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Advisor Responde: o que esperar do Tesouro Direto com a Selic menor
Para boa parte do mercado financeiro, início do ciclo de cortes dos juros ocorrerá em março e poderá alternar dinâmica dos investimentos de renda fixa
A expectativa para o início do ciclo de cortes da Selic tem sido cada vez maior entre os representantes do mercado financeiro. Para a maioria, o movimento começará já no mês que vem. Se confirmado, como ficaria, por exemplo, o investimento nos títulos do Tesouro Direto, influenciados pela taxa de juros e também pela inflação, que se mantém em linha com as projeções?
Dados da Secretaria do Tesouro Nacional mostram que o apetite do investidor pessoa física continua firme: o Tesouro Direto já supera 3,4 milhões de investidores ativos, com um estoque de R$ 213,2 bilhões. Os títulos atrelados à inflação lideram com 50,2% do total, seguidos pelos papéis indexados à Selic (37,2%) e pelos prefixados (12,6%).
Para Diogo Velho Barreto, sócio-fundador da Pequod Investimentos, o momento exige que o investidor entenda claramente o papel de cada título na carteira. Ele destaca que o Tesouro Selic segue sendo o mais indicado para quem busca previsibilidade. “O Tesouro Selic é um pós-fixado que acompanha a taxa básica da economia. Ele é fundamental para quem precisa de previsibilidade e liquidez, porque não sofre oscilações relevantes de preço”, afirma.
Mas Barreto faz um alerta: “Se a Selic cair, o rendimento cai junto.” Entenda um pouco mais:
Olhar para o futuro muda a lógica da carteira
A discussão muda de figura quando o assunto são os títulos prefixados. Diferentemente do Tesouro Selic, eles não refletem a taxa atual, mas as expectativas para os juros nos próximos anos — motivo pelo qual suas taxas já estão bem abaixo dos 15% da Selic.
Hoje, o prefixado com vencimento em 2028 paga aproximadamente 12,75% ao ano, enquanto os papéis de 2032 e 2035 oferecem algo em torno de 13,3% ao ano. Esses números embutem a visão predominante do mercado: a de que a política monetária começará a afrouxar ao longo de 2026.
A vantagem dessa modalidade está em garantir a rentabilidade até o vencimento. Porém, caso o investidor precise vender antes do prazo, entra em cena o risco de marcação a mercado — e o preço do título pode oscilar negativamente.
Longo prazo fortalece Tesouro IPCA+
No caso dos títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ ganha protagonismo especialmente em horizontes mais longos. A combinação entre a variação do IPCA e uma taxa fixa atrai quem pensa em proteção real do patrimônio.
“Quando a gente fala de 20 ou 30 anos, o IPCA costuma ser o caminho mais seguro, porque garante uma rentabilidade acima da inflação”, explica Barreto.
Ainda assim, ele ressalta que a volatilidade aumenta conforme o prazo se estende. “Quanto mais longo o título, mais volátil ele é. Se a taxa de juros sobe, o preço do título cai, e o investidor pode ver a carteira negativa antes do vencimento.”
Prazo é peça-chave para escolher o título certo
A leitura unânime entre analistas é que o prazo de investimento deve ser o primeiro critério na tomada de decisão. Títulos pós-fixados tendem a ser mais adequados para reservas de emergência e objetivos de curto prazo; já prefixados e IPCA+ podem capturar ganhos mais robustos para metas distantes — desde que o investidor esteja disposto a conviver com oscilações pelo caminho.
Com a Selic ainda em patamar elevado, mas com expectativa de queda no horizonte, a combinação entre segurança no presente e planejamento para o futuro será determinante para quem deseja aproveitar o melhor de cada título dentro do Tesouro Direto.
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