Receita Federal libera, a partir de 23 de setembro, a consulta ao lote residual de restituição do IRPF
Área do Cliente
Notícia
Os reveses nas experiências de consumo de pessoas com deficiência
Militantes na luta por melhor qualidade de vida e garantia dos direitos das pessoas com deficiência, como a médica Daniela Bortman, se reuniram na ACSP para falar sobre acessibilidade
"Quando seus produtos e soluções são acessíveis, funcionam para a deficiência permanente, temporária, situacional e para quem não tem deficiência. E isso é mais que acessibilidade, é usabilidade".
A fala de Ricardo Wagner, diretor de trabalho moderno e segurança na Microsoft Brasil, diz muito sobre as oportunidades que os lojistas têm para aprimorar seus negócios. Filho de uma mãe parcialmente cega e tendo um irmão amputado, o executivo está bem contextualizado com a falta de poder e visibilidade dessa população na sociedade.
Um exemplo simples do que Wagner fala está nas lojas de roupas, que não são pensadas para tornar as jornadas de consumo de pessoas com deficiência mais autônomas. Raramente essas lojas oferecem provadores mais espaçosos que comportem uma cadeira de rodas, um atendente que se comunique por meio da Língua Brasileira de Sinais, ou prateleiras acessíveis a um cliente com nanismo ou cadeirante - mesmo tudo isso sendo previsto por lei.
O mesmo vale para as praças de alimentação, que devem estar em locais de fácil localização e oferecer mesas acessíveis, mapas táteis e elevadores próximos.
Além de tudo o que precisa ser feito, Wagner destaca que oferecer acessibilidade não é criar áreas exclusivas para pessoas com deficiência, mas sim ambientes que atendam de fato a todos.
O Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que corresponde a 8,9% da população, segundo dados da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (SNDPD/MDHC) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mundo, esse número chega a um bilhão de pessoas.
Pensando nas barreiras que vão além do espaço físico, o Comitê de Civismo e Cidadania (COCCID), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), organizou um seminário para discutir acessibilidade e visões estratégicas para a construção de um universo de negócios que contemple toda a diversidade humana.
Lançando um olhar ainda mais amplo sobre a questão, os depoimentos que foram dados durante a reunião deixam clara a importância de reconhecer essa população como um mercado de consumidores ativos. Uma pesquisa do Sebrae-SP mostra que 50% das pessoas com deficiência são economicamente ativas, ou seja, trabalham como funcionárias ou empreendem. Deste total, metade trabalha de 30 a 50 horas semanais e 1/3 atua no setor industrial.
Parte de um recorte bem seleto dessa realidade, Daniela Bortman está há três anos na Bayer, onde é head de saúde, e está entre os 5% de pessoas com deficiência que ocupam cargos de liderança em grandes empresas do país.
Desde 1991, uma lei de cotas exige que toda empresa no Brasil com cem funcionários ou mais tenha de 2% a 5% dos seus cargos preenchidos por pessoas com deficiência (PCDs). A Bayer, por exemplo, que hoje tem 300 PCDs entre seus funcionários, tem programas de desenvolvimento para acelerar a ascensão de grupos sub-representados.
Daniela é a primeira médica tetraplégica do Brasil, e teve dificuldades de retornar à faculdade dois anos após sofrer o acidente que a deixou com restrições motoras. Ela relata que desde então teve de se esforçar duas vezes mais do que os outros para ocupar os espaços em que queria estar, porém, não se sentia bem-vinda.
“As pessoas esperavam que eu ficasse bem, mas na cama, aposentada, não sendo médica. No máximo, me diziam que eu poderia ser psiquiatra. Apesar de admirar a especialidade, não era o que eu queria”, diz Daniela.
A partir daí, passou a entender que inclusão de fato não significa atender a uma lei de cotas ou contratar PCDs. Mas, sim, reter e proporcionar ambientes de trabalho seguros e saudáveis ao normalizar a diversidade.
Daniela tem uma assistente pessoal na Bayer, uma profissional da área da enfermagem que a ajuda tanto nas tarefas profissionais quanto pessoais, como se vestir ou comer. Uma condição, de fato, privilegiada, mas que na visão da executiva, não pode ser vista como um ato de bondade da empresa, e sim, como uma relação saudável entre empregada e empregador.
É essa mesma assistente quem a acompanha nas compras, um momento que ainda lhe traz constrangimento. Isso porque, na maioria das vezes, Daniela diz que as atendentes das lojas a ignoram por estar em uma cadeira motorizada e se dirigem diretamente a sua assistente.
"Como se eu não pudesse ser diretamente atendida ou não tivesse domínio para saber o que quero. E há ainda quem me trata como criança, se comunicando sempre no diminutivo e com uma voz infantil", diz.
O mesmo tipo de experiência é compartilhado por Bruno Pereira, head de acessibilidade e consumo inclusivo na Gol Linhas Aéreas, e que tem baixa visão.
Além de reclamar da abordagem infantilizada que recebe no comércio e de quase sempre ter o atendimento direcionado à sua namorada, não a ele, Bruno também diz se sentir depreciado.
"Me trazem itens mais baratos ou me colocam na condição de quem não teria poder aquisitivo para pagar por coisas mais caras. Sem falar nas vezes em que me expulsaram da loja por achar que eu estava lá para pedir dinheiro".
