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Afinal, o que é o mercado?
Todos estamos inseridos no mercado financeiro de alguma forma, mas definição do conceito ainda é nebulosa para muitos brasileiros.
O mercado está estressado, nervoso, assustado, reage bem, reage mal... Do jeito que nós falamos, parece até que o mercado financeiro é uma entidade única e amorfa. Ou talvez um grupo de 10 pessoas reunidas numa sala decidindo como investir seus milhões conjuntamente.
Mas o conceito não é muito claro para muitos brasileiros. No vídeo acima, ouvimos pessoas na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, para entender o que elas sabiam sobre o assunto.
É difícil precisar o que é o mercado – porque não se trata de uma instituição. Na verdade, ele funciona como um ambiente de negociação onde estão inseridas instituições financeiras e pessoas físicas, com compra e venda de ativos. E reúne investidores de tipos diferentes, negociando produtos diferentes (que podem ser ações, títulos públicos, moedas, ouro etc.), regidos por propósitos também diferentes, explica Rachel de Sá, analista de investimentos da Rico.
E esses investidores podem ser:
- Pessoas físicas: basicamente eu, você, seu colega de trabalho e até o milionário que investe sozinho.
- Investidores institucionais: bancos, empresas, gestoras, tesourarias, instituições financeiras também estão negociando, investindo e emprestando de outras empresas, bancos e instituições. Para ficar simples: o Nubank, por exemplo, era um dos compradores das dívidas das Lojas Americanas.
- Investidores estrangeiros: podem ser pessoas físicas ou institucionais de outros países que querem comprar ativos brasileiros.
Dentro dessa dinâmica de compra e venda, os investidores institucionais têm maior peso, porque movimentam grandes quantias. Os bancos, por exemplo, administram o dinheiro de seus milhares de correntistas e investem tudo – até o dinheiro que você coloca na poupança e acha que está paradinho.
“Todo o dinheiro que está guardado faz parte do mercado. A questão é que existem pessoas que estão fazendo a gestão desse dinheiro e elas têm que tomar decisões”, explica Sá.
Dentre essas “pessoas que tomam decisões”, existe uma figura de peso: a dos gestores de fundos. Isso porque eles administram o dinheiro de muita gente com muita grana. É mais ou menos assim: bilionários, milionários, ricos e nem tão ricos deixam seu patrimônio nesses fundos para que profissionais tomem decisões por eles.
Esses fundos analisam as empresas, a bolsa, o dólar, a política econômica nacional, a internacional, conflitos, guerras, projeções de crescimento dos países e todos os fatores que podem influenciar o valor daquele ativo. E aí, diante de estudos feitos por economistas, os gestores decidem onde vão colocar o dinheiro dos clientes.
Como esses fundos lidam com grandes volumes, as movimentações deles podem impactar no valor dos ativos. Outra figura importante é o gestor dos fundos de pensão, explica Rachel, também por mexer com muito dinheiro de muita gente: aposentados e pensionistas.
Veja dois exemplos dos impactos, para o mercado, das decisões desses agentes importantes:
- Se os investidores entendem que uma determinada ação pode ser um risco ou está custando mais do que a empresa vale, eles podem decidir vendê-la. E quando isso acontece (quando muitas ações são vendidas de uma vez) é como se acendesse uma luz vermelha para todos os outros investidores daquela empresa. As pessoas veem as ações caindo, entendem que algo pode acontecer e decidem vender também. E aí o resultado é mais queda.
- Agora vamos falar dos estrangeiros. Se os investidores, os fundos ou as instituições financeiras de outros países decidem investir no Brasil (seja comprando ações na bolsa ou títulos do Tesouro Nacional), eles precisam vender seus dólares, comprar reais e aí sim comprar os títulos ou ações que querem. E aí, com mais dólar aqui dentro, fica mais barato comprá-lo. A mesma coisa acontece quando eles decidem vender ações ou títulos que têm aqui. Aí tem menos dólar no Brasil e fica mais caro conseguir a moeda, explica Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos.
Mas é possível saber qual a cara por trás dos mercados?
Bom, mais ou menos. Primeiro, é preciso deixar claro que cada mercado tem suas particularidades. “A bolsa, por exemplo, tem 50% de investidores estrangeiros. A B3 não diferencia entre investidor institucional ou pessoa física, costumam ser gestores de fundo de investimento estrangeiros. Tem também uma boa parte que são as instituições financeiras. E aí você vai cavando e chega aos bancos, por exemplo, que investem o dinheiro dos clientes”, diz a analista de investimentos da Rico.
Já quando olhamos para títulos do Tesouro, conta ela, as pessoas físicas representam boa parte dos investidores.
Mas a gente estava tentando achar um rosto, apesar de sabermos que o mercado é composto por muita gente. Vamos lá, um rosto poderoso é o do gestor André Stuhlberger, reconhecido como um dos melhores do Brasil. Aqui vai uma cifra: o fundo que ele gerencia, o Verde Asset Management, tem R$ 32 bilhões de ativos sob gestão, investidos em fundos multimercados, de ações e de previdência.
E o que move o mercado?
Você pode estar se perguntando por que decidimos falar do mercado agora. No começo de um novo governo, ele é sempre citado e todo mundo adora especular sobre como o mercado vai reagir.
Agora que a sabemos que ele não tem 'uma cara', mas que algumas caras são, sim, bastante poderosas, fica a pergunta: o que move nossos “big players” (ou grandes jogadores) no fim do dia?
Para Cohen, o que leva essas pessoas a movimentarem seus ativos é o quanto elas acham que seus clientes podem ganhar com esse movimento. No fim, todos estão atrás do maior lucro possível.
“O foco dos investidores da bolsa, por exemplo, são as barganhas que estão buscando com as empresas. Se, com base em uma análise fundamentalista dessas empresas, eles acreditam que elas estão com um valor mais baixo em relação ao que valem, eles compram apostando que vai aumentar. E é a mesma coisa em relação aos títulos atrelados aos juros, que têm bom rendimento em relação a outros países”, explica o analista.
Sá concorda. “Qual é o trabalho de um gestor ou mesmo investidor pessoa física cuidando do seu próprio dinheiro? O papel dele é tentar antecipar movimentos e se posicionar para ganhar mais dinheiro”, complementa.
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