A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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Notícia
Dólar chega ao menor nível em quase 2 anos: é hora de comprar?
Em menos de dois meses, o dólar já acumula depreciação de 5,83% frente ao real
Depois de começar 2025 acima de R$ 6, o dólar à vista encerrou o último pregão daquele ano cotado a R$ 5,489, com queda acumulada de 11,18% frente ao real, num movimento alinhado ao enfraquecimento global da moeda americana. E neste início de 2026, a tendência não apenas se manteve como se intensificou.
Em menos de dois meses, o dólar já acumula depreciação de 5,83% frente ao real, pouco mais da metade de toda a perda registrada em 2025. Nesta segunda-feira, 23, a moeda fechou em R$ 5,1685, com recuo de 0,14%, no menor nível desde 28 de maio de 2024, quando havia encerrado a R$ 5,1534.
A continuidade da desvalorização reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, pesa a revisão da confiança histórica dos investidores na moeda americana e nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
De acordo com Enrico Cozzolino, CEO e estrategista da Zermatt Partners, há hoje uma narrativa que coloca em xeque essa "fé quase inabalável" no dólar.
"Essa recente fuga de capital estrangeiro da América, combinada com uma crise que soma incerteza quanto à trajetória de inflação, bem como o caminho que a dívida norte-americana vai seguindo, coloca um movimento de desvalorização da moeda há algum tempo", afirmou Cozzolino.
As políticas econômicas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também entram na equação. No ano passado, o aumento de tarifas comerciais ampliou a incerteza sobre os rumos da economia americana e levou investidores a reverem posições em dólar.
E, agora, a recente decisão da Suprema Corte do país, derrubando as medidas do republicano "adicionam ainda mais dúvidas sobre a potência americana", na avaliação de Cozzolino.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, afirma que a "confusão de pacotes de tarifas" e os problemas nas relações comerciais dos EUA com parceiros históricos geram aversão a risco e têm levado investidores a migrar para ativos como ouro e para outras moedas que não o dólar.
“Nesse momento, nós temos duas forças atuando na mesma direção: o dólar mais fraco no mundo todo e uma forte entrada da moeda no Brasil por ser um mercado emergente que está atraindo um capital especulativo, com a taxa de juros alta", diz.
Do lado doméstico, o principal vetor é, de fato, o diferencial de juros. Com a Selic em 15% ao ano, o Brasil oferece um retorno elevado em comparação aos Estados Unidos, favorecendo operações de carry trade — estratégia em que investidores captam recursos em moedas com juros baixos para aplicar em países com taxas mais altas.
Enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) caminha para o fim do ciclo de aperto monetário, o diferencial segue expressivo.
Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, ressalta que mesmo com a expectativa de queda da Selic ao longo do ano, o diferencial de juros em relação aos EUA deve permanecer próximo de 10%.
"É um valor alto ainda, bastante atrativo e isso favorece ingresso de fluxo. A outra questão é que o dólar perdeu força globalmente e tem perdido por questões institucionais e geopolíticas dos Estados Unidos", afirma a economista.
Na mais nova ofensiva internacional, a Casa Branca ameaça, há semanas, fazer um ataque militar ao Irã. Nos últimos dias, a pressão se intensificou, com o envio de mais navios e aviões de guerra em direção ao Oriente Médio e declarações fortes de autoridades americanas.
O que esperar do dólar?
Ainda assim, Quartaroli observa que ainda é cedo para cravar a continuidade do movimento devido às eleições gerais marcadas para outubro. Historicamente ano eleitoral costuma trazer volatilidade cambial. A economista avalia que pode haver aceleração da taxa de câmbio à medida que o período eleitoral se aproxime.
Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, acredita, inclusive, que a percepção de que o cenário eleitoral na dispusta pela Presidência da República está em aberto, o que indica a possibilidade de uma terceira força e maior competitividade de nomes da direita em oposição ao atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Isso estaria, segundo Viotto, alimentado expectativas de uma agenda mais pró-mercado, com foco em austeridade fiscal e privatizações, contribuindo assim para a valorização do real. O operador pondera, contudo, que o cenário pode mudar.
"O comportamento do dólar vai depender do tom da campanha eleitoral. Se houver polarização e um discurso mais à esquerda, com promessas de aumento de gastos, pode haver estresse no mercado e a moeda voltar à faixa de R$ 5,50 ou até acima. Por outro lado, se o presidente Lula mantiver uma postura mais ao centro e sinalizar compromisso com a responsabilidade fiscal, o dólar pode encerrar o ano mais próximo de R$ 5 do que de R$ 6", afirma.
E é hora de comprar dólar?
Nesse cenário, as respostas variam conforme o objetivo. Para o chefe de banking da EQI Investimentos, não existe "momento ideal" para dolarizar investimentos.
"Trata-se de uma estratégia de longo prazo, que deve fazer parte de uma alocação estrutural de patrimônio, independentemente do patamar da moeda", diz. Ainda assim, ele reconhece que a recente queda torna o preço mais atrativo para quem pretende investir no exterior.
Já a economista chefe do Ouribank avalia que, para quem está planejando viagem e precisa comprar moeda, o momento pode ser oportuno, justamente porque a proximidade das eleições pode trazer nova pressão sobre o câmbio. "É um bom momento agora porque pode ser que vejamos aceleração na taxa de câmbio quando chegarmos mais próximo do período eleitoral", afima.
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