A partir de 1º de junho o Ministério do Trabalho e Emprego já receberá as declarações
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Banco Central deve manter juros em 15% no último Copom do ano
Consenso do mercado é de que, na última reunião do ano do Copom, decisão do colegiado será pela manutenção da Selic em 15% anuais
A semana começa com a expectativa da última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, nos dias 9 e 10 deste mês. Apesar de as estimativas do mercado para a inflação oficial deste ano indicarem que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá se acomodar abaixo do teto da meta, de 4,50%, o consenso entre os analistas do mercado é de que o BC manterá a taxa básica da economia (Selic) em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006.
Especialistas ouvidos pelo Correio concordam que não haverá surpresas na decisão, mas o mercado seguirá atento ao comunicado após o Copom, porque poderá haver alguma sinalização de como será a condução da política monetária em pleno ano eleitoral. As apostas sobre o início do ciclo de corte dos juros estão divididas entre janeiro e março.
Pouco antes de começar o período de silêncio pré-Copom — que teve início na quarta-feira passada —, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, deixou claro que não pretendia mexer na taxa básica na reunião do Copom desta semana ao afirmar que a inflação "ainda não está cedendo como esperado".
Com a Selic no atual patamar desde junho, a taxa de juros real segue entre as mais altas do mundo, perto de 10% ao ano, considerando a prévia do IPCA de novembro, de 4,50%. E, apesar de esse nível de juros estar bem acima da taxa neutra — que não tem impacto na atividade e gira em torno de 5% a 5,5% ao ano pelas estimativas do BC — a atividade econômica ainda consegue crescer.
Analistas são unânimes em afirmar que o conservadorismo do BC não será abalado, muito menos, pelos dados recentes do Produto Interno Bruto (PIB), que registrou 0,1% de variação no trimestre encerrado em setembro, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo eles, os estímulos fiscais do governo que evitam tem evitado uma queda brusca no PIB, e, consequentemente, dificultando o trabalho do BC no controle da inflação.
Os juros básicos estão nesse patamar desde junho. Logo, confirmada essa previsão na decisão do Copom de quarta-feira, segundo dia de reuniões do colegiado liderado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a Selic seguirá estável pelo 4º encontro consecutivo.
A mediana das projeções do mercado coletadas pelo BC no boletim Focus, indica que a taxa básica deve encerrar o último mês de 2026 em 12% anuais. Mas uma piora no cenário fiscal para 2027, no próximo governo, pode mudar esse cenário e até mesmo retomar as previsões para cima para a Selic.
Na reunião de novembro, o Copom destacou no comunicado que o cenário atual ainda estava marcado de "elevada incerteza", e, portanto, que exigia cautela na condução da política monetária. E, ao justificar que pretendia manter a Selic elevada "por período bastante prolongado", reforçou a necessidade da convergência da inflação para o centro da meta, de 3%, e deixou uma janela aberta para uma eventual alta dos juros. "O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste, caso julgue apropriado", destacou o comunicado. Jeferson Bittencourt, economista-chefe do Asa, acredita que o BC deverá mudar o texto e dar algum sinal de quando pretende iniciar os cortes da Selic.
A mediana das projeções do mercado coletadas pelo BC no boletim Focus, indica que a taxa básica deve encerrar o último mês de 2026 em 12% anuais. Mas uma piora no cenário fiscal para 2027, no próximo governo, pode mudar esse cenário e até mesmo retomar as previsões para cima para a Selic.
Na reunião de novembro, o Copom destacou no comunicado que o cenário atual ainda estava marcado de "elevada incerteza", e, portanto, que exigia cautela na condução da política monetária. E, ao justificar que pretendia manter a Selic elevada "por período bastante prolongado", reforçou a necessidade da convergência da inflação para o centro da meta, de 3%, e deixou uma janela aberta para uma eventual alta dos juros. "O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste, caso julgue apropriado", destacou o comunicado. Jeferson Bittencourt, economista-chefe do Asa, acredita que o BC deverá mudar o texto e dar algum sinal de quando pretende iniciar os cortes da Selic.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, também espera alguma direcionamento na nota do BC sobre os rumos da política monetária. "A mudança que é esperada é alguma sinalização do Banco Central em relação à queda de juros. Os dados do PIB e do mercado de trabalho que forem saindo serão importantes para confirmar que a economia, de fato, está desaquecendo", afirmou.
