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Glossário do Empreendedor: o que é payback
Essa métrica revela em quanto tempo um investimento se paga e ajuda a medir riscos em cenários de incerteza
Imagine o seguinte cenário: um empresário deseja investir R$ 100 mil, mas tem receio de que, ao se passarem cinco anos, não consiga recuperar o capital investido. Diante disso, entra em cena o payback, cálculo que determina quanto tempo um investimento leva para se pagar.
“É uma métrica bastante utilizada por sua objetividade e facilidade de entendimento. Ela traduz risco, em tempo, o que facilita a tomada de decisão, principalmente em cenários de incerteza”, explica Ricardo Hiraki, especialista em finanças e investimentos e CEO da Plano Fintech.
O payback funciona como um filtro inicial, usado para comparar diferentes oportunidades de investimento, avaliar o risco de exposição ao longo do tempo e entender a liquidez. Um payback rápido, ou seja, de curto prazo, é um sinal para o investidor de que aquele investimento tende a apresentar menor risco, uma vez que o capital investido fica exposto por menos tempo às variáveis do mercado.
“É muito útil em decisões rápidas, em cenários de restrição de caixa ou quando há necessidade de comparar diferentes oportunidades de investimento. Também é bastante utilizado em projetos mais incertos, nos quais recuperar o capital rapidamente é uma forma de proteção”, explica Hiraki.
De acordo com a especialista em finanças Milene Dellatore, sócia-diretora da MIDE Mesa Proprietária, projetos com payback muito longo aumentam a incerteza, já que o cenário pode mudar, os custos podem subir, a demanda cair, entre outros imprevistos que podem surgir.
Além disso, em um país como o Brasil, com juros elevados e volatilidade, o tempo de retorno do investimento se torna crucial na tomada de decisões.
Payback simples e descontado
O payback simples considera o fluxo de caixa sem ajustar o valor do dinheiro ao longo do tempo. Ou seja, no cálculo do payback simples, um investimento de R$ 1 mil hoje é tratado como R$ 1 mil daqui a três anos, sem levar em consideração a desvalorização da moeda.
No caso do payback simples, um investimento de R$ 10 mil, com rendimento de R$ 2 mil ao ano, considera que o investimento será pago em cinco anos, sem levar em conta a volatilidade do mercado nesse período.
Já o payback descontado considera taxas de desconto, como custo de capital, inflação e risco, segundo Milene, trazendo os fluxos futuros para o valor presente. Nesse caso, o payback considera uma taxa de mercado para calcular o tempo que o empresário leva para recuperar o valor investido.
Por exemplo, com uma taxa de 10% ao ano, aqueles R$ 2 mil de retorno valem menos no momento atual, fazendo com que o empresário leve mais tempo para recuperar os R$ 10 mil investidos.
“Na prática, o payback descontado é mais preciso e realista, principalmente em cenários de juros altos, pois considera o custo de oportunidade do dinheiro”, diz Hiraki.
Como funciona o cálculo do payback simples?
Segundo Hiraki, o cálculo do payback consiste em somar os fluxos de caixa positivos gerados pelo investimento ao longo do tempo até atingir o valor investido inicialmente. “Por exemplo: se você investe R$ 100 mil e recebe R$ 25 mil por ano, o payback será de 4 anos (100 ÷ 25). Ao final do quarto ano, você recuperou todo o valor investido”, explica.

Em um cenário com fluxos variáveis, com rendimento de R$ 20 mil no 1º ano, R$ 30 mil no 2º ano, R$ 30 mil no 3º e R$ 40 mil no 4º ano, ao final do 3º ano o empresário terá R$ 80 mil acumulados, faltando R$ 20 mil para recuperar o valor investido. Nesse caso, o payback é de aproximadamente três anos e meio.
Cálculo do payback descontado
Para calcular o payback descontado é necessário identificar dois novos conceitos: taxa mínima de atratividade (TMA), taxa para definir a rentabilidade mínima, como exemplo a taxa Selic, e o Valor Presente Líquido (VPL), que se refere ao valor de fluxo de caixa. Confira o cálculo considerando a taxa Selic atual de 14,75%:

Vantagens e desafios
As principais vantagens do payback são a simplicidade, por ser fácil de calcular, e o caráter intuitivo para apoiar decisões. Além disso, permite uma análise rápida de risco, priorizando investimentos com retorno mais rápido, segundo Hiraki.
Já a maior limitação do payback é que a métrica não considera o período após o retorno do investimento, segundo Milene. Ou seja, ela mostra quando o investimento é recuperado, mas não responde quanto se ganha no total, qual é a rentabilidade e se o projeto é realmente melhor no longo prazo.
“O payback simples ignora o valor do dinheiro no tempo, o que pode distorcer decisões. Deve ser considerado como um filtro inicial, e não como uma decisão final”, diz Milene.
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