Sinicco.
Para o RH, esse diagnóstico traz um alerta importante. Em muitos casos, os problemas de performance não nascem da falta de processo ou de cobrança, mas da falta de compreensão sobre pessoas, relações e dinâmicas de equipe.
RH precisa sair do relatório e entrar no diagnóstico
Na visão do CEO da RH99, transformar dados sobre pessoas em valor exige uma mudança de lógica. O RH precisa deixar de apenas produzir relatórios e passar a construir diagnósticos.
Isso significa organizar informações de forma visual, intuitiva e conectada à realidade do time, como um painel de controle para lideranças. O objetivo não é acumular métricas, mas ajudar o gestor a entender o que está acontecendo, por que está acontecendo e como agir.
Quando o líder compreende o “o quê” e o “porquê” dos comportamentos, consegue tomar decisões mais precisas. Pode ajustar a comunicação, rever a distribuição de tarefas, apoiar melhor determinados profissionais, prevenir conflitos e construir conversas mais efetivas.
Esse tipo de leitura aproxima o RH da estratégia. A área deixa de ser apenas guardiã de processos e passa a funcionar como uma inteligência de gestão de pessoas.
Feedback: intenção não garante segurança
Um dos exemplos mais claros da distância entre discurso e percepção aparece no tema feedback. Muitas lideranças dizem incentivar conversas abertas, mas colaboradores nem sempre se sentem seguros para falar.
Sinicco aponta um dado que ilustra o problema: enquanto 68% das lideranças afirmam estimular feedback, apenas 39% dos colaboradores dizem se sentir à vontade para fazê-lo.
Para ele, esse gap revela que muitos gestores ainda não têm consciência de como seu comportamento impacta o ambiente. O líder pode acreditar que está aberto ao diálogo, mas a equipe pode perceber sinais diferentes: medo de retaliação, julgamentos, falta de escuta ou ausência de consequência prática depois da fala.
“Segurança psicológica não se declara, se constrói. E isso exige leitura comportamental”, afirma.
Na prática, empresas que querem estimular feedback precisam ir além de campanhas internas ou treinamentos genéricos. É necessário compreender o perfil das equipes, o contexto emocional e a dinâmica das relações. Caso contrário, a intenção da liderança não se transforma em confiança.
O raio-x invisível das equipes
Conflitos recorrentes, talentos subaproveitados e desalinhamento entre perfil e função nem sempre aparecem claramente no dia a dia. Muitas vezes, esses padrões ficam escondidos em comportamentos repetidos, ruídos de comunicação e resultados abaixo do potencial.
Segundo Sinicco, eles só se tornam visíveis quando há uma leitura estruturada do comportamento. Dados organizados de forma clara mostram recorrências, tendências e relações que não seriam percebidas apenas pela observação cotidiana.
“É como ter um raio-x da organização. Você passa a enxergar o que antes era invisível”, afirma.
Ele cita a plataforma rX, da RH99, como uma proposta voltada justamente a esse tipo de leitura. A ideia é permitir que empresas visualizem padrões comportamentais de forma prática, ajudando líderes e RHs a atuarem com mais precisão.
Desenvolvimento genérico perde força
Outro ponto crítico está nos programas de desenvolvimento. Muitas empresas investem em treinamentos amplos, trilhas padronizadas e capacitações genéricas. O problema é que cada equipe tem dinâmicas, perfis e desafios diferentes.
Quando essas particularidades não são consideradas, o impacto tende a ser menor. O investimento pode ser alto, mas o resultado fica abaixo do esperado.
“Programas genéricos tratam todos como iguais em um contexto onde ninguém é”, diz Sinicco.
Para ele, o desenvolvimento precisa considerar as necessidades específicas dos times, os comportamentos predominantes, os pontos de atrito e as competências que realmente precisam ser trabalhadas. Caso contrário, a empresa corre o risco de oferecer soluções bonitas no papel, mas desconectadas da realidade.
Democratizar o comportamento organizacional
Historicamente, análises comportamentais mais profundas ficaram restritas a especialistas. O desafio agora é democratizar esse conhecimento para que líderes e equipes consigam usá-lo no dia a dia.
Para Sinicco, a chave é simplificar sem perder profundidade. Quando a análise comportamental se torna visual, intuitiva e acessível, ela deixa de ser um conteúdo técnico distante e passa a fazer parte da rotina de gestão.
Isso não significa transformar líderes em psicólogos. Significa oferecer instrumentos para que eles entendam melhor as pessoas que lideram, reconheçam padrões, ajustem abordagens e conduzam decisões com menos achismo.
Para o RH, essa democratização representa uma mudança importante. Em vez de centralizar toda a interpretação sobre pessoas, a área passa a capacitar lideranças para uma gestão mais consciente, baseada em dados e sensibilidade comportamental.
Mais cobrança ou mais compreensão?
A provocação final de Sinicco toca em uma cultura ainda muito presente nas empresas: a crença de que problemas de performance se resolvem com mais cobrança.
Para ele, muitas organizações ainda não estão totalmente preparadas para admitir que parte dos resultados ruins nasce da falta de compreensão sobre as pessoas. Quando não há leitura comportamental, a cobrança pode virar apenas pressão. E pressão, sem direção, tende a gerar medo, desgaste e queda de engajamento.
“Resultados são consequência direta de pessoas, e pessoas são complexas. Sem compreensão, a cobrança vira pressão. Com compreensão, ela vira direção”, afirma.
A mensagem é especialmente relevante para RHs que buscam fortalecer cultura, liderança e produtividade. O futuro da gestão de pessoas não dependerá apenas de ter mais dados, mais ferramentas ou mais processos. Dependerá da capacidade de transformar informação em entendimento e entendimento em ação.
No fim, o desafio das empresas não é apenas medir pessoas. É compreendê-las. E, a partir disso, criar ambientes em que talentos, diferenças e comportamentos deixem de ser fonte de ruído e passem a ser parte da estratégia de crescimento.
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