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Ética será fator de sobrevivência nas empresas em 2026
A adoção de práticas éticas deixa de ser diferencial e se torna exigência estratégica para RH, lideranças e governança, impulsionada por novas normas, IA e pressão das novas gerações
Nos últimos meses, sinais vindos de diferentes frentes — governo, investidores, tecnologia e força de trabalho — apontam para a mesma direção: em 2026, a ética corporativa deixa de ser diferencial e passa a ser pré-requisito básico. Empresas já enfrentam normas mais rígidas, talentos mais conscientes e ferramentas tecnológicas capazes de expor padrões de comportamento que antes levavam anos para aparecer.
É nesse contexto que Alessandra Costa, psicóloga e sócia da S2 Consultoria, referência nacional em comportamento organizacional, reforça que garantir a ética dentro das corporações é uma questão de cultura tanto quanto de governança. “Códigos de conduta e processos bem definidos são importantíssimos para assegurar que todas as pessoas, em diferentes cargos e hierarquias, sigam as regras. Mas, antes de tudo, elas precisam entender quais são essas normas e por que elas existem.”
Segundo a especialista, quem não se adequar a essa nova dinâmica corre o risco de manchar a própria reputação e ficar para trás no mercado em diversos sentidos. A seguir, Alessandra explica as principais transformações que indicam por que ética e integridade devem se tornar prioridade estratégica já em 2026.
1. Reguladores já exigem indicadores e compromissos com a integridade
O Programa Pró-Ética, promovido pela Controladoria-Geral da União, entrou no ciclo 2025-2026 com uma série de requisitos para avaliação das empresas participantes, incluindo a necessidade de indicadores para monitoramento da aplicação do programa de integridade e análises de risco voltadas especificamente para a integridade.
“Esse é o reconhecimento oficial do governo de que cultura pesa tanto quanto processo”, comenta Alessandra. “O programa pontua as empresas a partir de ações concretas, como treinamentos, documentos, gestão de riscos e diligências. Para mostrar que sua organização é realmente ética, é preciso provar isso no dia a dia.”
2. Riscos psicossociais passam a ser responsabilidade da gestão de Saúde e Segurança
Uma atualização da NR-01 entrou em vigor este ano, obrigando empresas a mapear fatores psicossociais no processo de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). O conjunto inclui riscos como assédio, pressão abusiva e carga mental excessiva. Na prática, comportamentos tóxicos passam a ser tratados como risco ocupacional, e omissões podem gerar responsabilização trabalhista e até criminal.
“Comportamento virou risco mensurável, e o RH e o jurídico precisam dialogar, porque esse é um tema de conformidade e de proteção de marca. É uma mudança de alto impacto que acaba de ser implementada, mas será cobrada com ainda mais intensidade a partir do próximo ano”, afirma.
3. IA e a exposição de padrões de comportamento
Ferramentas de análise de linguagem, triagem de denúncias e mapeamento de interações internas evoluíram rapidamente. Com inteligência artificial, empresas podem detectar padrões de microagressão, vieses e assédio mesmo antes de queixas formais. Essa visibilidade inédita pode salvar — ou destruir — reputações em semanas.
“A tecnologia tem o potencial de trazer à tona comportamentos que antes levavam anos para ser percebidos”, explica Alessandra. “É claro que qualquer IA utilizada para esse fim precisa ser treinada corretamente, e ainda é indispensável manter canais de denúncia e comunicação aberta com as equipes. Mas a IA é uma ferramenta extra que não pode ser ignorada, e sim integrada ao olhar humano.”
Ela cita como exemplo o PIR (Potencial de Integridade Resiliente), teste aplicado pela S2 cuja metodologia combina inteligência artificial e análise comportamental feita por especialistas, oferecendo diagnósticos mais precisos e detalhados.
4. As novas gerações exigem segurança psicológica
Uma pesquisa recente da Workplace Options (WPO), com dados de 18 países, revelou uma tendência global: a geração Z busca mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, menos conflitos no ambiente corporativo e menos ansiedade relacionada a performance e pressão.
“Há muitos debates entre gerações sobre o que as pessoas mais jovens esperam das empresas, mas o fato é que elas já chegaram ao mercado — e precisam ser ouvidas”, afirma Alessandra. “Não se trata apenas de ‘agradar’, mas de compreender essas demandas e garantir um ambiente saudável, que também impacta positivamente profissionais mais experientes. Isso não é gentileza: é estratégia de retenção.”
5. Investidores estão colocando integridade na agenda ESG
O movimento ESG segue forte, e vai muito além da sustentabilidade ambiental. Investidores já reconhecem que gestão de riscos, postura ética de lideranças e capacidade de prevenir crises reputacionais fazem parte do valuation de qualquer companhia. Relatórios como “Investindo com Integridade”, da Transparency International UK, reforçam essa tendência ao orientar investidores a analisar a ética das empresas durante negociações.
“O ESG em 2026, especialmente para o mercado de investimentos e M&As, vai cobrar coerência. Quem ganha mais é quem pratica o que prega”, conclui Alessandra.
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