Atualização deverá ser feita entre 3 e 31 de agosto, no Portal Emprega Brasil
Área do Cliente
Notícia
Duplicata escritural começa a redesenhar o mercado de crédito no Brasil
Duplicata escritural pode ampliar crédito para empresas e mudar a concorrência entre bancos e fintechs
A duplicata escritural começa a redesenhar o mercado de crédito no Brasil ao substituir documentos físicos por registros eletrônicos padronizados, aumentando a transparência e a segurança nas operações com recebíveis.
A medida, prevista na agenda do Banco Central do Brasil, deve ampliar o acesso de empresas — especialmente PMEs — a financiamento e estimular a concorrência entre bancos, fintechs e investidores.
Ao vincular a duplicata à nota fiscal eletrônica, ao aceite do comprador e à liquidação do pagamento, o novo modelo reduz riscos como a sobreposição de garantias e falhas de registro, historicamente presentes no mercado. Para financiadores, a rastreabilidade integral tende a melhorar a precificação de risco e abrir espaço para compressão de spreads.
“O recebível passa a ter histórico, trilha de auditoria e liquidação registrada em tempo real. Isso reduz incerteza e permite uma precificação mais eficiente”, afirma Edson Silva, fundador e presidente da Nexxera.
Quando o risco cai, e a informação melhora, a competição aumenta — e quem ganha é a empresa que precisa de crédito”
complementa Silva.
Para Rafael Nakamoto, CEO da Vitório, fintech B2B que pretende transformar indústrias nos próprios bancos de suas redes de distribuição, a duplicata escritural melhora significativamente a infraestrutura jurídica e operacional do título.
“Ao padronizar sua emissão, registro e rastreabilidade, reduz incertezas sobre titularidade, cessão e gravames. Isso facilita o uso da duplicata como garantia e tende a profissionalizar o crédito transacional baseado em recebíveis, ampliando a participação de bancos, fintechs e fundos”, explica Nakamoto.
“No entanto, essa evolução é principalmente estrutural e jurídica. Ela melhora a engenharia da garantia, mas não elimina o risco econômico da operação. O crédito continuará dependendo, em última instância, da capacidade de pagamento do sacado”, diz o CEO da Vitório.
Duplicata escritural pode atrair novos players para o crédito corporativo
A expectativa no setor é que a padronização da informação estimule a entrada e a expansão de novos players. Com maior segurança jurídica e operacional, bancos médios, fintechs e FIDCs podem disputar operações com taxas mais ajustadas, pressionando margens de instituições tradicionais.
“Estamos falando de uma mudança estrutural na forma como o crédito corporativo é originado e distribuído no Brasil. A duplicata escritural cria uma base mais segura para escalar operações e democratizar o acesso ao capital de giro”, diz Silva.
Nakamoto considera que a principal contribuição da duplicata escritural é reduzir um risco histórico relevante: a sobreposição de garantias e a incerteza quanto à titularidade do recebível. Ao trazer unicidade e trilha de eventos, diminui o risco de fraude documental e aumenta a confiança do financiador na existência e na regularidade do ativo.
“Isso pode reduzir o prêmio de risco estrutural embutido na taxa e melhorar limites operacionais. Contudo, é fundamental distinguir risco jurídico de risco de crédito. A duplicata escritural elimina um tipo importante de fraude, mas não elimina inadimplência. Diferentemente dos recebíveis de cartão, não há um garantidor final para uma duplicata inadimplente”, afirma o CEO.
“Nesse sentido, o instrumento se aproxima mais de um cheque do que de um ativo com garantia firme. Portanto, o spread pode melhorar por redução de risco estrutural, mas continuará fortemente condicionado à qualidade do sacado”, avalia Nakamoto.
Mais transparência pode ampliar concorrência — mas não garante crédito mais barato
A maior transparência e segurança jurídica tendem a ampliar a concorrência, pois reduzem barreiras operacionais e jurídicas para que mais financiadores atuem nesse mercado.
“Isso deve gerar crédito melhor precificado, especialmente para empresas com carteira recorrente e sacados de boa qualidade. No entanto, não significa crédito automaticamente mais barato para todos. O desafio central passa a ser a análise do risco sacado”, explica Nakamoto.
“O risco pulverizado de sacados PME é estruturalmente complexo: exige coleta de dados, autorizações, integração com bases diversas, modelos preditivos robustos e capacidade de monitoramento contínuo. Historicamente, nem os bureaus conseguiram gerar para PMEs o mesmo nível de previsibilidade que existe no crédito para pessoa física”, complementa.
“Sem avanço relevante nessa camada analítica, o ganho estrutural da duplicata pode não se traduzir integralmente em redução de spread e, dependendo da avaliação de risco adequado das duplicatas, pode resultar até em aumento de spread”, afirma Nakamoto.