Bruno está há nove anos na companhia aérea e já teve diversas experiências profissionais no comércio de rua trabalhando em padarias, pequenos varejistas, atacadistas e distribuidores, e por isso conhece bem os dois lado, o de consumidor e o de responsável pela criação e gestão de programas de diversidade e inclusão de colaboradores com deficiência.
Ao participar de muitos processos de inclusão infraestrutural, arquitetônico, atitudinal, comunicativo e digital, hoje, Bruno está voltado para a criação de projetos de experiência do cliente com necessidades especiais. O objetivo é entender e mapear toda a trajetória do cliente e identificar todas as barreiras de acessibilidade.
Nas próprias palavras do colaborador, a companhia ainda está longe de alcançar um padrão satisfatório de usabilidade. Nesse processo, Bruno destaca uma das últimas ações realizadas pela Gol - uma simulação de evacuação com um protocolo baseado nas pessoas com deficiência.
O voo em questão tinha cem passageiros, sendo que 35 deles apresentavam mobilidade reduzida, deficiência visual ou auditiva, neurodiverso ou algum outro impedimento.
A prática trouxe uma série de reflexões à companhia, como, por exemplo, a orientação correta a um deficiente visual se retirar com a bengala aberta ou fechada, o melhor deslocamento para pessoas com prótese e outras orientações para protocolos de emergência.
O presidente da ACSP, Roberto Mateus Ordine, e o coordenador do COCCID, Samir Nakhle Khoury, ressaltaram a preocupação da entidade em levar essa pauta ao comércio para tratar não apenas da inclusão social, mas também da inclusão profissional.
Notícias Técnicas
Ajustes contemplam o PGCC (v.1.0.3) e o Balancete Mensal (v.1.0.1) com expansão do limite de contas
Contador como CFO: Guie clientes Simples Nacional nas novas regras de CBS e IBS
Além da alíquota: prepare sua operação para IBS e CBS revisando cadastros, ERPs e fornecedores
Equipe poderá intimar contribuintes, revisar decisões e constituir créditos tributários; medida alcança somente os pedidos relacionados em planilha oficial
Nova lei estimula infraestrutura digital com benefícios tributários e sustentabilidade
Decisão do STF vence dia 23 de setembro e empregadores devem revisar o PGR e incorporar diretrizes de saúde mental no trabalho
A cobrança híbrida automatiza a conciliação e posiciona o profissional de contabilidade como peça-chave do direcionamento financeiro nas empresas
A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil publicou a Instrução Normativa RFB nº 2342, de 15 de setembro de 2026, com o objetivo de alterar a Instrução Normativa RFB nº 2228, de 3 de outubro de 2024
Carf mantém cobrança de IOF sobre operações financeiras entre empresas coligadas, entendendo que movimentações registradas como contas correntes podem ser caracterizadas como operações de mútuo sujeitas à tributação
Notícias Empresariais
O aprendizado só se transforma em desempenho quando há atitude do profissional e um ambiente favorável criado pela liderança
Desvende as siglas NF-e, NFC-e, NFS-e e organize sua rotina fiscal sem complicação
Iniciativa gratuita ajuda a organizar as contas, analisar indicadores e até na tomada de decisão de novos empréstimos
Juros, endividamento e inadimplência elevados devem reduzir o ritmo das concessões, enquanto o esgotamento de recursos para programas de incentivo preocupa analistas
Pacote anunciado pelo Banco Central amplia o uso do Pix Automático, cria mecanismos contra pagamentos em duplicidade e aumenta a proteção de usuários em casos de suspeita de fraude
A automação das cobranças recorrentes reduz o trabalho manual e ajuda a garantir pagamentos pontuais, liberando tempo para outras atividades do negócio
Inflação projetada para este ano cai a 4,9%
Retrabalho, dependência de pessoas e falhas entre áreas podem indicar que a estrutura interna já não acompanha o ritmo do negócio
Uma comunicação clara e objetiva no ambiente profissional fortalece a autoridade e a marca pessoal. Ajustar tom de voz, oratória e linguagem não verbal ajuda a evitar mal-entendidos e transmitir ideias com precisão
Jovens querem crescer, liderar e ter segurança, mas questionam modelos tradicionais de hierarquia, jornadas excessivas e relações de trabalho que já não consideram sustentáveis
Notícias Melhores
Atividade tem por objetivo garantir a perpetuidade das organizações através de planejamento e visão globais e descentralizados
Semana traz prazo para o candidato interpor recursos
Exame de Suficiência 2/2024 está marcado para o dia 24 de novembro, próximo domingo.
Com automação de processos e aumento da eficiência, empresas contábeis ganham agilidade e reduzem custos, apontando para um futuro digitalizado no setor.
Veja as atribuições da profissão e a média salarial para este profissional
O Brasil se tornou pioneiro a partir da publicação desses normativos, colaborando para as ações voltadas para o combate ao aquecimento global e o desenvolvimento sustentável
Este artigo analisa os procedimentos contábeis nas operadoras de saúde brasileiras, destacando os desafios da conformidade com a regulação nacional e os esforços de adequação às normas internacionais de contabilidade (IFRS)
Essas recomendações visam incorporar pontos essenciais defendidos pela classe contábil, os quais poderão compor o projeto final previsto para votação no plenário da Câmara dos Deputados
Pequenas e médias empresas (PMEs) enfrentam uma série de desafios que vão desde a gestão financeira até o cumprimento de obrigações fiscais e planejamento de crescimento
Este artigo explora técnicas práticas e estratégicas, ajudando a consolidar sua posição no mercado competitivo de contabilidade