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Conhece o RDC? Primo do CDB das cooperativas cresce como opção na renda fixa
Ativos emitidos por cooperativas são garantidos pelo FGCoop, que funciona como o FGC, dos bancos
A busca por segurança e rentabilidade em um cenário de juros altos está levando os investidores brasileiros a migrar parte de seus recursos dos bancos tradicionais para as cooperativas de crédito. Dados divulgados nesta semana pelo Sicoob confirmam essa tendência: a carteira de renda fixa da instituição saltou 17% em apenas nove meses, passando de R$ 187,9 bilhões em dezembro de 2024 para R$ 219,9 bilhões em setembro de 2025.
O grande protagonista desse crescimento não é um produto bancário comum, mas sim o RDC (Recibo de Depósito Cooperativo), que hoje representa 81% de toda a carteira da instituição. Mas o que explica esse movimento de R$ 32 bilhões em novos aportes em pouco tempo?
Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a combinação de segurança – que se torna item indispensável enquanto investidores enfrentam problemas com CDBs – e mecânica diferente de remuneração ajuda a explicar o crescimento desse ativo de renda fixa.
“Primo do CDB”
O RDC funciona de maneira similar ao conhecido CDB (Certificado de Depósito Bancário). O investidor empresta dinheiro à instituição e recebe juros por isso. Porém, há uma diferença estrutural fundamental. “O RDC é, na prática, o ‘primo’ do CDB. A principal diferença é que, ao investir em um RDC, você se torna um cooperado, ou seja, um dos ‘donos’ da instituição. No CDB, você é apenas um credor do banco”, explica Matheus Cabral, Private Banker da Guardian Capital.
Essa diferença de status muda o jogo na hora de calcular o lucro. Enquanto nos bancos o lucro fica com os acionistas, nas cooperativas o excedente financeiro – chamado de sobras – é devolvido aos cooperados proporcionalmente ao seu relacionamento.
Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, ilustra como isso impacta o bolso do investidor: “a rentabilidade contratada do RDC, de, por exemplo, 98% do CDI, somada às sobras, pode elevar o retorno efetivo para 135% do CDI em alguns casos, superando CDBs tradicionais que não distribuem esses lucros.”
Alternativa pós-crise dos bancos médios
O crescimento da base de investidores do Sicoob — que passou de 1,54 milhão para 1,67 milhão de cooperados investidores — também reflete um movimento de cautela. Com as recentes liquidações extrajudiciais do Banco Master e do Will Bank, citados pelos especialistas como exemplos de alerta, o investidor passou a buscar solidez.
A dúvida comum é: sair de um banco para uma cooperativa é seguro? Francisco Reposse Junior, diretor comercial e decanais do Sicoob, garante que a proteção é equivalente. “O RDC é protegido pelo FGCoop, que oferece as mesmas regras de cobertura do FGC dos bancos tradicionais (até R$ 250 mil por CPF). Embora sejam fundos distintos, na prática, o FGCoop cumpre o mesmo papel, garantindo solidez.”
Araújo destaca ainda uma vantagem técnica do FGCoop sobre o FGC: a inexistência do teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. “Isso permite maior diversificação entre cooperativas, trazendo tranquilidade para investidores com patrimônio maior”, pontua.
Além do RDC, o Sicoob reportou um crescimento robusto em seus fundos de investimento, cujo patrimônio líquido saltou 346% desde 2023, atingindo R$ 1 bilhão. Para Mario Sergio Dornas, diretor de gestão de recursos de terceiros do Sicoob, isso mostra a democratização do acesso. “Quase 99% dos recursos dos fundos de varejo estão alocados no Fundo DI, reforçando a busca por liquidez e estabilidade”, afirma.
Apesar das vantagens, os especialistas alertam que nem todas as cooperativas são iguais. A análise exige atenção indicadores específicos. “O investidor deve analisar o Índice de Basileia, que indica a solidez de capital, e o nível de inadimplência”, orienta Reposse.
Otávio Araújo complementa dizendo que a transparência é chave: “o investidor deve estar atento aos relatórios anuais. É possível verificar o rating de sistemas como Sicredi e Sicoob, que geralmente possuem classificações elevadas de agências de risco.”
Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, diz que “independentemente do tipo de investimento que se faça, é sempre muito importante realizar uma análise sobre a reputação, confiança e solidez financeira da instituição em que você está investindo”.
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