Implementação da duplicata escritural pode passar por período de adaptação
Outro ponto de atenção é o tempo necessário para que a lei e a regulação se traduzam em operação estável e plenamente funcional. A experiência da interoperabilidade das registradoras de recebíveis de cartão é um precedente importante.
Embora o modelo tenha entrado em vigor formalmente em 2021, apenas em 2024 o sistema passou a operar com estabilidade suficiente para reduzir riscos relevantes.
Durante esse período de ajuste, diversos credores assumiram como premissa que a interoperabilidade estava funcionando corretamente, quando ainda havia falhas operacionais, o que resultou em prejuízos de dezenas de milhões de reais.
“Esse histórico mostra que infraestrutura regulatória não se converte automaticamente em eficiência operacional. Pode haver um período de transição em que o arcabouço jurídico esteja correto, mas a prática ainda esteja amadurecendo — e esse intervalo pode gerar risco relevante para quem operar com excesso de otimismo”, diz Nakamoto.
“A duplicata escritural representa um avanço importante na modernização do mercado de crédito B2B no Brasil. Ela reduz fragilidades estruturais históricas — especialmente relacionadas à sobreposição de garantias e à incerteza sobre titularidade — e cria uma base mais sólida para ampliar concorrência e eficiência operacional”, diz Nakamoto.
No entanto, seu impacto não deve ser superestimado. A mudança é fundamentalmente jurídica e infraestrutural: melhora a qualidade da garantia, mas não elimina o risco de crédito nem cria um garantidor final para a inadimplência.
“O verdadeiro diferencial continuará sendo a capacidade de analisar corretamente o risco do sacado, especialmente em um ambiente PME marcado por pulverização, assimetria informacional e limitações históricas de modelagem preditiva”, finaliza o CEO da Vitório.
Notícias Técnicas
Contribuintes deverão utilizar os canais digitais para obter cópia da declaração e recibo de entrega da DIRPF
Resolução do CGIBS utiliza percentual para estimar receitas do novo imposto, mas alíquota definitiva do IBS ainda será definida ao longo da transição da reforma tributária
Foi publicado, na sexta-feira (31 de julho), o Ato Técnico Conjunto CGIBS/RFB Nº 1, que estendeu a flexibilização de rejeições para quando os novos campos IBS e CBS não são preenchidos nos documentos fiscais eletrônicos
Estudos apontam que 95% das empresas brasileiras pagam tributos incorretamente. Recuperar esses créditos é legal, administrativo e pode gerar fluxo de caixa imediato
Empresas certificadas terão atendimento prioritário da Receita Federal, possibilidade de autorregularização e apoio durante a implantação da CBS e do IBS
Rejeição de NF-e e NFC-e suspensa, mas adaptação aos campos IBS e CBS continua
Receita Federal libera agenda tributária de agosto de 2026 com principais obrigações e vencimentos
A Resolução CGCONSIG/MTE nº 3/2026 ampliou as garantias do Crédito do Trabalhador, permitindo o uso de verbas rescisórias e saldo do FGTS em empréstimos consignados
Receita Federal confirma que benefício fiscal é restrito à aquisição de outro imóvel residencial e não se aplica à construção ou à quitação de financiamento destinado à obra
Notícias Empresariais
Em comum, pesquisas recentes indicam que o problema deixou de ser a falta de estratégia e passou a ser a dificuldade de transformar decisões em entendimento e ação dentro das organizações
Estratégias de diversidade e inclusão passam por reavaliação global, mas seguem indispensáveis para o mercado e a nova geração de trabalhadores
O maior problema das empresas não é a falta de informação: é a quantidade de decisões tomadas sem método
Com o fim de julho, empresas ganham uma nova oportunidade para acelerar campanhas, reativar clientes e transformar o segundo semestre em uma temporada de crescimento
A queda no engajamento das equipes reforça a importância da liderança na construção de sentido, reduzindo ruídos e fortalecendo o pertencimento para preservar a cultura organizacional em períodos de mudança
Analise o caixa, fluxo, estoques e contas a receber para evitar falta de liquidez
Prepare-se para o novo teto de faturamento do Microempreendedor Individual e suas obrigações
Especialistas apontam que proteção, saúde e formação de patrimônio deixaram de ser pauta de urgência e passaram a exigir planejamento
A inteligência artificial ocupa espaço cada vez maior nas estratégias corporativas, mas pesquisas recentes mostram que a tecnologia, sozinha, não garante vantagem competitiva
Especialistas destacam que estratégia, capacitação e presença em marketplaces são essenciais para ampliar as vendas e competir em um mercado cada vez mais disputado
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade