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Pesquisa mostra que práticas ESG precisam avançar no comércio
Segundo a FecomercioSP, há uma falsa percepção entre os comerciantes de que suas operações não têm impacto no meio ambiente
A maior parte dos pequenos e médios comerciantes (46%) considera o aspecto social do ESG – sigla para meio ambiente, social e governança – o quesito mais relevante para o seu negócio. É o que revelou uma sondagem inédita realizada pelo Comitê ESG da FecomercioSP.
O estudo ouviu 100 empresas do comércio na capital paulista. A porcentagem das empresas que consideram o aspecto social o mais importante superou as perspectivas ambiental e de governança (ambos com 27%).
Quando perguntados sobre o segundo quesito mais importante, os comerciantes também apontaram o social (40%). Já a governança foi citada por 50% das empresas como o terceiro mais relevante.
Na avaliação da FecomercioSP, esta percepção pode refletir também os efeitos da pandemia de covid-19, durante a qual muitos destes negócios se esforçaram para não demitir, além de terem adotado medidas para o controle da disseminação do coronavírus entre colaboradores e clientes.
A preocupação com o social aparece em ações adotadas em relação aos colaboradores, aos clientes, à vizinhança e aos demais stakeholders.
Quanto à qualidade de vida dos colaboradores, 60% disseram que o impacto causado pela empresa é positivo. No que concerne à qualidade de vida dos clientes, 67% consideraram impactar de forma positiva.
No que diz respeito à vizinhança, 43% também afirmaram ter impacto positivo. Com relação às práticas adotadas para o bem-estar social, embora 53% terem informado não realizar nenhuma ação, entre os que adotam, 21% disseram fazer contribuições financeiras (exceto para causas políticas), enquanto a mesma porcentagem (21%) faz parcerias com organizações beneficentes ou participação em organizações comunitárias.
Por fim, 11% apontaram como prática os investimentos na comunidade.
Quase um quarto dos entrevistados apontou a falta de conhecimento como barreira para adoção dos critérios ESG, além da necessidade de incentivos governamentais. Em razão disso, a maioria informou não ver necessidade em adotar nenhuma ação, sendo 35% para os aspectos ambiental e social, e 34% para governança.
GOVERNANÇA
No quesito “governança”, quando avaliadas as ações para gestão de pessoas, 71% das empresas afirmaram terem trabalhadores formalizados, seja pelo regime CLT, seja por contrato laboral.
Entre os comércios com mais de 50 funcionários, 70% oferecem oportunidades de contratação e desenvolvimento de carreira de forma isonômica a todas as pessoas, com atenção às suas peculiaridades e características (entre os negócios com menos colaboradores, são 49%, e no total, 51%).
No que diz respeito às práticas relacionadas aos direitos humanos (inclusão e diversidade), 62% dos comércios disseram adotar medidas que promovam o trabalho decente, tratando os colaboradores de forma respeitosa.
Quando perguntados sobre a adoção de medidas para impedir e reparar situações de assédio ou violações, 45% dos negócios afirmaram exercer ações nesse sentido.
A corrupção também é uma grande preocupação: 44% adotam medidas para prevenção e combate, ao passo que 63% têm a transparência como princípio.
Em relação à diversidade na liderança, a pesquisa demonstra que 45% dos negócios são liderados por mulheres. O porcentual chega a 50% nas empresas com mais de 50 empregados.
Já as que não são exercidas por pessoas de grupos sub-representados são 29%, enquanto 17% são lideradas por pessoas idosas; 10%, por outros grupos sub-representados (por exemplo, o LGBTQIA+); e 3%, por grupo racial ou étnico sub-representado.
As empresas também avaliam pouco os seus fornecedores com critérios ESG. Os quesitos mais citados por elas foram: localização na mesma comunidade ou região geográfica (22%), corrupção (21%) e programa de reciclagem (18%).
AMBIENTAL
Com exceção do uso de lâmpadas de LED (91%) e da gestão de resíduos sólidos (48% fazem a triagem dos recicláveis e 27%, a substituição de descartáveis), as empresas têm baixo desempenho na adoção de boas práticas ambientais.
Em relação às barreiras, assim como nos demais quesitos, as mais destacadas foram desconhecimento de parceiros aptos a colaborar (33%), insuficiência de recursos financeiros (30%) e necessidade de incentivos governamentais (27%).
A falta de percepção de que causam impactos ambientais se confirma na avaliação das empresas sobre os efeitos gerados com suas operações: 97% declararam não produzir impactos em relação às mudanças climáticas; 95%, à poluição do solo, escassez de recursos naturais e de água; 96%, à poluição da água; e 93%, à poluição do ar.
Como consequência do desconhecimento, nenhuma monitora as emissões de gases de efeito estufa.
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