Estão disponíveis a partir de 1º de novembro de 2026 evoluções nos emissores nacionais que permitem a alternância de perfis e o acesso por representação
Área do Cliente
Notícia
Como preparar os clientes para a nova regra de créditos tributários
Com a ampliação da lógica de créditos tributários, a Reforma Tributária do Consumo altera de forma silenciosa a dinâmica de poder nas relações comerciais
Com a ampliação da lógica de créditos tributários, a Reforma Tributária do Consumo altera de forma silenciosa a dinâmica de poder nas relações comerciais. Mais do que o preço, as empresas que contratam serviços ou compram produtos passam a pressionar fornecedores também pelo impacto fiscal da transação comercial.
Isso ocorre porque o Brasil migra para o modelo de não cumulatividade plena e crédito financeiro, onde o comprador usa a sistemática de débitos (na venda) e créditos (na compra), ou seja, há um abatimento do imposto pago anteriormente, desonerando a cadeia e, além disso, esse direito a crédito estará diretamente vinculado ao pagamento do imposto pelo fornecedor na etapa anterior. Neste sentido, muitos clientes deverão revisar quanto de crédito conseguirão aproveitar ao contratar determinado fornecedor.
Para pequenos negócios, especialmente as empresas no setor de serviços do Simples Nacional, essa pressão tende a crescer a partir de 2027, ano em que a reforma começa a valer com impacto financeiro real, já com a extinção do PIS e Cofins substituídos pela CBS integralmente, com alíquota estimada em 8,5%. 2026 está sendo um ano de teste com alíquotas reduzidas (0,1% de IBS e 0,9% de CBS), servindo como laboratório para essa nova relação comercial.
Estar preparado para esse novo ambiente não é apenas uma questão contábil. A nova dinâmica de mercado requer uma análise apurada da estratégia comercial, olhando para o custo da operação de forma mais ampla. A seguir, alguns pontos-chave para entender e reagir a esse novo cenário.
Quando o cliente passa a negociar o imposto
Com a reforma, o crédito tributário passará a fazer parte da negociação. Clientes empresariais começam a comparar fornecedores não só pelo valor cobrado, mas pelo quanto do imposto pago poderá ser recuperado ao longo da cadeia. Diferente do modelo atual, onde o crédito depende de ser insumo essencial e relevante para a operação, como as empresas do Lucro Real, no novo sistema (IBS e CBS) o crédito é o valor exato destacado na nota fiscal, o que torna a transação totalmente transparente para o fisco e para o comprador.
Na ótica do Simples Nacional, por exemplo, o adquirente de serviços ou produtos dessas empresas só poderá aproveitar o crédito referente à parcela de IBS/CBS contida na guia única (DAS), que é sensivelmente inferior à alíquota padrão nos demais regimes de tributação. Este movimento poderá criar uma disparidade prejudicial aos pequenos negócios. Mesmo oferecendo um preço menor, o fornecedor pode ser preterido se gerar menos crédito tributário do que um concorrente maior, enquadrado em regime diferente – pois isso afetará diretamente o preço líquido final do serviço ou produto.
Dessa forma, há o risco de perder contratos sem que a razão esteja clara. O cliente poderá alegar questões estratégicas ou de custo total quando a decisão, na verdade, foi influenciada pelo efeito do crédito tributário na conta final, por exemplo. Entender essa lógica é o primeiro passo para não ser surpreendido. O imposto deverá integrar o discurso comercial, goste o fornecedor ou não. Além disso, com a futura implementação do split payment, o crédito do cliente será liberado automaticamente após o pagamento vinculando a saúde fiscal do fornecedor diretamente ao benefício do comprador.
Precificação precisa virar decisão estratégica
Diante desse cenário, o empreendedor precisa conhecer com profundidade a sua estrutura de custos, a sua margem real e o regime tributário adotado, além de compreender quem são seus consumidores e como eles utilizam o crédito tributário nas decisões de compra. Empresas que vendem para o consumidor final pessoa física (B2C) sentem menos essa pressão, pois consumidor final não pode tomar crédito, mas quem está no meio da cadeia (B2B) precisa recalcular a sua tabela de preços urgentemente.
Em muitos casos, será necessário explicar ao cliente por que um preço aparentemente mais baixo não resulta no mesmo custo final após o aproveitamento de créditos. Em outros, poderá fazer sentido revisar a precificação para compensar parte dessa diferença percebida, desde que isso não comprometa a sustentabilidade do negócio. Nessa relação de troca, o preço deixará de ser um número isolado e passará a refletir uma estratégia comercial mais ampla. A transparência será o novo padrão: dado que o IVA é calculado “por fora”, ou seja, o prestador e o adquirente saberão exatamente quanto de imposto incidirá na operação ao fechar o contrato.
