A partir de 1º de junho o Ministério do Trabalho e Emprego já receberá as declarações
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Fim do ciclo de alta ou Selic a 15%? Veja o que esperar para a reunião do Copom
Nesta quarta-feira, 18, o Comitê Política Monetária anunciará sua nova decisão de política monetária. A maioria do mercado aposta em uma pausa no ciclo de aperto monetário
Nesta quarta-feira, 18, o Comitê Política Monetária (Copom) anunciará sua nova decisão de política monetária. A maioria do mercado aposta em uma pausa no ciclo de aperto monetário, com uma manutenção da Selic em 14,75%. Mas nos últimos dias, algumas casas passaram a revisar suas projeções para uma elevação da taxa de juros para 15%.
A visão de consenso do último boletim Focus do Banco Central é de que o Copom deve segurar a taxa Selic no atual patamar, mas que o início de um ciclo de corte deve ficar somente para o ano que vem.
“O Copom deve encerrar o ciclo de aperto monetário em junho, mantendo a Selic em 14,75%, mas sinalizando estabilidade da taxa por um período prolongado. Diante da inflação ainda acima da meta, expectativas desancoradas e atividade resiliente, não vemos espaço para cortes em 2025. Projetamos início da flexibilização apenas em 2026, com riscos inclinados para um adiamento maior – a menos de uma apreciação expressiva da moeda ou uma desaceleração abrupta da atividade”, diz o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita.
Em relatório recente a clientes, o time de pesquisa macroeconômica destacou que na comunicação oficial recente, após a reunião de maio, o Banco Central pareceu ‘ter ganhado confiança de que a política monetária está em patamar significativamente contracionista’ e que a atividade está desacelerando.
“Adicionalmente, as autoridades pareceram indicar a preferência por uma estratégia de manutenção de juros elevados por tempo prolongado. Desde então, não enxergamos mudanças relevantes nas condições de contorno para a decisão de política monetária. O ambiente internacional segue volátil e com incertezas elevadas. A atividade doméstica segue resiliente, mas com sinais ambíguos e indicando alguma moderação. A inflação corrente está acima da meta e expectativas seguem acima da meta, mas em ambos os casos, sem piora adicional”, diz a casa.
A XP avalia que o Banco Central deve manter a taxa Selic elevada por certo tempo’. “Para 2026, nossa projeção segue acima do intervalo da meta – em 4,7% – diante de uma economia que deve seguir crescendo acima do nível potencial (ou seja, acima do patamar que, teoricamente, não pressiona os preços) e de impulsos fiscais e parafiscais adicionais”, diz a casa.
O JPMorgan, da mesma forma, avalia que a taxa de juros deve ser mantida no mesmo patamar, comunicando uma pausa no ciclo de altas, mas não batendo o martelo sobre o fim do ciclo, então conseguindo ‘observar o desenrolar de um cenário incerto’.
Luiz Arthur Fioreze, economista e diretor de Gestão de Fundos da Oryx Capital, conta que a inflação deu sinais positivos, com o IPCA acumulado em 12 meses recuando de 5,53% para 5,32%, porém ‘ainda é cedo para confirmar uma trajetória de estabilização consistente’.
“A continuidade da desinflação dependerá fortemente da disciplina fiscal do governo, especialmente no controle de gastos com programas como o Novo PAC. Além disso, a possibilidade de um novo ciclo de alta inflacionária global, impulsionado pelos fatores geopolíticos mencionados, eleva o nível de cautela. Apesar disso, o Brasil deve sofrer impactos mais moderados, uma vez que iniciou seu ciclo de aperto monetário antes de outras economias e já opera com juros reais elevados”, avalia.
Quem aposta em uma alta, vê Selic a 15%
Uma fatia menor do mercado espera ao menos mais uma alta na taxa de juros.
O BTG Pactual revisou sua projeção na última sexta-feira, passando a prever uma elevação adicional de 25 pontos-base da taxa Selic, com a taxa permanecendo em 15% até o fim de 2025.
“Os indicadores de atividade econômica seguiram resilientes, enquanto a inflação de serviços permaneceu pressionada, sem sinais mais consistentes de moderação”, escreveu a economista Iana Ferrão. “Esses fatores, somados à persistência da desancoragem das expectativas de inflação, reforçam nossa avaliação de que será necessário um ajuste residual na próxima reunião.”
O C6 Bank também manteve a perspectiva de um aumento da Selic em 0,25 p.p. na última revisão, ainda que ‘não descarte uma manutenção dos juros’. “A tendência é que as pressões inflacionárias segurem a Selic nesse patamar elevado até, pelo menos, o final de 2025, mas reconhecemos a possibilidade de haver alguma flexibilização monetária ao longo de 2026”, diz a casa.
Os economistas do banco destacam que desde a última reunião, houveram as seguintes mudanças nas variáveis que afetam o cenário prospectivo para a inflação:
- A projeção de IPCA do Focus passou de 5,5% para 5,4% para 2025 e permaneceu em 4,5% para 2026
- A taxa de câmbio registrou leve apreciação (passou de R$ 5,7 para R$ 5,6)
- A projeção de taxa de juros do Focus para 2025 permaneceu em 14,75% para 2025 e em 12,5% para 2026
Esses dados, segundo o C6, mostram uma leve melhora nos dados prospectivos para o cenário de inflação, mas as expectativas de inflação continuaram elevadas e acima da meta estabelecida.
Fabio Kanczuk, um ex-diretor de Política Econômica do BC e hoje diretor de macroeconomia do ASA, deu entrevista ao Brazil Journal na semana anterior e declarou que vê ‘o fiscal pior que o da Dilma e um mundo mais complicado’ e que enxerga uma continuação no aperto monetário.
“No momento atual, essa alta adicional seria particularmente importante porque o juro que importa para a economia não é a Selic – é o juro de mercado de um ano e meio, dois anos para frente. Esse é o juro que afeta os empréstimos”, disse.
O Santander também revisou sua projeção para a próxima reunião do Copom recentemente, agora esperando um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic, para 15%, contrariando a expectativa anterior de manutenção.
Essa mudança vem após comunicações recentes do BC, que sinalizaram desconforto com a precificação de pausa definitiva e buscaram realinhar as expectativas do mercado.
Apesar da inflação abaixo do esperado, o forte desempenho da atividade doméstica (sobretudo no mercado de trabalho) e a resiliência das expectativas de inflação acima da meta justificam, na visão da casa, essa reprecificação.
“As comunicações recentes do Copom nos levaram a revisar nosso cenário base para incluir uma alta de 25 pontos-base na Selic em junho. Embora os dados de inflação tenham surpreendido para baixo, a atividade doméstica permanece resiliente — particularmente o mercado de trabalho — e os temores sobre o crescimento global diminuíram”, diz a casa.
Para o restante de 2025, o Santander projeta a Selic permanecendo em 15% e, para 2026, uma taxa terminal de 13%, refletindo uma abordagem ainda cautelosa diante de incertezas fiscais e de inflação.
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