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Quais setores podem ser mais impulsionados na Bolsa quando a Selic começar a cair?
Expectativa de cortes nos juros já aparece na curva futura, e pode mexer no preço tanto das ações quanto de ativos de renda fixa
A economia brasileira mostra sinais de desaceleração – e isso pode ter muito a ver com seus investimentos. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu no segundo trimestre a uma taxa de 0,4%. No primeiro trimestre do ano, o avanço tinha sido bem maior, de 1,3%, segundo dados revisados pelo IBGE.
Essa desaceleração, apontam os economistas, é reflexo dos juros em patamares elevados. A taxa básica de juros do país, a Selic, está atualmente em 15% ao ano, maior nível desde 2006.
A inflação, por sua vez, também tem mostrado sinais de arrefecimento. O IPCA-15 de agosto registrou uma deflação, e as expectativas quanto ao índice oficial de inflação do país vêm caindo semana a semana no relatório Focus.
Esse cenário de atividade mais fraca e inflação sob controle faz o mercado começar a discutir quando começa o caminho inverso da Selic – o de queda. Ainda que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) falem em manter os juros elevados por algum tempo, pelo menos não há no radar a expectativa de novas altas. Economistas projetam uma redução na Selic a partir do ano que vem, mas há quem espere uma pequena baixa já em dezembro de 2025.
“Há expectativa de estabilização e queda da taxa básica de juros, sem sinais de que possa voltar a subir no curto prazo”, explica José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School. “A redução da Selic se transmite para todas as taxas atreladas a ela, afetando diretamente o crédito e o custo de capital das empresas”.
“A curva futura de juros já tem cortes implícitos, apesar do juro à vista estar mais alto”, aponta Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos.
E isso pode mexer no preço tanto das ações quanto de ativos de renda fixa. Entenda o que esse movimento significa para sua carteira!
O que muda nos investimentos?
Uma taxa básica de juros mais baixa mexe na atratividade dos papéis de renda fixa e de renda variável. Isso porque os títulos de renda fixa começam a oferecer rendimentos menores – e quem tem perfil arrojado começa a olhar para oportunidades em busca de retornos melhores.
“A bolsa é um destino praticamente imediato na queda da taxa de juros. As pessoas começam a avaliar que vale mais a pena correr risco de ações do que permanecer em aplicações conservadoras”, diz o professor da FIA.
Com a maior procura, o preço das ações tende a subir. Além disso, ele destaca que o custo de capital das empresas também diminui com a queda da Selic, o que tende a favorecer seus resultados financeiros e se reflete no valor de mercado.
Quais setores mais se beneficiam?
Apesar de uma queda de juros poder impulsionar os ativos de renda variável no geral, há alguns setores que tendem a ser mais sensíveis a mudanças.
Imobiliário e fundos listados
Entre os setores mais beneficiados, os especialistas citam as companhias imobiliárias e os fundos imobiliários listados.
“É um setor muito intensivo em capital, e grande parte da dívida é indexada à Selic”, lembra Calestine. Por isso, a redução das taxas de financiamento favorece tanto construtoras e incorporadoras quanto os fundos imobiliários.
“Uma das áreas mais sensíveis é o crédito imobiliário. A redução da taxa dos financiamentos beneficia diretamente o setor e, junto com isso, melhora a condição dos fundos imobiliários”, diz Souza Filho.
Varejo: crédito mais barato pode impulsionar consumo
O varejo também é um dos setores mais afetados pelo crédito mais caro, e tende a responder rapidamente à queda dos juros. Empresas que dependem do crédito ao consumidor – como as que atuam com veículos, eletrodomésticos e eletrônicos – tendem a se beneficiar. “O varejo é bastante dependente do crédito, e a redução da taxa impacta diretamente o consumo financiado”, afirma Souza Filho.
Calestine cita ainda as companhias de aluguel de veículos. “São companhias que sempre precisam estar renovando frota, e para isso, precisam de financiamento”, diz.
Empresas endividadas: commodities em destaque
Companhias com endividamento elevado sentem o impacto positivo da queda dos juros na redução em suas despesas financeiras. Calestine cita siderúrgicas e petroquímicas como exemplos de empresas que aumentaram bastante a alavancagem nos últimos anos. “Essas companhias se beneficiam diretamente quando há corte ou sinalização de queda mais expressiva dos juros. É uma melhora imediata em uma linha muito específica do balanço”, explica.
Infraestrutura: projetos de longo prazo ficam mais atrativos para investidores
Setores de infraestrutura também aparecem entre os beneficiados. Energia, saneamento, transporte e logística são intensivos em capital e dependem de projetos de maturação longa. “A redução dos juros torna esses investimentos massivos mais viáveis e atrativos para investidores”, afirma Souza Filho.
O momento de entrar: quando aproveitar a queda da Selic na Bolsa?
Apesar das oportunidades, o movimento de queda dos juros não está livre de riscos. Uma aceleração muito forte da atividade pode reacender pressões inflacionárias. O câmbio também pode reagir à combinação de atividade mais aquecida e mudanças na atratividade relativa do Brasil frente a outros países.
A decisão de mudar o portfólio depende do perfil do investidor. Calestine sugere esperar uma queda mais acentuada na parte mais longa das curvas de juros, mesmo para os investidores mais agressivos. Já os conservadores tendem a esperar cortes mais significativos para sentir a diferença entre renda fixa e variável.
Ele lembra ainda que é importante ter em mente o custo de oportunidade da renda fixa, e de ter a mente aberta para voltar atrás caso o cenário não se desenhe como você esperava. “Tomou a decisão com base na visão que o juro ia cair, mas a curva não acompanhou? É hora de reconhecer o erro e cortar a posição, porque no Brasil o custo de oportunidade de estar errado é muito alto”, alerta Calestine.
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