Escolha do regime e timing das decisões
Um dos instrumentos da reforma criados para mitigar parte da pressão é o Simples Nacional Híbrido, que permite ao empreendedor optar pela apuração do IBS e da CBS no regime regular quando isso for mais vantajoso, gerando crédito integral para o cliente. Neste modelo, a empresa manterá os benefícios do regime simplificado para os impostos sobre a folha e renda, mas pagará o IBS e a CBS “por fora” com alíquota padrão, concedendo maiores créditos e garantindo competitividade no B2B. Outra vantagem estratégica que deverá constar no planejamento é que, ao fazer essa escolha, o empreendedor do Simples Nacional também passará a ter o direito de aproveitar créditos tributários sobre o IBS e a CBS pagos em suas próprias aquisições de bens e serviços, algo que não ocorre no regime simplificado comum.
No entanto, essa decisão requer planejamento antecipado. Diferentemente de outras escolhas tributárias, a opção pelo regime híbrido precisará ser feita de forma semestral, e não anual, o que exigirá um monitoramento mais ágil da operação. A gestão da carteira deverá ser constante. A opção pelo regime será feita de forma estratégica, o que obrigará o empresário a projetar cenários futuros, avaliar a carteira de clientes e antecipar movimentos do mercado a cada seis meses.
Neste sentido, é necessário estar bastante atento, já que a escolha errada pode comprometer margens por meses. Por outro lado, a opção correta tem capacidade de preservar contratos estratégicos e manter a competitividade, mesmo diante da pressão dos clientes. Mais do que nunca, a reforma exige previsibilidade, simulação e leitura estratégica do negócio.
Preparação é vantagem competitiva
A principal recomendação para pequenos negócios é simples: é necessário se preparar o quanto antes para o novo cenário. Isso passa pelo mapeamento do perfil dos clientes, entendimento de quem valoriza crédito tributário e ajuste no discurso, preço e estratégia comercial. Ignorar o impacto do crédito é aceitar o risco de ser substituído por concorrentes que já entenderam como o novo sistema opera.
Também é fundamental alinhar contabilidade, área comercial e gestão. A reforma aproxima ainda mais essas funções, exigindo decisões integradas e com base em dados. A utilização de ferramentas de simulação de cenário e fluxo de caixa será indispensável para entender o impacto real das novas alíquotas no dia a dia da operação.
Empresas que se anteciparem conseguirão negociar melhor, explicar as suas escolhas e preservar a margem. A Reforma Tributária do Consumo impacta a competitividade dos pequenos negócios ao mudar as regras do jogo. Quem entender cedo como jogar, sai na frente.
Notícias Técnicas
Valores vencidos devem ser acompanhados nas contas a receber, com avaliação do risco de recuperação e documentação das tentativas de cobrança
Escrituração segregada, movimentação financeira e apuração tributária precisam permitir a identificação das operações de cada incorporação
Depois do prazo de entrega, contribuinte pode corrigir informações, mas deve manter a opção entre desconto simplificado e deduções legais
Procedimentos incluem verificar declarações pendentes, organizar o patrimônio e cumprir exigências durante o inventário e a transferência dos bens aos herdeiros
Cálculo deve considerar parcelas salariais além do valor fixo; primeira parcela precisa ser paga até 30 de novembro
Saldos credores poderão ser utilizados após a extinção das contribuições, mas dependem de registro na escrituração fiscal e do cumprimento das regras legais
Transição prevê dois dias de descanso remunerado e redução gradual da carga horária, sem corte salarial; sindicatos e empregadores também devem revisar acordos coletivos
A Nota Técnica 2026.008 cria novos campos na NF-e para identificar o valor líquido dos produtos, sem a inclusão dos tributos
A proposta de alíquota de referência de 11,3% para a CBS, calculada pelo TCU, surpreendeu empresas e especialistas, que trabalhavam com estimativas próximas de 9%
Notícias Empresariais
A pressa para abrir um negócio pode levar a decisões precipitadas. Sem planejamento, escolhas sobre localização, fornecedores e custos podem gerar prejuízos e comprometer o início da operação
A regra 70/20/10 coloca ousadia no orçamento sem perder o controle. Desde que o 10% não seja o primeiro a passar por corte
Vender bem não garante dinheiro disponível para pagar as contas. Para evitar esse problema, o pequeno empreendedor precisa acompanhar as entradas e saídas de recursos
Apoio financeiro está em estruturação; critérios definitivos, documentos e calendário de acesso ainda serão divulgados
Definir o escopo do trabalho, as condições de pagamento e as regras para alterações e cancelamentos ajuda a reduzir dúvidas e disputas entre contratantes e prestadores
Mensalidade mais barata nem sempre representa economia. Empresários precisam antes conferir taxas de transferência, serviços incluídos, pendências fiscais e condições contratuais
Débitos ainda estão visíveis e só serão oficialmente extintos em 1º de janeiro de 2027; entenda
Com a abertura de novos mercados, pequenas empresas precisam considerar variação cambial, custos de operação e prazos de pagamento para aproveitar oportunidades sem comprometer a rentabilidade
Com dívida pública perto de 83% do PIB, juros ainda em dois dígitos e incertezas sobre tributação e mercado de trabalho, empresas entram em 2027 sem clareza sobre alguns dos fatores que mais influenciam investimento, contratações e expansão
Decreto limita a espera ao telefone a 20 segundos na maioria das ligações, proíbe menus com mais de cinco etapas e passa a valer para fintechs
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade