O CCiF publicou nota técnica defendendo que a EC 132/2023 fortalece quatro cláusulas pétreas da Constituição, com mudanças que vão além da substituição dos tributos sobre o consumo
Área do Cliente
Notícia
Regime Fácil entra em vigor com investidor mais seletivo após problemas na renda fixa
Emissões de empresas menores começam enquanto o mercado ainda digere problemas com grandes companhias
O Regime Fácil entra em vigor nesta segunda-feira (16). Com a promessa de reduzir a burocracia e os custos de emissão, o conjunto de regras da CVM que simplifica o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais chega em um momento conturbado do mercado. Para especialistas, a medida corrige distorções históricas e democratiza o acesso ao crédito corporativo, mas exigirá uma diligência muito maior de quem compra os papéis, especialmente em um cenário de juros altos e de recentes turbulências envolvendo grandes empresas.
A principal vantagem do novo rito é a quebra de barreiras para médias empresas. “Acredito que o impacto imediato do Regime Fácil é a oxigenação do ecossistema de crédito privado ao remover o ‘pedágio’ burocrático e os altos custos de observância que historicamente afastavam as empresas de médio porte da Faria Lima”, diz Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos.
Marinis Pigossi, sócia do Cepeda Advogados, complementa que a norma cria uma importante camada intermediária. “O Regime Fácil foi desenhado para reduzir custo regulatório e viabilizar o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais, inclusive por meio de ofertas de dívida com exigências simplificadas”, afirma. No entanto, ela faz um alerta importante: “a simplificação regulatória não elimina risco de crédito, apenas reduz custo de acesso”.
Os especialistas concordam que haverá uma curva de aprendizado. Para Raul Iberê Malagó, advogado sócio fundador do M&A Law, “as primeiras emissões devem aparecer em poucas semanas, especialmente entre empresas que já vinham se preparando”.
Já Alexandre Evaristo Pinto, vice-presidente da APET (Associação Paulista de Estudos Tributários) e professor da FEA/USP, projeta um horizonte um pouco mais distante: “creio que um potencial boom de operações estruturadas deva ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestre do ano, quando os agentes de mercado já tiverem maior familiaridade com o novo ambiente regulatório”.
Felipe Souto, CEO da Bloxs, avalia que agronegócio, energia, infraestrutura leve e tecnologia devem puxar a fila de emissões. Segundo ele, “os setores que provavelmente liderarão esse movimento são aqueles que combinam necessidade de capital com maior previsibilidade de fluxo de caixa”.
Convivência com FIDCs e Notas Comerciais
Nos últimos anos, FIDCs e Notas Comerciais (NCs) reinaram como a principal porta de entrada das pequenas e médias empresas no mercado de capitais. O Regime Fácil não acabará com eles, mas dará um novo fôlego às debêntures, segundo os agentes do mercado.
“O mais provável é uma convivência entre instrumentos, porque cada um atende a necessidades distintas”, projeta Marinis Pigossi. Souto acrescenta que a nova regra “tende a reorganizar a função de cada um dentro do ecossistema de crédito privado”.
Ele explica que os FIDCs continuarão importantes para antecipação de recebíveis, enquanto as NCs seguem relevantes como instrumento de financiamento de curtíssimo prazo. “O diferencial do Regime Fácil está em oferecer um instrumento de financiamento mais estruturado e de prazo mais longo”, completa Souto.
Para Cristiano Luersen, a debênture ganha tração para o financiamento de prazos maiores. “A debênture, apesar de ser o instrumento mais completo para o alongamento da dívida, era muitas vezes descartada pelo custo de estruturação em relação ao volume captado. Com a simplificação, a debênture recupera sua competitividade”, explica.
Fantasma das grandes empresas
A estreia do Regime Fácil ocorre na esteira de crises recentes no crédito privado. Papéis de gigantes como Raízen, Braskem, Ambipar e CSN sofreram forte volatilidade no mercado secundário, o que poderia assustar investidores na hora de alocar recursos em empresas menores e menos conhecidas.
Porém, Luersen enxerga esse cenário sob outra ótica: “pode parecer contraintuitivo, mas, na minha visão, o momento de volatilidade em grandes nomes não invalida o lançamento do Regime Fácil. Pelo contrário: ele traz uma lição importante de diversificação. O ‘timing’ ruim só existirá para quem tentar acessar o mercado com estruturas frágeis”.
Leia também: Queda do Bitcoin em 2025 não foi acidente: CIO explica o que aconteceu
Marinis Pigossi compartilha da mesma visão e pontua que o efeito será o aumento do rigor por parte dos investidores, mas sem comprometer o programa. “Quando mesmo emissores maiores passam por episódios de estresse, o mercado tende a exigir mais qualidade de informação, mais robustez contratual, melhor governança e estruturas de garantia mais sólidas das companhias em primeiro acesso ao mercado de capitais”, ressalta a advogada.
Com a taxa Selic em patamar restritivo, o apetite pelo risco muda. Evaristo Pinto lembra que “em um ambiente de juros elevados, o mercado de crédito privado costuma apresentar duas forças opostas. Por um lado, investidores institucionais tendem a buscar papéis com maior retorno para superar a taxa básica de juros. Em compensação, o nível elevado de juros também aumenta o risco de crédito das empresas emissoras”.
Nesse contexto, Raul Iberê Malagó destaca que “o juro elevado torna o crédito privado atrativo, mas a desconfiança sobre a capacidade de pagamento dos emissores — especialmente os menores — limita o apetite”.
A consequência direta será mais tempo investido em análise das proteções oferecidas aos investidores. Como sintetiza Felipe Souto, o sucesso das emissões dependerá de estruturas amarradas. “A precificação do risco tende a se deslocar da reputação do emissor para a qualidade das garantias”, conclui o CEO da Bloxs.
Notícias Técnicas
Prestadores precisam separar despesas que geram créditos dos custos com salários antes de decidir pelo recolhimento dos novos tributos fora do DAS
Cada status representa uma situação diferente no processo de emissão da NF-e e exige procedimentos específicos do contribuinte
Diferenças identificadas em processos podem alterar valores provisionados e reforçam a importância da qualidade das informações para as áreas jurídica, contábil e financeira
Reforma Tributária: Como securitizadoras e factoring aproveitam perdas fiscais
Redução de 50% em IBS e CBS exige análise detalhada para não subestimar a tributação
Registro correto da jornada permite acompanhar créditos, débitos, compensações e prazos do banco de horas
Foi publicada, em 1º de outubro de 2026, a Nota Técnica 2026.010, versão 1.00, que traz adequações no leiaute do DANFE para permitir a apresentação das informações relacionadas aos novos tributos da Reforma Tributária
O IRPFM 2027 já deve entrar no planejamento de empresários e sócios que concentram sua renda em distribuição de lucros, investimentos e outras fontes.
Confira o passo a passo para adequar o sistema da sua empresa sem complicações
Notícias Empresariais
A comunicação ambígua sobre metas e produtividade pode gerar interpretações divergentes, conflitos e riscos trabalhistas
A qualidade do atendimento pode ter mais influência sobre a satisfação do cliente do que estratégias de fidelização
Sentir-se valorizado no trabalho envolve remuneração, mas também a forma como a empresa distribui oportunidades, considera contribuições e respeita limites
O fundador pode se afastar da gestão diária. Mas continua responsável por decidir como a empresa será acompanhada, financiada e preparada para o próximo ciclo
Saiba como empreendedores podem evitar falhas e prosperar
Contadores e consultores: reverter a crise financeira e mental do endividado
Análise da Artificial Analysis mostra diferenças entre os principais modelos de IA em inteligência, velocidade, custo, latência e contexto
Pesquisa do Sebrae mostra avanços no conhecimento dos microempreendedores e reforça a importância de buscar informações em fontes confiáveis
Empresas com limite de crédito aprovado podem contratar capital emergencial pelos aplicativos ou pelo internet banking das instituições financeiras.
Pix, internet banking e caixas eletrônicos estarão disponíveis
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade