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Qualidade de vida é o maior fator de desempate entre vagas para 29% dos profissionais
Pesquisa mostra que 69% buscam emprego estável e de longo prazo
Pesquisa da EDC Group com 476 pessoas de todo o país apurou que em um mercado em que salário já não resolve tudo sozinho, a qualidade de vida passou a ter peso decisivo na escolha de uma empresa: ao comparar duas ofertas com o mesmo salário, 29% dos profissionais apontam qualidade de vida como principal critério de decisão, à frente de plano de carreira (16,8%) e trabalho 100% remoto (14,5%). No outro extremo, bônus aparece como o fator menos relevante nesse desempate, com 2,9%.
Outro resultado do levantamento mostra que quando pensam no futuro profissional, 69% dizem buscar um emprego estável, com plano de carreira e vínculo de longo prazo. E, quando a pergunta sai do campo idealizado e entra no que “faz sentido” na prática, 54,2% afirmam preferir construir carreira em uma empresa, mesmo que isso exija mais tempo e dedicação. O recado é claro: o profissional continua valorizando estabilidade, mas quer que ela venha acompanhada de rotina sustentável e perspectiva concreta de crescimento.
Quando o assunto é permanência ou aceitação de uma proposta, os benefícios mais valorizados seguem combinando segurança e autonomia. Vale-alimentação/refeição (71%) e plano de saúde/odontológico (70%) lideram a lista, seguidos de bônus acordado (56%), flexibilidade de horário (54%) e modelo híbrido (34%).
A pesquisa mostra, porém, que há um descompasso importante entre o que o profissional quer e o que o mercado entrega. Enquanto os benefícios clássicos aparecem relativamente alinhados, como VA/VR e plano de saúde, os itens ligados à autonomia ainda ficam para trás. Flexibilidade de horário, por exemplo, é desejada por 54%, mas oferecida por só 32% das empresas. O mesmo acontece com trabalho remoto e, em menor grau, com o modelo híbrido.
A leitura geracional da pesquisa mostra que, embora a estabilidade continue relevante, os critérios de escolha de uma empresa mudam conforme o momento de vida. Entre vagas com o mesmo salário, qualidade de vida aparece como principal fator decisivo em todas as gerações, com destaque para a Geração X (33,68%), seguida de Geração Z (28,37%) e Millennials (27,88%). Já o plano de carreira pesa mais entre os mais jovens e adultos em consolidação profissional (17,02% na Geração Z e 19,03% entre Millennials), enquanto, entre os grupos mais maduros, crescem itens mais ligados à estrutura da função e ao contexto de trabalho.
A diferença fica ainda mais clara quando a pesquisa analisa os benefícios mais valorizados. No início da vida profissional, vale-alimentação/refeição e plano de saúde aparecem como pilares centrais: o VA/VR é citado por 74% da Geração Z e 73% dos Millennials. Conforme a idade e as responsabilidades avançam, o pacote desejado muda: plano de saúde sobe para 75% na Geração X e 79% entre Baby Boomers; bônus acordado passa de 54% entre Geração Z e Millennials para 64% na Geração X e 71% nos Boomers; e a previdência privada salta de 11% na Geração Z para 50% entre Baby Boomers. O retrato indica que o benefício ideal acompanha o estágio da carreira, indo dos itens que apoiam a rotina imediata aos que oferecem proteção e previsibilidade no longo prazo.
O levantamento também mostra que, embora homens e mulheres tenham o mesmo “top 3” de fatores decisivos, o peso dado a cada item muda. Entre as mulheres, o trabalho 100% remoto tem mais força (18,53%, contra 10,66% entre os homens), assim como o trabalho híbrido (10,34% versus 7,79%) e a flexibilidade de horários (8,19% versus 5,33%). Já entre os homens, ganha mais relevância o plano de carreira (20,08%, contra 13,36% entre as mulheres) e o bônus (4,51% versus 1,29%).
Essa diferença aparece também na composição dos benefícios mais valorizados. Mulheres dão mais peso a flexibilidade de horário (57,76%), modelo remoto (34,91%), ajuda de custo de home office (21,98%) e apoio psicológico (12,50%). Homens, por outro lado, priorizam mais previdência privada (24,59%), bônus acordado (64,34%), auxílio combustível (21,72%) e seguro de vida (15,57%).
Estudo mostra que 58% dos trabalhadores trocariam aumento por bem-estar no trabalho
Já levantamento com 3.200 trabalhadores, feito pela Reward Gateway, sugere que a lógica de compensação no ambiente profissional está mais dispersa, com fatores não financeiros ganhando peso equivalente, ou até superior, ao aumento salarial.
O dado mais emblemático do estudo é que muitos profissionais abririam mão de um reajuste de 10% para melhorar outros aspectos da experiência de trabalho. Entre eles, 58% apontam o bem-estar como prioridade, enquanto 55% valorizam líderes que demonstram cuidado real com a equipe. O recorte indica uma centralidade crescente da qualidade da gestão e da saúde emocional na avaliação do trabalho.
A autonomia também aparece como um eixo estruturante dessa mudança. Para 54% dos entrevistados, controlar a própria agenda é mais importante do que ganhar mais, e 47% priorizam a flexibilidade de local. O resultado é um deslocamento de valor: a remuneração continua relevante, mas perde exclusividade como principal moeda de troca na relação entre empregador e funcionário.
Outro ponto relevante está na dimensão de desenvolvimento. Metade dos participantes afirma preferir oportunidades de aprendizado e crescimento a um aumento imediato de salário. Já 37% destacam a importância do reconhecimento frequente, o que sugere que feedback e evolução contínua passaram a integrar a própria percepção de progresso na carreira, e não apenas bônus ou promoções pontuais.
A sensação de pertencimento fecha esse conjunto de prioridades. Para 50% dos trabalhadores, sentir que fazem parte da organização pesa mais do que um aumento salarial. Outros 47% colocam a relação com a liderança como fator decisivo, e 46% dizem valorizar empresas alinhadas aos seus valores pessoais, o que reforça a importância crescente da cultura organizacional como elemento de retenção.
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