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Consumidor está mais egoísta, o que não se imaginava pós-pandemia, diz Hugo Rodrigues, da WMcCann
A pandemia de coronavírus e as guerras recentes provocaram mudanças de comportamento profundas, uma vez que aumentou a imprevisibilidade
Segundo Hugo Rodrigues, CEO da WMcCann, a pandemia de coronavírus e as guerras recentes provocaram mudanças de comportamento profundas, uma vez que aumentou a imprevisibilidade e também o mundo. Com isso, os consumidores passaram a priorizar segurança, conforto e um comportamento “mais egoísta”. O publicitário participou do episódio 20 do Dinheiro Entrevista.
A tese do publicitário é de que essa mudança considerável de comportamento por conta dos fatores geopolíticos fez com que a sua indústria mudasse seu modus operandi para responder aos anseios de quem compra.
“Isso [guerras e pandemia] criou, além de imprevisibilidade, um aumento do medo. E o aumento do medo em todos nós, por mais que você seja uma boa pessoa, ela te torna um pouco mais egoísta. E agora, com o passar disso, a gente começa a conviver de forma natural com as guerras, com essas mudanças estrondosas de governos, de extrema-direita ou de extrema-esquerda. Nem estou aqui para avaliar, mas por que precisa ser tão extremo? E a gente começa a criar um comportamento humano cada vez mais, pelo menos nesse momento, egoísta”, avalia.
“Quando você olha para grandes potências, como China e EUA, você não vê um caminho seguro. Você vê questionamentos. Diante disso as pessoas vão tentar se proteger. No mercado de publicidade você vai tentar saciar essa ansiedade das pessoas, porque somos uma resposta aos anseios”, completa.
O publicitário ainda frisa que esse cenário é “tudo que se imaginou que não fosse acontecer pós-pandemia”.
A WMcCann é uma das maiores agências de publicidade do Brasil, com sede em São Paulo e escritórios no Rio de Janeiro e Brasília. A agência atende a grandes marcas como Chevrolet, Banco do Brasil, Seara, MasterCard, BNDES e outras.
Hugo Rodrigues foi escolhido pelo grupo americano Interpublic para suceder Washington Olivetto na WMcCann em meados de 2017, depois de ter liderado uma das maiores viradas do mercado publicitário ao levar a Publicis do 12º ao 2º lugar no ranking de agências.
Com a WMcCann, a história se repetiu, com a agência saindo de 15º para 1º do ranking em 2020 e 2021, segundo o CENP-Meios.
Atenção virou um bem ainda mais disputado
O publicitário a frente da WMcCann, ainda sobre as tendências de mercado, avalia que a atenção virou um bem, de certa forma, mais raro e mais difícil de ser conquistado.
“O que estamos vivendo hoje é um tsunami de informações, e você acaba sendo interrompido de uma linha de raciocínio seja lá o que você esteja fazendo. Essa é uma coisa que vem acontecendo, e você pode perceber no seu rol de amigos: estamos muitas vezes ‘aqui’, mas estamos distantes”, analisa.
“Essa já começa a ser uma consequência dessa economia atual, dessa economia que vivemos pós revolução industrial, onde tínhamos uma tendência mais linear, e agora com a revolução digital – que você mesmo faz parte quando acessa um app de um banco, você já se transforma em um consumidor digital – essa economia não para de crescer e ela tende a nos deixar mais ansiosos, mais dispersos e menos focados, então fica mais difícil para qualquer um roubar ou ganhar sua atenção”, diz.
Nesse panorama, apesar da força dos grandes influenciadores, o CEO da WMcCann entende que os micro e nanoinfluenciadores estão e continuarão ganhando espaço.
“A gente passar por uma transformação no mercado de publicidade em todo o mundo. Os próprios grupos de comunicação vem comprando cada vez mais empresas de Inteligência Artificial (IA) e de creators. É uma tendência que não deve parar em pouco tempo, porque é uma economia nova, que gera muito resultado, e que tem o dinamismo do nosso atual cotidiano”, analisa.
Criatividade precisa atender o cliente, defende Hugo Rodrigues
O publicitário ainda defende que a criatividade dentro do mercado precisa, necessariamente, estar atrelada a resultados. Como exemplo, cita o exemplo do Dollynho, que apesar de não citado como uma referência no mercado, cumpriu sua prmoessa.
“O Dollynho, entendo como algo criativo, porque ele entrou na cultura popular. Poxa, se eu perguntar para a maioria do mercado especializado, provavelmente não vai dar que ele é criativo. Mas para o impacto que ele causou como movimento publicitário, ele deveria ser considerado. Então, o que é a criatividade para mim? A criatividade, no meu modo de ver, é algo que gera resultado para o cliente. Porque você, como publicitário, não é contratado para fazer o que você quer”, afirma.
Segundo Hugo Rodrigues, é assim que ele enxerga criatividade e como ‘construiu sua carreira’. “Exatamente por todos aqueles trabalhos de vendedor que eu fiz, me trouxeram essa racionalidade e esse desafio da barriga no balcão de tocar na hora que a gente está comprando alguma coisa”.
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