A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
Área do Cliente
Notícia
Produtivo ou só ocupado no trabalho?
Relatórios recentes mostram que a hiperocupação virou rotina nas empresas e acendem um alerta para o RH sobre foco, engajamento e saúde organizacional
Há empresas em que o dia inteiro parece frenético, mas o resultado continua morno. A caixa de entrada transborda, as reuniões se multiplicam, o Teams não silencia, o WhatsApp corporativo invade o almoço, e no fim do expediente fica uma sensação perigosa: a de que todo mundo trabalhou muito, mas nem sempre no que realmente importava. Essa é uma das contradições mais incômodas do trabalho contemporâneo — e talvez uma das mais negligenciadas pelo RH.
A pergunta, portanto, deixou de ser apenas individual. Não é só “você é produtivo ou só ocupado?”. A provocação agora precisa alcançar a cultura das empresas: sua organização está premiando entrega ou apenas a performance da exaustão?
Os dados recentes mostram que o problema não é impressão. No relatório Work Trend Index 2025, a Microsoft identificou um “capacity gap” global: 53% dos líderes afirmam que a produtividade precisa aumentar, mas 80% dos trabalhadores dizem não ter tempo ou energia suficientes para dar conta do trabalho. O mesmo estudo, baseado em pesquisa com 31 mil profissionais de 31 países e em sinais do Microsoft 365, aponta que os funcionários são interrompidos, em média, a cada dois minutos por reuniões, e-mails ou notificações.
Esse dado, por si só, já expõe um fracasso silencioso do mundo corporativo. Afinal, como cobrar mais produtividade de pessoas que mal conseguem sustentar blocos de foco? Como exigir pensamento estratégico de profissionais treinados para responder rápido, aparecer muito e interromper o próprio raciocínio o dia inteiro?
A Asana ajuda a aprofundar esse retrato. Segundo a empresa, com base no Anatomy of Work Index, 60% do tempo no trabalho é consumido por “work about work” — ou seja, coordenação, atualizações, reuniões, busca de informação e outras tarefas que fazem o trabalho girar, mas não necessariamente avançar. A Asana também afirma que, ao longo de um ano, um trabalhador do conhecimento gasta em média 103 horas em reuniões desnecessárias, 209 horas em retrabalho duplicado e 352 horas falando sobre trabalho.
Traduzindo para a vida real: muita gente não está sendo paga para produzir melhor, mas para administrar o caos com aparência de eficiência.
E aqui entra um ponto crucial para o RH. Durante muito tempo, agenda cheia foi confundida com comprometimento. Profissional muito demandado era visto como profissional valioso. Quem respondia rápido passava a imagem de alta performance. Quem vivia sobrecarregado parecia indispensável. Só que esse modelo cobra um preço alto — e o mercado já está mostrando a conta.
A Gallup informa, no State of the Global Workplace 2025, que apenas 21% dos empregados no mundo estão engajados, enquanto o desengajamento custa US$ 438 bilhões em produtividade perdida na economia global. Não se trata apenas de desmotivação. Trata-se de um sistema em que pessoas seguem ocupadas, conectadas e ativas, mas emocionalmente distantes, energeticamente drenadas e, muitas vezes, improdutivas no que realmente move o negócio.
A própria dinâmica da jornada já virou sintoma. Em junho de 2025, a Microsoft descreveu a ascensão do “infinite workday”. Segundo a empresa, o trabalhador médio recebe 117 e-mails e 153 mensagens do Teams por dia útil. O estudo também aponta que 40% das pessoas checam e-mail antes das 6h da manhã, enquanto quase 29% voltam à caixa de entrada por volta das 22h. O trabalho, portanto, já não ocupa apenas o expediente: ele se espalha pela manhã, invade a noite e escorre pelos fins de semana.
É o tipo de rotina que produz presença constante, mas não necessariamente progresso. Produz disponibilidade, mas não profundidade. Produz exaustão, mas não inteligência.
Do ponto de vista técnico, a própria OCDE ajuda a desmontar esse teatro corporativo. A organização define produtividade do trabalho como PIB por hora trabalhada — isto é, valor gerado por unidade de tempo, e não quantidade de horas ocupadas ou volume de movimentação na agenda. Em outras palavras: estar sempre em atividade não basta. O que importa é o que se transforma em entrega, valor e resultado.
É aqui que o RH precisa parar de romantizar a ocupação e começar a fazer perguntas mais incômodas. A empresa está lotando a agenda porque precisa de alinhamento ou porque desaprendeu a decidir? Está criando cultura de colaboração ou apenas burocracia de comunicação? Está cobrando performance ou ensinando as pessoas a parecerem ocupadas para sobreviver?
