A Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e o Encat publicaram, nesta terça-feira (2.jun.2026), a Nota Técnica 2025.002-RTC – Versão 1.50, com atualizações na NFe e na NFCe
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2025 desmontou a liderança - 2026 cobra lucidez
Ano expôs limites da liderança tradicional e antecipou um novo ciclo em que contexto, maturidade emocional e coragem definem quem permanece relevante
2025 não foi linear. Não foi previsível, confortável ou indulgente com quem tentou sobreviver com fórmulas antigas. Foi um ano que arrancou os vernizes da liderança, das empresas e de nós mesmos. Acompanhei esse movimento de um lugar privilegiado: entre conversas de conselho, transições executivas, dinâmicas com times de alta responsabilidade e debates intensos com RHs e CEOs que sentiram a pressão real da velocidade. E se existe algo impossível de ignorar, é que a liderança clássica — aquela apoiada em senioridade, narrativa e histórico — perdeu validade. Não porque ficou ultrapassada, mas porque o jogo mudou.
Passamos décadas discutindo falta de talentos, sucessores e preparo. Mas 2025 revelou algo mais profundo: não falta talento no Brasil. Falta coragem. Coragem para assumir decisões difíceis, admitir o que não sabe, se expor, aprender, errar, acertar e mudar de direção. Coragem para abandonar o controle e assumir a responsabilidade. A maioria dos desafios que observei não tinha relação com habilidade técnica ou currículo. O gargalo estava em outra dimensão: densidade executiva — leitura de contexto, maturidade emocional, capacidade de sustentar conversas difíceis e, principalmente, autocrítica, o maior diferencial competitivo do ano.
Depois de dezenas de discussões e decisões complexas, três viradas ficaram evidentes. A primeira: a nova moeda da liderança deixou de ser performance e passou a ser leitura de contexto. Performance isolada virou commodity. Todos querem bons números, mas eles deixaram de ser suficientes. Vi executivos brilhantes perderem tração porque não conseguiram interpretar a dinâmica do mercado, o timing da empresa ou o estado emocional do próprio time. Em 2025, quem venceu foi quem leu antes — não quem entregou mais. A segunda: tecnologia deixou de ser ferramenta e virou língua nativa. Não é mais sobre “entender de tecnologia”, é sobre pensar com tecnologia. Executivos que tratavam transformação digital como projeto paralelo perderam relevância. A disputa agora é por líderes que tomam decisões complexas com dados, IA, experimentos e bom senso. Porque 2025 provou: o algoritmo é rápido, mas a maturidade ainda é humana. A terceira: conselho deixou de ser prêmio e virou responsabilidade emocional, técnica e ética. O glamour acabou. O que ficou foi trabalho — conversas difíceis, dilemas profundos e impactos amplos. Em 2025, muitos executivos descobriram que cadeira de conselho não é sobre status, mas sobre ser a última instância de lucidez quando a liderança operacional perde o eixo.
O RH também mudou de papel. Deixou de ser suporte e virou arquitetura estratégica. Não falo do RH que faz discurso bonito, mas do que segura dilemas reais: sucessão, conflitos de liderança, cultura tóxica, desalinhamento entre conselhos e CEOs, impacto emocional em times esgotados. 2025 deixou claro: não existe transformação digital, ESG ou governança que resista a lideranças emocionalmente imaturas. Quando isso falha, é o RH que recolhe os pedaços e precisa montar um novo quebra-cabeça — rápido, coerente e executável.
Ao longo do ano, conduzi discussões sobre CFOs migrando para CEO e conselho, RH assumindo novos espaços de governança, times revisando seu papel estratégico e empresas reconstruindo narrativas internas. E houve um ponto comum: as perguntas certas são mais poderosas do que respostas rápidas. As perguntas desconfortáveis, que ninguém faz na sala, mas todos pensam no corredor. 2025 premiou quem teve coragem de trazê-las à mesa.
E 2026? Não será gentil. Não vai premiar os melhores currículos, mas os melhores pensadores — líderes com repertório, densidade e capacidade real de adaptação. Gente que entendeu que carreira hoje é menos sobre “chegar ao topo” e mais sobre sustentar relevância em um mundo onde o topo muda todos os dias. Cultura virou estratégia. Governança virou comportamento. Confiança virou ativo financeiro. E liderança virou o fator que acelera ou destrói negócios. 2026 já está exigindo algo simples — mas raríssimo: lucidez.
Se eu pudesse resumir 2025 em uma frase, seria esta: não foi sobre entregar mais, foi sobre entender melhor. E quem entendeu melhor saiu mais preparado, mais maduro e mais consciente da liderança que o Brasil precisa. Entramos em 2026 com uma certeza: não existe espaço para quem lidera no automático. Executivos, RHs, conselheiros, times — todos fomos convocados a um outro nível de profundidade.
E quem aceitar esse convite não vai apenas se adaptar — vai definir os próximos capítulos da liderança no Brasil. A pergunta é: você está pronto para isso?
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