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Apenas 16% dos brasileiros guardam para aposentadoria, e pouco em previdência privada
Maioria ainda guarda o dinheiro na poupança e criptomoedas ganham espaço, desbancando ações, títulos públicos e imóveis
Entre os brasileiros que ainda não se aposentaram, só 16% afirmam estar guardando dinheiro para a aposentadoria, mostra a 9ª pesquisa Raio X do Investidor, feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. O levantamento foi feito no fim do ano passado e entrevistou 5.832 pessoas com idade a partir de 16 anos em todo o país, com margem de erro de um ponto porcentual. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados pretendem começar a poupar para se aposentar, mas 27% disseram que não vão fazer isso.
Olhando para as idades, os mais jovens, da Geração Z, entre 16 e 29 anos, são os que estão guardando menos para se aposentar, com 12% afirmando que já começaram a economizar, enquanto o Millenials, com 30 a 44 anos, e os da Geração X, com 45 a 64 anos, são os que mais guardam, com 18% cada. Entre os mais velhos, os Boomers, com mais de 65 anos, 15% já estão guardando.
Já entre os que pretendem começar a fazer uma poupança para aposentadoria, os jovens da Geração Z aparecem como mais interessados, com 66%, ante 58% dos Millennials, 49% da Geração X e 29% dos Boomers. Já entre os que não pretendem guardar, o quadro é o inverso, com os mais velhos, os Boomers, com 56% afirmando que não vão economizar enquanto entre os mais jovens, a Geração Z, apenas 22% não estão guardando. Entre os Millennials, os que não querem guardar para a aposentadoria são 24% e, entre a Geração X, 33%.
Poupança lidera destino dos recursos
Entre as opções para guardar o dinheiro para a aposentadoria, o Raio X do Investidor mostrou que a maioria ainda escolhe a caderneta de poupança, com 32% dos entrevistados. Títulos privados vêm em seguida, com 19%, seguidos por fundos de investimento, com 16%. O destaque são as criptomoedas, preferidas por 12% dos investidores que poupam para a aposentadoria, superando de longe ações, títulos públicos e imóveis, com 8% cada.
Chama a atenção também que a previdência privada, que seria o destino lógico para os recursos para aposentadoria, apareça com 7% apenas das indicações, o penúltimo lugar, acima apenas das moedas estrangeiras, com 5%. “Os números mostram que a maioria não enxerga os fundos de previdência privada como alternativa para guardar recursos para a aposentadoria”, diz Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima. Segundo ele, o dado sugere que é preciso avaliar esse tipo de instrumento para torná-lo mais atrativo para os investidores.
Muita confiança no INSS
Já sobre o baixo investimento feito para aposentadoria, Billi considera o dado preocupante, diante da tendência de envelhecimento e da maior longevidade da população e das limitações crescentes da previdência social pública. Ele alerta também para o grande número de brasileiros que dizem que vão depender apenas do INSS na aposentadoria. A pesquisa mostra que, entre os não aposentados, 55% acham que a principal fonte de renda será o INSS. Entre os que já se aposentaram, 91% têm como principal fonte de renda a previdência social.
Billi lembra esses dados incluem muitas pessoas das classes C, D e E, para as quais o benefício social atual não está muito distante da renda durante a idade ativa, e muitas vezes com uma segurança que o trabalhador não teve, o que justificaria não se preocupar tanto com uma reserva extra. Já para as demais faixas de renda, porém, mesmo o teto do benefício do INSS é muito inferior ao necessário para manutenção do padrão de vida. “Muita gente acha que não vai ser necessário, mas quando acontecer, verá que era, ou seja, as pessoas das classes A e B terão um problema para o qual não estão se preparando”, afirma Billi.
Ele lembra que a maioria dos estudos sobre planejamento para aposentadoria leva em conta um cenário do século passado, quando as pessoas tinham uma vida profissional mais estável, com um emprego apenas durante a vida. “Hoje isso não existe mais, as pessoas não se preocupam em fazer carreira em uma empresa ou investir em estudos ou mesmo ter um emprego formal”, afirma.
Uma parte desse cenário pode ser explicado pelo perfil da população brasileira. Segundo a pesquisa, 53% da população ter um perfil mais imediatista em seus gastos, ou seja, não se preocupa tanto com o futuro. Outros 44% afirmam ter mais autocontrole e 3% não souberam responder. Os mais imediatistas são da Geração X, com 35%, seguidos dos Millennials, com 30%, da Geração Z, com 22% e dos Boomers, com 13%. Já entre as faixas de renda, a classe mais imediatista é a C, com 50%, seguida da D e E com 30% e da A e B com 20%. De acordo com o perfil financeiro, os mais imediatistas são os brasileiros sem reservas, com 59%, seguidos dos que têm caderneta de poupança, com 19%.
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