De acordo com Vale, o BC ainda pode iniciar os cortes na Selic em janeiro, na busca de se antecipar ao cenário eleitoral. Contudo, ele não vê muito espaço para queda dos juros ao longo do ano, pois prevê os a taxa básica encerrando 2026 em 13% anuais. "O Banco Central pode começar a pensar em reduzir a taxa nominal em 2026, mas a taxa de juros real continuará elevada e ela está no mesmo patamar de 20 anos atrás", alerta.
O economista da MB também ressalta que os juros reais seguem entre os maiores do mundo, porque, de certa forma, o quadro fiscal continua muito ruim, como acontecia em 2005, quando o IPCA encerrou o ano em 4,46%. "Naquele momento, a taxa real estava caindo, mas o fiscal estava sendo ajustado. Agora, o grande problema é que o fiscal não tem ajuste e isso ajuda a explicar o atual patamar que temos agora", afirmou.
Na avaliação de Vale, queda mais consistente de juros nominais e reais só deverá ocorrer depois de 2027. "Mas isso se houver um um ajuste fiscal mais definitivo. Mas até lá, no máximo, é uma queda pequena da taxa nominal", frisou.
O economista Simão Davi Silber, professor doutor da Universidade de São Paulo (USP), também não acredita que a taxa Selic deverá cair muito em pleno ano eleitoral, e, provavelmente, 12,50% anuais será o patamar no fim de 2026.
A expectativa dele é de que, na reunião do Copom desta semana, os juros continuarão em 15% ao ano, e, no primeiro semestre de 2026. haverá chances de os juros caírem, "inequivocamente" a partir de janeiro por conta da antecipação da campanha eleitoral. "Mas não será uma queda abissal", afirma.
"A desaceleração do PIB no terceiro trimestre não vai influenciar na decisão, porque o BC, em particular, continuará olhando para a inflação que ainda está elevada para o cumprimento da meta", destaca. O professor recorda que, ao contrário do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) e dos bancos centrais da Europa e do Japão, o BC brasileiro não tem o compromisso de olhar para a atividade econômica.
Superquarta
Além do Copom, o Fomc, comitê de política monetária Fed, também reúne-se nesta semana, em mais uma Superquarta de decisões no mercado financeiro. Contudo, os sinais serão contrários. Enquanto, aqui, a decisão será pela estabilidade, nos Estados Unidos, as apostas do mercado são que o Fed deverá reduzir os juros básicos, que estão no intervalo de 3,75% a 4% ao ano, para 3,5% a 4,75% anuais.
Ecio Costa, economista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avalia que a boa notícia virá dos Estados Unidos, com a redução dos juros por lá. "Isso deve ajudar a que a perspectiva de uma redução maior nos juros básicos para 12% ao ano se consolide. Só que é preciso ficar com um olho na missa e outro no padre, porque teremos de acompanhar de perto os dados de inflação daqui, em 2026, porque haverá um impulso fiscal muito forte, tanto em nível de governo federal, quanto de governos regionais", alerta.
Costa reconhece que, apesar de a Selic mais elevada inibir investimentos e crédito, por exemplo, o governo tem estimulado os gastos, com medidas como a ampliação do consignado, há riscos inflacionários no próximo ano. "Está havendo uma contenção da inflação, mesmo com esse problema fiscal, neste ano, mas esse é um horizonte bastante interessante para 2026, com a redução da Selic", acrescenta o professor da UFPE.
Vale lembrar que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, foi aprovada pelo Congresso Nacional, na semana passada, com aumento de gastos contabilizados fora do cálculo para o cumprimento da meta fiscal, como precatórios e, agora, R$ 10 bilhões de aporte do Tesouro Nacional nos Correios — estatal que foi retirada do programa de privatizações, esteve no centro do escândalo de corrupção do Mensalão e vem registrando prejuízos desde a volta do PT ao governo.
Silber, da USP, ressalta ainda que o BC brasileiro precisará manter o conservadorismo, em grande parte, porque o governo não consegue equilibrar as contas públicas e a dívida pública continuará crescendo. Não à toa, o mercado financeiro — maior credor dos títulos públicos —, acaba exigindo juros mais elevados para a União continuar rolando esse endividamento. "O mercado carrega qualquer dívida, mas ele pede um preço alto", frisa.
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