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Empresários ainda estão otimistas com a economia este ano
O novo International Business Report (IBR), da Grant Thornton, mostra que 67% dos empresários brasileiros estão otimistas com a economia nos próximos 12 meses
A nova edição do International Business Report (IBR), estudo global da Grant Thornton, empresa global de auditoria, consultoria e tributos, destaca que no Brasil, 67% dos empresários se dizem otimistas com a economia para os próximos 12 meses. Porém, houve uma redução em relação ao trimestre anterior, que apontava um percentual da ordem de 71%, refletindo uma visão levemente mais conservadora por conta do ambiente de maior instabilidade global e as incertezas inerentes de um ano de eleição presidencial.
“Ainda assim, os dados indicam continuidade nos planos de expansão: 80% das empresas esperam aumento de receita, 78% projetam crescimento da rentabilidade e 73% pretendem ampliar o número de empregados”, aponta o estudo
Para Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil, o momento exige uma leitura mais pragmática. “A queda do otimismo é reflexo de um ambiente externo mais complexo, com potenciais impactos em aumento de preços do petróleo/diesel, desabastecimento ou aumento preços dos fertilizantes e transportes. Internamente a continuidade de taxas de juros elevadas, perda do poder de compra, entre outros tem afetado negativamente a economia, com impactos concretos no consumo, nos custos e nas cadeias produtivas. As empresas seguem crescendo, mas com mais disciplina na gestão, foco em eficiência, fluxo de caixa e atenção redobrada à gestão de riscos”, afirma.
Maranhão acredita que o cenário global ajuda a explicar o movimento. Tensões geopolíticas, pressão sobre cadeias produtivas, aumento de custos logísticos e volatilidade no preço de commodities – especialmente petróleo, ouro, prata e cobre – já impactam a atividade econômica. O estudo aponta que 57% dos empresários veem a incerteza econômica como uma preocupação relevante, enquanto 51% citam disrupções geopolíticas como fator de risco para os negócios.
Os investimentos em tecnologia permanecem como prioridade para as empresas brasileiras: 87% pretendem investir na área. Mais do que digitalização, no entanto, o conceito ganha uma dimensão mais ampla, conectando-se diretamente à capacidade produtiva e energética.
“A tecnologia deixa de ser apenas um tema digital e passa a ser um eixo estratégico mais profundo, que envolve produção, energia e infraestrutura industrial. Em um cenário de pressão sobre petróleo, logística e insumos, investir em tecnologia é também uma forma de reduzir dependência externa e aumentar resiliência”, diz Maranhão.
O movimento se reflete também nos investimentos em equipamentos (63%), reforçando a modernização da base produtiva, enquanto a agenda ESG aparece em 71% das intenções de investimento. Nesse contexto, sustentabilidade passa a ser cada vez mais orientada por exigências regulatórias e de mercado, deixando de ser apenas uma agenda reputacional e ganhando peso direto na estratégia de negócios. Com incertezas climáticas, por irregularidade nas chuvas, produtores podem reduzir investimentos em compras de máquinas e expandir os plantios para próximas safras,
devido a possíveis impactos sobre a produtividade. Na análise de riscos, quando os riscos climáticos aumentam, os bancos endurecem nas suas análises para concessão de crédito; consequentemente, financiamentos tendem a ficar mais caros e as garantias também tendem a aumentar.
Cautela
Mesmo diante de um ambiente global mais incerto, a internacionalização segue como uma frente relevante: 67% das empresas esperam aumentar exportações e 65% pretendem ampliar os mercados atendidos. Ao mesmo tempo, a gestão de pessoas ganha ainda mais protagonismo, com 90% das empresas planejando aumentar salários e 75% investindo em capacitação, refletindo tanto a pressão por retenção quanto a necessidade de adaptação a um ambiente mais tecnológico.
De forma geral, o IBR Q1 2026 aponta para um empresariado mais cauteloso, diante de um cenário externo de maior volatilidade e num ano de eleição eleitoral. Para Maranhão, o curto prazo tende a seguir pressionado, com inflação, custos elevados e incertezas externas — mas esse mesmo contexto pode acelerar transformações importantes.
“O Brasil continuando tendo uma oportunidade relevante de avançar na sua capacidade produtiva e industrial em um momento em que o mundo busca diversificar cadeias e reduzir dependências. Se houver evolução em estabilidade econômica, segurança jurídica e visão de longo prazo, o país pode se posicionar de forma mais estratégica nesse novo contexto global”, afirma.
Ele conclui: “O cenário é mais desafiador, mas também é um ponto de inflexão. As empresas que conseguirem combinar disciplina no curto prazo com investimento consistente em tecnologia e capacidade produtiva estarão mais bem preparadas para crescer de forma sustentável e capturar as oportunidades que surgem nesse novo ciclo.”
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