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Aberta a temporada de orçamentos: disciplina e estratégia são chaves para 2026
Os próximos meses prometem ser desafiadores para as empresas, que precisam preparar as bases para um novo ciclo fiscal
“Um bom orçamento não é apenas uma sucessão de estimativas. Ele precisa refletir as iniciativas prioritárias da empresa e orientar como os recursos serão aplicados para que a estratégia se concretize”, afirma Jéssica Costa, sócia da AGR Consultores e coautora do livro Revolução Orçamentária – O Avanço do Orçamento Base Zero (OBZ).
A obra, escrita em parceria com Ana Paula Tozzi, a Popy, CEO e sócia-fundadora da AGR, tem chancela da prestigiada Trevisan Escola de Negócios e já se encontra em segunda edição. O livro convida os gestores a revisitar seus próprios processos e propõe uma transformação cultural baseada em quatro pilares estruturantes: despesas e investimentos, processos e tecnologias, caixa e pessoas – os mesmos que sustentam um orçamento robusto, alinhado aos objetivos estratégicos da empresa.
Jéssica Costa ressalta que, embora os projetos de orçamento base zero sejam associados a um processo de redução de custos, eles podem – e devem – ir muito além. “Ainda que o nome dê a entender que todo orçamento tem que partir de uma folha em branco, não é assim que acontece. Não tem como partir do zero em despesas como logística e tecnologia”, afirma. Na AGR, a prática, lapidada nos 20 anos de consultoria, passa pelo entendimento dos processos e das alavancas de custos da companhia. “Não olhamos apenas a conta contábil e o centro de custos. Não queremos saber de quanto é o cheque. Nosso primeiro passo e sempre entender o processo da companhia para aí, sim, ir discutindo todos os gastos”, salienta.
Com base nessa experiência, Jéssica Costa reforça que os gestores devem estar atentos aos conceitos e desafios que envolvem a preparação do orçamento para 2025, destacando que disciplina e estratégia serão os diferenciais para enfrentar o próximo ciclo econômico.
1) O que caracteriza um bom orçamento empresarial?
Um bom orçamento é aquele que está diretamente alinhado às iniciativas estratégicas da empresa e aos gastos necessários para viabilizá-las. Antes de definir os números, é preciso compreender com clareza o que será feito e, só então, definir como será feito, garantindo coerência entre estratégia e execução.
2) Quais são os pontos que não podem ser negligenciados na hora de fazer o orçamento?
É essencial considerar as reais necessidades da empresa e buscar a forma mais eficiente de alocar os recursos. Por exemplo, em despesas de treinamento, não basta prever o gasto: é preciso entender qual transformação se espera na equipe após a capacitação. Em seguida, avaliar se faz mais sentido contratar uma instituição externa, trazer um especialista para ministrar internamente ou capacitar alguém do próprio time para multiplicar o conhecimento. Esse tipo de reflexão deve ser aplicado a todas as linhas do orçamento, a fim de evitar gastos automáticos e “vícios” históricos.
3) É fácil identificar os pontos de ajuste com um ano de antecedência?
Mais do que prever pontos de ajuste com antecedência, o fundamental é manter um acompanhamento constante entre o orçado e o realizado. Esse monitoramento deve ser feito mês a mês, analisando as causas de cada divergência — seja para mais ou para menos. Caso o gasto supere o previsto, é necessário compreender o motivo, aprender com ele e definir um plano de compensação: de onde virá o recurso para recuperar o desvio? Da mesma forma, quando o realizado é menor que o orçado, é importante analisar antes de realocar, evitando que os recursos sejam utilizados de forma ineficiente. Essa disciplina garante aprendizado contínuo e maior controle financeiro.
4) Como incluir cenários econômicos futuros, com até 12 meses de antecedência?
O orçamento deve ser construído com base em cenários prováveis, sempre sustentado em dados e análises realistas. Ainda assim, é inevitável que surjam episódios imprevistos. A diferença está na preparação: um orçamento bem estruturado, com prioridades claras e alinhado à estratégia, permite reação rápida e eficaz frente a mudanças econômicas, garantindo que a empresa ajuste suas ações sem perder o rumo.
5) O que o OBZ (Orçamento Base Zero) tem a contribuir na criação de um bom orçamento?
O OBZ contribui eliminando gastos automáticos ou “viciados”, que muitas vezes são repetidos sem questionamento. A metodologia obriga a empresa a justificar cada despesa a partir do zero, promovendo eficiência. Além disso, sua construção é feita de forma participativa, envolvendo equipes multidisciplinares. Isso gera maior engajamento, senso de responsabilidade e apropriação tanto na formulação quanto na execução e acompanhamento do orçamento.
6) Quais são os riscos de não ter o orçamento aprovado até 31/12?
Essa questão deve ser relativizada: nem todas as empresas seguem o ano fiscal de janeiro a dezembro. O maior risco não está na data em si, mas em iniciar um exercício sem clareza das diretrizes orçamentárias. Isso pode comprometer a tomada de decisão, gerar insegurança nas áreas e levar a gastos desordenados. Portanto, mais importante do que a data específica é garantir que o orçamento esteja aprovado e comunicado antes do início do novo ciclo fiscal de cada empresa.
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