A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Como se aposentar melhor daqui a cinco anos?
Planejamento previdenciário, reposicionamento profissional e renda complementar ganham peso para quem quer chegar à aposentadoria com mais segurança financeira
Faltar cinco anos para a aposentadoria costuma provocar um tipo específico de ansiedade. Não é mais o tempo da abstração, do “depois eu vejo” ou do planejamento genérico de longo prazo. É a fase em que o trabalhador começa a fazer contas mais concretas: quanto vai receber, se conseguirá manter o padrão de vida, se ainda há tempo de elevar a renda e que tipo de transição profissional precisa construir para não depender exclusivamente do benefício previdenciário. No Brasil, essa preocupação faz sentido.
Dados da Anbima mostram que nove em cada dez aposentados dependem da Previdência pública para o próprio sustento, um retrato que ajuda a explicar por que a preparação financeira para essa etapa ainda é um dos pontos mais sensíveis da vida profissional.
O primeiro passo, portanto, não é procurar uma solução milagrosa, mas encarar a realidade com método. Quem está a cinco anos da aposentadoria precisa trabalhar em duas frentes ao mesmo tempo: entender com precisão a própria situação previdenciária e fortalecer a capacidade de geração de renda antes e depois da aposentadoria. O governo federal mantém o serviço de simulação da aposentadoria pelo Meu INSS, que permite verificar o tempo restante, as regras aplicáveis e uma estimativa baseada nas informações registradas na base oficial. Em 2026, o simulador foi reativado e atualizado justamente para ajudar o trabalhador a planejar melhor essa etapa.
Esse ponto é decisivo porque muita gente ainda organiza a vida financeira com base em suposições, e não em números. Saber quanto tempo falta e quanto o benefício tende a representar muda a qualidade da decisão. Para muitos profissionais, a conclusão vem rápido: o valor da aposentadoria, sozinho, pode não sustentar o mesmo padrão de consumo dos anos anteriores. É aí que entra uma pergunta mais estratégica: o que fazer, nos cinco anos restantes, para chegar a esse momento com mais fôlego financeiro?
Uma das respostas mais consistentes está no reposicionamento de carreira. Os guias salariais de 2026 da Robert Half e da Michael Page mostram que o mercado brasileiro continua premiando profissionais com escopo estratégico, competências especializadas e capacidade comprovada de gerar impacto no negócio. Em outras palavras, quem está perto da aposentadoria dificilmente aumentará renda apenas pelo tempo de casa ou pela senioridade em si. O que segue valorizado é o profissional que consegue provar influência sobre receita, margem, risco, produtividade, transformação ou governança.
Isso significa que os últimos cinco anos antes da aposentadoria podem — e em muitos casos devem — ser usados para um ajuste inteligente de rota. Em vez de tentar uma reinvenção completa, o caminho mais realista costuma ser transformar experiência em valor mais claro para o mercado. Áreas como finanças, operações, comercial consultivo, tecnologia aplicada ao negócio, compliance, governança e funções de transformação seguem com bons tetos salariais, especialmente quando combinadas com conhecimentos mais atuais. O próprio mercado de recrutamento aponta que competências como análise de dados, automação, inteligência artificial aplicada ao negócio e visão estratégica aumentam o valor percebido de perfis seniores.
Na prática, isso quer dizer que quem está a cinco anos da aposentadoria precisa abandonar uma lógica passiva de fim de carreira. O movimento mais eficiente é sair da posição de “profissional experiente” para a de “profissional indispensável”. A diferença parece sutil, mas é enorme. Experiência, sozinha, não garante remuneração maior. Já a capacidade de resolver problemas caros, reduzir riscos, liderar projetos complexos e apoiar decisões críticas tende a elevar o valor de mercado mesmo na etapa final da vida profissional.
Outro eixo fundamental é a especialização de alto retorno. Em vez de acumular cursos sem relação com a trajetória, o profissional maduro ganha mais quando escolhe uma competência que dialogue com sua bagagem e amplie sua relevância. O mercado brasileiro de 2026 mostra valorização de perfis que unem repertório prático com atualização técnica. A lógica é clara: o profissional sênior mais competitivo não é o que tenta parecer mais jovem, mas o que demonstra ser mais confiável, mais raro e mais preparado para lidar com os desafios atuais do negócio.
Mas manter uma boa condição financeira na aposentadoria não depende apenas do emprego principal. O quarto e o quinto anos antes da saída formal costumam ser o melhor momento para construir uma segunda avenida de renda. Consultoria, mentoria, advisory, docência executiva, treinamentos, participação em comitês ou conselhos consultivos e projetos por demanda são caminhos cada vez mais usados por profissionais seniores para prolongar sua capacidade de geração de receita. Esse movimento reduz a dependência exclusiva da aposentadoria e ajuda a tornar a transição menos brusca — financeiramente e também emocionalmente.
Há ainda um componente importante que costuma ser negligenciado: a reputação profissional. Nos anos que antecedem a aposentadoria, networking, marca pessoal e clareza de posicionamento deixam de ser luxo e passam a ser ativos econômicos. Um profissional que chega a essa fase com currículo forte, resultados bem comunicados, rede ativa e uma proposta de valor clara tem mais chance de negociar melhor remuneração, atrair projetos paralelos e continuar relevante depois da saída do mercado formal.
Do ponto de vista financeiro, isso precisa caminhar junto com a construção de reserva e organização do orçamento. O cenário brasileiro ainda é frágil nesse aspecto. Pesquisas recentes mostram que boa parte da população não se planeja adequadamente para a aposentadoria e que uma parcela expressiva sequer mantém colchão financeiro consistente. Esse dado reforça um alerta simples: chegar aos últimos cinco anos sem estratégia não significa que seja tarde demais, mas significa que a margem para erro ficou menor. A urgência, nesse caso, precisa virar método.
No fim, os melhores caminhos para quem vai se aposentar daqui a cinco anos passam menos por uma fórmula única e mais por uma combinação de decisões coerentes: simular o benefício real, fortalecer a carreira em posições de maior valor, adicionar uma competência premium, negociar melhor a renda total e construir fontes complementares de receita. A aposentadoria, hoje, já não pode ser pensada apenas como um ponto final. Para muitos profissionais, ela passou a ser uma transição para um novo desenho de trabalho e renda. Quem começa a organizar isso com antecedência tende a chegar lá com mais liberdade. Quem adia a decisão corre o risco de descobrir tarde demais que o problema não era só se aposentar — era não ter preparado o que vinha depois.
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