A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Educação financeira ganha força no Brasil e muda forma de investir
Especialista explica como organizar as finanças e evitar erros comuns ao começar a investir
O interesse dos brasileiros por investimentos deixou de ser tendência e virou comportamento. Com mais acesso à informação e a plataformas digitais, muitas pessoas passaram a olhar para o próprio dinheiro com mais atenção — mas nem sempre com estratégia.
Segundo dados da ANBIMA em parceria com o Datafolha, o Brasil soma mais de 59 milhões de investidores, com cerca de R$ 8 trilhões em ativos. O número cresce, mas revela um ponto de atenção: muita gente começa sem orientação adequada.
Na prática, isso significa que o consumo de conteúdo financeiro aumentou, mas a tomada de decisão ainda é, muitas vezes, baseada em impulso, modismos ou promessas de retorno rápido. Para o educador financeiro Raul Sena, o primeiro erro está na pressa. "A maioria das pessoas quer investir antes de organizar a base. Só que, sem controle financeiro e clareza de objetivos, qualquer investimento vira um risco desnecessário", afirma.
Antes de pensar em investimentos mais sofisticados, especialistas recomendam uma sequência básica que ainda é ignorada por grande parte dos iniciantes.
1. Organizar receitas e despesas
Saber exatamente quanto entra e quanto sai por mês é o primeiro passo. Sem isso, não existe planejamento estruturado nem base para decisões financeiras mais seguras.
2. Criar uma reserva de emergência
Ter um valor guardado para imprevistos evita que decisões financeiras sejam tomadas no desespero. Esse colchão financeiro reduz riscos e dá mais estabilidade ao longo do tempo.
3. Definir objetivos claros
Investir sem objetivo é um dos erros mais comuns. Curto, médio ou longo prazo mudam completamente a estratégia e influenciam diretamente os produtos escolhidos.
4. Evitar seguir "dicas prontas"
O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Perfil de risco e momento de vida precisam ser considerados antes de qualquer decisão. "A educação financeira funciona como porta de entrada. É a partir dela que a pessoa entende o que faz sentido para o próprio cenário, e não para o que está em alta na internet", explica Raul Sena.
O impacto das redes sociais
As redes sociais tiveram papel importante na popularização do tema. Criadores de conteúdo passaram a traduzir conceitos complexos de forma acessível, aproximando o assunto do dia a dia. Por outro lado, esse mesmo movimento trouxe um efeito colateral: a superficialidade. Com excesso de informação rápida, muitos investidores iniciantes pulam etapas importantes.
Decisões acabam sendo tomadas sem entendimento real dos riscos envolvidos, o que compromete os resultados e aumenta a exposição a erros. "Informação sem contexto pode atrapalhar mais do que ajudar. Educação financeira não é sobre decorar termos, mas sobre tomar decisões conscientes", afirma.
Novo comportamento do investidor
Esse cenário também impulsionou o crescimento de modelos de orientação mais personalizados, especialmente consultorias independentes que atuam sem vínculo direto com produtos financeiros. Nesse formato, conhecido como fee-based, a remuneração está ligada ao serviço prestado, e não à venda de produtos. Isso tende a reduzir conflitos de interesse e tornar as recomendações mais alinhadas ao cliente.
Para o investidor, isso representa uma mudança relevante: sair da lógica de recomendação genérica para uma estratégia construída de forma individual. "O mercado está mais plural. Hoje existem mais caminhos para quem quer investir com consciência, mas a responsabilidade de entender o próprio dinheiro continua sendo da pessoa", conclui Raul Sena.
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