Porque a verdade é desconfortável: em muitas empresas, o profissional não é recompensado por resolver, mas por sinalizar esforço. Não é valorizado pela clareza, mas pela disponibilidade infinita. Não cresce por entregar o essencial, mas por performar urgência o tempo inteiro.
Esse modelo adoece pessoas e distorce a gestão. Equipes passam a trabalhar sob estímulo reativo. Líderes confundem microgestão com controle. Reuniões viram escudo para indecisão. Ferramentas de colaboração se transformam em máquinas de interrupção. E o RH, se não reagir, acaba legitimando uma cultura em que estar no limite vira prova de valor.
A provocação que fica para as lideranças de Recursos Humanos é direta: a empresa mede produtividade de verdade ou só monitora ocupação? Porque são coisas radicalmente diferentes.
Produtividade real pede prioridade clara, menos ruído, mais autonomia, critérios objetivos de entrega e proteção do foco. Já a ocupação crônica se alimenta de excesso de reuniões, comunicação fragmentada, urgências artificiais, retrabalho e líderes que terceirizam insegurança para o calendário dos outros. Essa leitura é uma inferência consistente dos relatórios citados, que convergem ao mostrar que interrupção, “work about work” e falta de energia reduzem a capacidade de produzir com qualidade.
Para o Mundo RH, a discussão é estratégica. Em um momento em que as empresas falam tanto sobre performance, experiência do colaborador, saúde mental e inteligência organizacional, manter uma cultura baseada em hiperocupação é insistir em um modelo caro, improdutivo e cada vez menos sustentável.
No fim, a pergunta mais importante talvez não seja se o profissional está dando conta. Talvez seja outra: quanto talento está sendo desperdiçado porque a empresa decidiu chamar de produtividade aquilo que, no fundo, é só barulho corporativo?
Notícias Técnicas
A Receita Federal definiu que a imunidade tributária para livros não se estende ao PIS/Pasep e à Cofins sobre livros digitais, pois o benefício constitucional abrange apenas impostos
Empresas de serviços de saúde no lucro presumido podem aplicar presunção reduzida de 8% para IRPJ e 12% para CSLL, desde que sejam sociedade empresária e cumpram normas da Anvisa
Estudo do IBPT indica que o trabalhador brasileiro destinou os primeiros meses de 2026 exclusivamente ao pagamento de impostos, até 30 de maio
Omissão da DASN-SIMEI gera multa automática, bloqueios fiscais e pode levar ao cancelamento definitivo do cadastro empresarial
Falhas na escrituração ou divergências entre obrigações acessórias podem gerar inconsistências identificadas nos cruzamentos eletrônicos da Receita Federal
Empresas de segmentos específicos do comércio passam a depender de negociação coletiva para funcionar em feriados, além de cumprir regras previstas na legislação municipal
Confira o novo cronograma de pagamento da restituição do Imposto de Renda 2026
Versão passa a ser permitida a utilização de caracteres alfabéticos e numéricos no registro do CNPJ Alfanumérico
Bloqueio do sistema afetará quem não elevar o nível de segurança da conta. Folha de maio é a última no formato antigo
Notícias Empresariais
O mercado finalmente percebeu o que o burnout custa. Mas poucos sabem o que a saúde emocional organizacional produz — e o número é mais alto do que você imagina
Estudos e práticas adotadas por grandes empresas mostram que excesso de reuniões pode prejudicar produtividade, decisões e inovação
Empresas precisam criar regras claras para evitar vazamento de dados, decisões sem controle e uso inseguro da inteligência artificial
Conheça os gargalos financeiros que destroem o lucro do seu negócio e aprenda estratégias para blindar as finanças
Organização contábil e transparência financeira são os fatores decisivos para multiplicar o valor de mercado de um negócio ou afastar investidores
Análise de desempenho, motivação e conflitos são cruciais para entender as mudanças no topo das empresas
Especialista em recrutamento de CEOs e conselheiros explica as competências que aceleram ou travam a ascensão à alta liderança
Os Estados Unidos propuseram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em resposta a uma investigação do USTR, segundo comunicado divulgado na noite de segunda-feira (1º.jun.2026).
Em um mercado mais competitivo, a forma como o empresário decide, lidera e aprende pode ser tão importante quanto o produto que vende
Aristóteles diria aos novos líderes que liderança não começa no cargo, mas na formação do caráter capaz de decidir, responder e sustentar consequências
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade