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Mercado eleva previsão da inflação para 4,36% este ano
Estimativa do Banco Central para o crescimento da economia é 1,85%
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,31% para 4,36% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira, pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Em meio às tensões causadas pela guerra no Oriente Médio, a previsão para a inflação deste ano foi elevada, pela quarta semana seguida, mas ainda se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC.
Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7% – aceleração diante do registrado em janeiro (0,33%). No entanto, o IPCA acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
A inflação de março, já com os possíveis impactos da guerra no Oriente Médio, será divulgada na próxima quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2027, a projeção da inflação subiu de 3,84% para 3,85%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,6% e 3,5%, respectivamente.
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, mês passado, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.
Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, fixada em 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes. O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 28 e 29 de abril.
Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,75% ao ano.
Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,85%.
Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o IBGE. Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.
No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,45.
Para economista, tensão global ameaça PIB e reduz espaço para corte de juros
De acordo com André Matos, CEO da MA7 Negócios, “os dados mais recentes do Boletim Focus mostram um cenário de inflação ainda pressionada no curto prazo, com expectativas que demoram a convergir totalmente para a meta, refletindo tanto fatores domésticos quanto o ambiente externo mais incerto.”
“A tensão internacional, especialmente envolvendo commodities e câmbio, já começa a influenciar essas projeções e pode, sim, afetar o PIB ao reduzir previsibilidade, encarecer o custo de capital e frear decisões de investimento; nesse contexto, o principal alerta do Focus é a combinação de inflação resistente com crescimento moderado, o que exige cautela do Banco Central e mantém o ciclo de juros dependente de dados e mais lento; para o mercado, isso reforça um ambiente de maior seletividade, com impacto direto sobre crédito, investimento e alocação de recursos no Brasil.”
Já para Fabio Louzada, CEO da B7 Business School, “o Focus mostra um cenário que exige mais preparo técnico de quem atua no mercado financeiro. A inflação projetada para 2026 subiu para 4,36%, a Selic ficou em 12,50% e o PIB seguiu em 1,85%.”
“Na prática, isso significa uma economia que continua andando, mas com mais pressão de preços e menos espaço para erro. A tensão externa contribui para isso ao mexer com commodities, dólar e custo de capital, o que aumenta a complexidade das decisões de empresas e investidores. O PIB pode ser afetado pela via da confiança, porque em cenários mais incertos as decisões ficam mais lentas e mais seletivas”, avalia.
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