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Dólar: após baixa em 2025, o que esperar para a moeda americana em 2026?
Divisa cai cerca de 10% em relação ao real, mas apresentou recuperação recente - analistas veem cenário externo e eleições como fatores que podem afetar moeda
O ano de 2026 promete ser de alta volatilidade para o dólar frente ao real, com o mercado atento ao desenrolar das eleições presidenciais no Brasil e às decisões de política monetária nos Estados Unidos. Segundo especialistas e gestores financeiros, a moeda americana deve manter uma tendência de desvalorização global, beneficiando moedas de mercados emergentes, como o real, mas com oscilações acentuadas no cenário doméstico.
2025 foi marcado pelo encontro de duas forças. No mercado internacional, houve uma tendência muito clara de desvalorização do dólar, sobretudo frente às moedas de mercados emergentes. Por outro lado, no mercado doméstico, observou-se uma série de desenvolvimentos políticos e econômicos favoráveis à valorização do dólar.
“No balanço desses vetores opostos, a fraqueza internacional da moeda americana prevaleceu, levando à apreciação do real, mesmo diante das dificuldades do cenário interno”, diz Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos. A divisa americana, até o fechamento da última sexta-feira (19), tinha queda acumulada de 10,5% ante o real em 2025, a R$ 5,53, ainda que acumulando expressivos ganhos de 3,6% no mês.
Para 2026, o especialista destaca que o real deve surfar a fraqueza global do dólar, mas o período eleitoral trará maior volatilidade. “O patamar da cotação ao final do ano estará diretamente ligado ao resultado das eleições”, afirma.
Bruno Botelho, chefe de mesa de câmbio da ONE Investimentos, reforça que o dólar apresentou forte volatilidade em 2025, influenciado por fatores externos, como a postura do Federal Reserve, e internos, especialmente o cenário fiscal e político. Para 2026, ele projeta o dólar em torno de R$ 5,50, com volatilidade elevada associada ao ciclo eleitoral.
A tendência macro para o câmbio em 2026 será de baixa, diz Alison Correia, da Dom Investimentos, sustentada pela atratividade da taxa de juros brasileira para investidores estrangeiros, mesmo com possíveis cortes ao longo do ano. “A volatilidade tende a impactar a moeda, principalmente pelas incertezas eleitorais”, explica.
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, prevê um fortalecimento moderado do dólar globalmente, devido à resiliência da economia americana, com dois cortes graduais na taxa de juros dos EUA. No Brasil, espera fluxo positivo no primeiro trimestre, mas alta volatilidade no restante do ano, com o câmbio projetado em R$ 5,50 por dólar.
O JPMorgan destaca que o real opera próximo de R$ 5,50, com o aumento do ruído eleitoral após a confirmação da candidatura de Flávio Bolsonaro, que levou a moeda a se desvalorizar cerca de 3%. O banco mantém posição neutra no câmbio até o início de 2026, ressaltando que o mercado precifica uma probabilidade maior de transição política do que o esperado, e que a relação risco-retorno favorece posições tomadas em juros. A projeção também se repete para a XP Investimentos, que projeta a divisa neste patamar.
A projeção do Morgan Stanley, por sua vez, é de que a divisa americana atingirá o pico de 5,60 no 3º trimestre de 2026, por conta da volatilidade com eleições. No entanto, reconhece também um alto grau de incerteza em torno de suas projeções. “Nossa previsão é de R$ 5,60 para o 3º trimestre de 2026 e a subsequente recuperação para R$ 5,30 no final de 2026, que estamos projetando, refletem um resultado ponderado por probabilidades, e não um cenário eleitoral específico. Contudo, consideramos o desempenho da moeda após as eleições como bastante binário, com uma consolidação abaixo de R$ 5,00 como possível em um cenário de governo favorável ao mercado com apoio do Congresso”, avalia.
Assim, 2026 será um ano de equilíbrio delicado para o dólar, com a moeda americana influenciada por fatores globais e domésticos, e o real sujeito a oscilações intensas em função do processo eleitoral e das condições fiscais do país.
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